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| Macri comemora com sua esposa a reeleição |
O governo Cristina Kirchner sofreu um novo revés eleitoral neste domingo e, faltando menos de três meses para as eleições presidenciais, o clima de preocupação é cada vez maior na Casa Rosada. Como era esperado, o atual prefeito da cidade de Buenos Aires, Mauricio Macri, um dos principais líderes da oposição foi reeleito, segundo dados oficiais (com 64% das urnas de votação apuradas) com 62,8% dos votos. O candidato do governo, o senador Daniel Filmus, obteve apenas 37,2%, protagonizando uma amarga derrota para a ala do Partido Justicialista (PJ) comandada por Cristina que, segundo pesquisas divulgadas nos últimos dias, está perdendo fôlego na campanha presidencial e poderia ser obrigada a disputar um segundo turno.
Desde o início deste ano, nove províncias - de um total de 24 - foram às urnas para eleger novos governadores. A oposição obteve cinco vitórias.
Num gesto incomum, a presidente telefonou para Macri para parabenizá-lo pela reeleição. Cristina não costuma dialogar com a oposição e chegou a pedir a dirigentes antikirchneristas que não presenciassem o velório do marido, Néstor Kirchner, em outubro do ano passado.
- É importante que os líderes argentinos aprendam a ser humildes, é muito mais fácil ser soberbos. Não prometo milagres, mas prometo trabalho, muito trabalho - declarou Macri.
Até pouco tempo, a presidente e viúva de Kirchner era a grande favorita e tudo parecia indicar que conseguiria conquistar um terceiro mandato para a família Kirchner sem grandes esforços. As dúvidas começaram a surgir nas últimas semanas e, segundo reportagem da revista "Notícias", publicada sábado passado, três pesquisas realizadas recentemente por empresas de consultoria locais mostraram que as intenções de voto de Cristina estão abaixo de 40%. Para vencer uma eleição presidencial no primeiro turno na Argentina é necessário obter 40% dos votos e uma diferença de mais de dez pontos percentuais em relação ao segundo colocado.
O ex-presidente Eduardo Duhalde, um dos adversários de Cristina em outubro, assegurou que "a presidente não passa dos 33%". Outro dos candidatos com chances de disputar uma queda-de-braço com a presidente é Ricardo Alfonsín, filho do ex-presidente Raúl Alfonsín. Com sua reeleição, Macri passa a ser um dos dirigentes mais fortes da oposição, que aposta numa candidatura presidencial em 2015. O chefe de governo portenho pensou em candidatar-se este ano, mas a fortaleza de Cristina o levou a optar pela reeleição na capital. A grande incógnita agora é saber quem será o candidato à Presidência que contará com o respaldo público de Macri.
A derrota em Buenos Aires, onde vivem 8,6% dos eleitores do país, soma-se ao recente triunfo do Partido Socialista na província de Santa Fé (8,5% do total do padrão eleitoral) e à provável vitória de forças antikirchneristas na província de Córdoba (8,7% do padrão).
No próximo dia 14 de agosto, o governo enfrentará seu principal teste: as eleições internas de cada um dos partidos, como exige a nova lei eleitoral, aprovada durante a gestão de Cristina. Embora a maioria dos partidos já tenha escolhido seu candidato, a lei exige a realização de eleições internas e, na visão de analistas locais, as primárias argentinas mostrarão claramente em que posição está cada um dos candidato. Do portal de O Globo