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| Rangel, capacho de Chávez |
Esse puxa-saco de Chávez, minimiza nesta entrevista os chamados à "unidade" feitos pelo caudilho a seu partido e aos militares antes de partir para Havana, no fim de semana. Rangel parece que tem sido escalado por Chávez para sair por aí oferecendo-se para dar entrevistas no sentido de ajudar a contornar a situação caótica da política venezuelana turbinada pelo câncer do ditador. Tanto é que dia desses Rangel também concedeu uma entrevista para a revista colombiana Semana.
Agora foi a vez da Folha de São Paulo que possui jornalista sentando praça na Venezuela mas que parece concordar com a tirania chavista ao abrir espaço para esse sabujo do lulismo que diz ser jornalista. É válido ouvi-lo, mas merece uma análise que situe o leitor no contexto, ou seja, no fato de que Chávez já destruiu a democracia na Venezuela.
José Vicente Rangel - Chávez assinalou que existe esse perigo potencial e que é obrigação dos dirigentes do PSUV e do governo, nestas circunstâncias em que ele está em tratamento fora do país, ter consciência de que são expressões que jogam contra o processo e que é preciso controlar. É um perigo latente em todas as organizações. De esquerda, direita, de centro.
Chávez falava de aspectos latentes? E disputas entre tendências, racha nos Estados?
Sim, sim... mas, repito, são situações inerentes à vida democrática. Isso acontece aqui na Venezuela, em qualquer nação. Na Venezuela, esse tipo de situação foi resolvido com um custo muito baixo, porque não significaram rupturas orgânicas no movimento, e sim dissidências muito pessoais e localizadas.
Chávez se foi sem data de retorno. O governo deu informação "veraz e oportuna" sobre a doença?
Seria temerário dar data de retorno. E se ele não puder voltar na data fixada, por alguma razão? O presidente buscará voltar o mais rápido possível. Foi feito e se disse o que se tinha de fazer e dizer [sobre a doença]. Da mesma forma que uma pessoa pode ter uma melhora, de repente, pode ter uma recaída. O melhor é limitar a informação. Numa situação como a venezuelana, tão polarizada, qualquer coisa que se diga é objeto de debate.
Fora Chávez, há alguém capaz de unir as diferentes alas do chavismo? E se ele não puder ser candidato em 2012?
Neste momento não há. No hipotético caso que sugere, estou certo de que surgirá. Há lideranças, mas não alternativas, porque a liderança de Chávez não está em crise.
O presidente pediu "unidade" aos militares. Isso não alimenta a ideia de que não há unidade?
Claro que alimenta. Estamos num país polarizado e com jornalistas desconfiados. Mas que chefe de Estado não invoca a unidade? Não há o menor risco de instabilidade democrática. Da Folha de São Paulo desta quarta-feira



