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| Hugo Chávez tomaria posse em seu leito do hospital cubano? |
Há mais de 15 dias na UTI do hospital Cimeq, em Havana, na capital cubana, onde segundo as últimas notícias respira por aparelhos, o caudilho Hugo Chávez se transformou numa incóginita: não se sabe qual é o seu real estado de saúde, enquanto encurta o tempo para que assuma seu novo mandato no dia 10 de janeiro próximo, segundo prescreve a Constituição.
O segredo em torno do estado de saúde de Chávez tornou-se muito mais rigoroso nos últimos dias, tanto é que há dois dias não há mais nenhum informe oficial ou extra-oficial. As matérias veiculadas pela imprensa venezuelana reproduzem apenas manifestações do vice-presidente Nicolás Maduro, a quem o caudilho "designou" com seu sucessor, caso não reúna mais condições de saúde para governar.
Pela Constituição, Maduro assumiria um mandato tampão e teria de convocar novas eleições dentro de 30 dias, portanto, a partir de fevereiro. Mas extra-oficialmente se sabe que o chavismo tendo à frente o vice Maduro e o presidente da Assembléia Nacional, Diosdado Cabello, estão em busca de uma alternativa que contemplaria inclusive a posse de Chávez em seu leito no hospital Cimeq em Havana. Neste caso já se aventou a possibilidade de transladar o Supremo Tribunal de Justiça para Havana, com a finalidade de viabilizar a posse do caudilho. Empossado, Chávez teria dilatado o prazo de tratamento de saúde e Maduro assumiria interinamente o novo mandato e não precisaria convocar novas eleições presidenciais, já que no próprio ato de posse Chávez já o nomearia vice-presidente.
Esta possibilidade se depreende de matéria veiculada nesta segunda-feira no site do tradicional diário venezuelano El Universal. A reportagem inquiriu Maduro sobre essa alternativa, digamos assim, juridicamente "heterodoxa". Maduro se esquivou: "Não devemos cair em especulações, temos que trabalhar sobre a base de certezas e a certeza é que o Presidente tem uma permissão constitucional" (que lhe deu a Assembléia Nacional), afirmou Maduro.
Seja como for, a verdade é que acentua-se um clima de incerteza e insegurança. A única certeza que se tem é que o chavismo está preparando uma alternativa para que não haja necessidade de convocação de novas eleições, caso Chávez permaneça impossibilitado de governar, ainda que assuma seu novo mandato numa cama de hospital.
Como se sabe, o chavismo mantém o mínimo de democracia representativa. Na verdade já existe uma ditadura na Venezuela. A prova disso é o que está acontecendo agora.
A Oposição venezuelana, a exemplo das oposições nos demais países latino-americanos é apenas decorativa a ponto de nem ser levada em consideração pelo chavismo. Pelo que se vê, a alternativa a ser encontrada por Maduro e Cabello para solucionar essa situação de aparente crise institucional será absorvida, a não ser que houvesse uma cisão nas Forças Armadas, o que é pouco provável.








