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domingo, maio 31, 2009

A INCRÍVEL HISTÓRIA DE SÍLVIA ZAMBONI

Sílvia Zamboni: caso excepcional de recuperação da função cerebral
A Folha de São Paulo deste domingo traz um matéria interessante assinada por Gabriela Cupani, a respeito da surpreendente recuperação da jornalista catarinense Sílvia Zamboni que há alguns anos sofreu um acidente automobilístico violento, tendo permanecido em coma por um longo período e com pouquíssimas chances de escapar com vida.
Na época os médicos pressentiam que, se vivesse, teria apenas uma vida vegetativa. No entanto, hoje é uma pessoa normal. Seu caso deixa os especialistas perplexos.
Como também conheço a Sílvia e fiquei muito feliz quando a encontrei pela primeira vez depois de sua recuperação, transcrevo para os leitores do blog essa história surpreendente e muito bem sintetizada nesta reportagem.
Aproveito para enviar daqui do blog o meu abraço à Sílvia. Eis a reportagem na íntegra que vale a pena ser lida:
Há algumas semanas, ao passar por uma ressonância magnética, a jornalista catarinense Silvia Zamboni, 40, deixou o médico desconcertado: ele não podia acreditar que o cérebro que observava no monitor, com lesões seríssimas em áreas extensas, era o de uma pessoa absolutamente normal.
O esperado seria encontrar alguém com sérias dificuldades para falar, caminhar ou comer. Ou até em estado vegetativo.Ele não estava errado. Cinco anos atrás, diante de imagens semelhantes, outros médicos nem acreditaram que ela sobreviveria ao acidente que sofrera. Seu carro havia se chocado contra uma árvore depois de ter sido fechado por um caminhão, numa noite chuvosa, no interior de Santa Catarina.
Além do traumatismo craniano, ela tinha costelas quebradas, que haviam perfurado um pulmão. Uma orelha foi praticamente decepada. O socorro só veio após duas horas.
A falta de oxigenação por conta da parada cardíaca havia deixado lesões graves e irreversíveis no cérebro. Os médicos que a atenderam diziam que a morte era questão de horas.Uma semana após completar 35 anos, em março de 2004, Silvia estava em coma profundo, no grau 3 da escala de Glasgow -o mais baixo-, que mede o nível de consciência após uma lesão cerebral. As estatísticas estavam contra ela -os médicos estimaram em 1% a chance de sobrevivência.
Papel da mãeApesar da resistência dos profissionais, sua mãe, Marilda, resolveu levá-la a um centro maior, em Florianópolis. "Para que, se ela está quase morta?", ouviu de um deles. No outro hospital, escutou o mesmo prognóstico: caso a filha sobrevivesse, as chances de ficar em estado vegetativo eram enormes. Mas Marilda acreditava que ainda "havia esperança".
Fazia três anos que mãe e filha não se viam, apesar de morarem na mesma cidade. O reencontro se deu na UTI.Nas visitas diárias ao hospital, sua mãe promoveu um bombardeio de estímulos. Fazia massagens em seu corpo com remédios homeopáticos, levou cremes e perfumes com os cheiros que ela conhecia, colou nas paredes fotos de todas as fases de sua vida e a logomarca da sua empresa, falava muito ao seu ouvido, sem parar de chamá-la pelo nome.
Quando não estava lá, deixava fones com músicas e mensagens gravadas. "Escutava sons, mas não sabia o que significavam", diz Silvia, sobre o período em que esteve inconsciente. "Eu me lembro da voz da minha mãe me dando força." E de algumas frases soltas: "Não reage"; "não vai dar tempo".
Durante quase dois meses, nada mudou. A mãe chegou a ouvir se não seria melhor "deixar a natureza seguir seu curso". Mas perto de completar o segundo mês em coma, Silvia começou a dar os primeiros sinais de recuperação, com alguns movimentos involuntários dos membros e a capacidade de manter a respiração e a pressão por alguns momentos, sem o auxílio de aparelhos. O coma ficou menos profundo.
Quatro meses depois do acidente, os médicos avaliaram que já não havia nada mais a fazer no hospital. A vida havia se confirmado, diziam, mas Marilda teria um bebê para sempre. Silvia estava absolutamente dependente e sem a menor consciência de quem era. Em casa, foi atendida por profissionais como fonoaudióloga, enfermeiros e fisioterapeuta.
História reescrita
Com o apoio da equipe e da mãe, foi reaprendendo tudo, desde as ações mais básicas: andar, pronunciar palavras e, o mais difícil, abrir a boca e engolir. Depois, ainda precisou reaprender a ler, escrever e até reconhecer a função dos objetos mais simples, como o telefone.
Ao longo dos meses, foi passando por todas as etapas de seu desenvolvimento e reescrevendo a própria história. Teve uma fase de birras para comer e de medos para dormir. "Eu estava exatamente como uma criança", diz. "Quando tiraram a sonda nasogástrica [pela qual era alimentada], passei a cheirar tudo, como um cachorro."
Sem se lembrar de nada de sua vida antes do acidente, voltou a se interessar pelos assuntos que a motivavam e revelou os mesmos talentos de antes.Motivada pela mãe, estudou piano, apesar de não se lembrar de que quando criança tinha aprendido a tocar. Quis cozinhar e vender tortas, exatamente como tinha feito na adolescência. Ao mesmo tempo, ia resgatando suas memórias.
Apesar de seu cérebro carregar as cicatrizes das lesões, hoje ela leva uma vida normal. Mora sozinha, namora, estuda, faz suas compras -só não voltou a trabalhar, ainda."É uma prova da plasticidade cerebral, em que os neurônios que sobreviveram encontram novos caminhos para se comunicar", diz o médico intensivista Thales Schott, que acompanhou sua recuperação.
Na visão dele, os cuidados da mãe, que morreu após um AVC no ano passado, foram fundamentais. "Foi isso que resgatou a vida de Silvia", diz.Ainda há grandes lacunas de sua vida de que não lembra. "Hoje sou mais seletiva", afirma. Lembrar envolve um grande esforço mental, que ela não faz para acontecimentos que lhe causem tristeza.
Há quem volte de experiências como essa dizendo que escolheu a vida. "Acho que minha mãe escolheu por mim, e eu correspondi." Hoje ela não faz planos para o futuro. "Ainda tenho muito o que recuperar."
Foto de Marisa Cauduro, da Folha Imagem

9 comentários:

Sonia Makaron disse...

Bom dia Aluísio, li este artigo na Folha. Realmente é incrível a história de superação dessa moça. Gostaria de entrar em contato com ela. Acha possível?
Sonia Makaron

Aluizio Amorim disse...

Sonia,
procure na lista telefônica de Santa Catarina. Tenho certeza que encontrará o telefone dela.
Abs do
aluízio amorim

Unknown disse...

Sensacional! Emocionante a história. Meu respeito e admiração à mãe. O cérebro é fantástico. A propósito, a quem interessar: leia qq livro do Oliver Sacks, renomado neurologista. Um antropólogo em Marte é o relato de casos impressionantes que mostra o quanto o cérebro é " mágico".

Clô disse...

Show da vida,duas vidas , mãe e filha...
Maravilhosa essa história, uma história de amor.
Bom saber que existe gente que acredita que milagre é amar.

Lou D'Àvila disse...

Tive a oportunidade de acompanhar de perto a luta das duas pela vida. Como fazia aula de arteterapia com sua mãe tive essa oportunidade, inclusive retribuindo toda ajuda que recebi de sua mãe, quando em sua escola cheguei. Não podemos esquecer do poder das orações, pois muitos grupos se revezavam nas orações. Para os médicos foi considerado um milagres. Padre Bianchini tambem foi muito presente, na sua recuperação.Para nós que acompanhamos todas as etapas de sua recuperação, é muito emocionante, pois o poder Divino tudo cura, tudo recupera...
Lourdete

Eliton Oliveira disse...

Bom dia, Aluizio. Eu li a matéria na folha de são paulo e realmente a história da silvia é fantástica, eu diria mais, é excepcional. Ao ler, instantaneamente imaginei que essa história poderia ir além das páginas da folha de são paulo. Sou roteirista de cinema e diretor, e tenho planos de escrever um roteiro contando a história da Silvia e de sua mãe, e futuramente, esperamos, levar essa história para as telas. Andei pesquisando o nome dela na internet, no orkut, mas, infelizmente nada. Você saberia me informar de qual cidade catarinense ela é, se ela tem um e-mail, um msn, isso já serveria para iniciar um contato. Você pode entrar em contato comigo pelo e-mail: eliton_oliv1@hotmail.com

Abraço
Eliton Oliveira

Aluizio Amorim disse...

Eliton,
não tenho as informações que vc deseja. Mas acredito que o caminho é contatar com a jornalista da Folha que entrevistou a Sílvia.

Anônimo disse...

Estamos vivendo uma história semelhante. Visitem o blog www.schiabel.blogspot.com e vejam o verdadeiro milagre de Deus.

Elisandra de Giacometi disse...

Sou amiga de infãncia da Silvia e gostaria muito de ter contato, lembrar de nossa infãncia juntas
sei de sua história mas não consigo encontrá-la, gostatia muito
Elisandra
Joaçaba SC