Fiz a tradução para facilitar a leitura daqueles que são pouco familiarizados com o espanhol e, sobretudo, com finalidade pedagógica. Sim, desejo ensinar como se faz jornalismo. Aí está a prova do quanto os brasileiros são mal informados pelas matérias veiculadas em jornais e televisões a respeito do que realmente se passa em Honduras. A tal ponto que se tem de recorrer a publicações estrangeiras para ter uma idéia mais precisa dos acontecimentos naquele país. Reafirmo que se os jornais perdem leitores não é por causa da internet, mas principalmente por conta do conteúdo que apresentam, no mais das vezes contaminado pelo delírio da idiotia esquerdista.
Segue primeiro a tradução do artigo de La Vanguardia. Na sequência, o do Estadão. Leiam:
Ainda que não sejam candidatos, Roberto Micheletti já é o vitorioso das eleições hondurenhas deste domingo, enquanto que Hugo Chávez é o principal perdedor. Quando o presidente de facto assumiu o poder no dia 28 de junho após a destituição de Manuel Zelaya, poucos acreditavam que poderia permanecer à frente do governo. Como nunca antes, a comunidade internacional decretou o isolamento político econômico de Honduras, um amplo leque de sanções, que incluiu a expulsão da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Cinco meses depois, Micheletti domina a situação, até o ponto de retirar-se uma semana do comando do Executivo para dar maior credibilidade às eleições. Pelo contrário, Zelaya está isolado, sem margem de manobra. Refugiado na embaixada do Brasil se mostra impotente ao ver como um número significativo de países, entre eles os Estados Unidos, reconhecerá os resultados das votações deste domingo.
A frente de resistência que apoiava Zelaya se desmorona, os manifestantes que pedem a restituição do destituído presidente somam apenas uma centena. Ante a iminência de mudança presidencial, muitos zelayistas se apressam em trocar de camisa. Para o derrotado mandatário foi desmoralizador que Eduardo Maldonado, a estrela midiática Rádio Globo, a emissora que foi fechada por opor-se à destituição, passou-se com armas e bagagens para o lado do candidato do Partido Liberal, Elvin Santos. Quem disparatou através das ondas, chamando de golpistas, assassinos, tiranos, agora apóia o partido do Governo. “Sou um liberal disciplinado”, se defende.
“Peço perdão se ofendi a alguns de vocês quando estava na Resistência”, disse num comício Ada Fúnez, prefeito de Tocoa, quem dirigiu em sua cidade a oposição contra a destituição de Zelaya. Em um ato público, Fúnez se ajoelhou para pedir perdão.
César Ham, candidato de um partido de esquerda, também decidiu participar à última hora nas eleições alegando que assim defenderá melhor a Zelaya. O único que manteve total coerência política, ideológica e pessoal é Carlos H. Reyes, um veterano líder sindical que, fiel os seus princípios, decidiu retirar sua candidatura presidencial porque Zelaya não havia sido restituído no poder. Por sua vez, Chávez é o derrotado das eleições hondurenhas porque perde definitivamente um peão em sua estratégia de implantar o bolivarianismo em todo o Continente latino-americano.
Como um pequeno país, o mais pobre da América continental, tem conseguido resistir à pressão e às sanções das nações mais poderosas?Para responder a esta interrogação há que remontar-se às causas que levaram à destituição de Zelaya: o temor à crescente intromissão do presidente Hugo Chávez em Honduras e o rechaço de todas as instituições, incluindo o Exercito, às manobras de Zelaya para reeleger-se com uma ilegal mudança constitucional.
AntonioTravez, um dos principais empresários do país, declara a “La Vanguardia” que Honduras sofria uma situação insuportável pelo desejo de Zelaya de seguir no poder. “Havia unanimidade em que assim não podíamos seguir. Em Honduras não houve golpe, se atuou dentro da legalidade para destituir um presidente que violava a Constituição. Micheletti tem se posicionado em celebrar eleições limpas”.
Na opinião de Victor Meza, ex-ministro do Interior e homem de confiança de Zelaya, Micheletti se mantém no poder por uma combinação de apoios internos e externos.
“O apoio dos militares tem sido fundamental para que Micheletti siga na presidência. O apoio de empresários e políticos é importante. A nível externo tem lhe ajudado o lobby de grupos republicanos de extrema direita e cubanos de Miami”, assinala Meza. Ao comentar que todas as instituições do Estado estavam contra Zelaya, disse: “Esses poderes estão controlados pelas cúpulas dos partidos”. Segundo Mesa, “a repressão torna difícil medir os apoios que tem Zelaya, estão disseminados e organizados por todo o país”.
Fontes diplomáticas assinalam que quem tem sofrido e resistido o isolamento não é Micheletti, mas o povo hondurenho, vítima das disputas da elite política. “Michetletti resistiu por simbolizar uma frente antizelaysta que se vinha consolidando há meses, ao que se somaram militantes dos dois grandes partidos, as igrejas, a classe média, etc., todo um movimento transversal que captou a sociedade hondurenha, que explicaria a debilidade de Zelaya e a inutilidade de seu regresso a Tegucigalpa”, declarou um diplomata ibero-americano.
Segundo um empresário espanhol, o apoio institucional a Micheletti é sólido e sem fissuras, já que nenhum dirigente mudou de postura desde o ato da destituição. O mesmo sucede com a empresa privada afetada pelas sanções. “Têm preferido perder dinheiro uns meses a ter que suportar durante anos um Zelaya na órbita de Chávez. A proximidade das eleições lhe deu forças para resistir”.
Este industrial comenta que a população hondurenha está dividida. Reconhece que uma porcentagem grande, difícil de quantificar, está contra Zelaya e uma minoria está a favor; a maioria dos hondurenhos vê o ocorrido como um mal menor ou como algo positivo. Tem sido efetiva a campanha que se fez sobre o temor que inspira Chávez. EN ESPAÑOL AQUI
AQUI O TEXTO QUE ESTÁ NO SITE DO ESTADÃO QUE ME REFERI NO PRÓLOGO:
As eleições de hoje em Honduras devem dar início ao desfecho de uma das crises de maior repercussão na América Latina dos últimos anos. Mas isso não é exatamente uma boa notícia. Apesar de o governo de facto e de os candidatos presidenciais se esforçarem para dar ao evento um aspecto de "festa eleitoral", os hondurenhos vão às urnas em um ambiente de medo e repressão. Nas últimas semanas, TVs zelaystas tiveram seus sinais cortados e opositores foram perseguidos e ameaçados.








































