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domingo, abril 19, 2015

POVO E RALÉ

O artigo que segue é do filósofo, escritor e jornalista Olavo de Carvalho. Vale a pena ler pois Olavo consegue sintetizar em poucas linhas a origem dessa espécie de marxismo “bundalelê” que gerou excrescências com o PT e há pouco um tal de “Podemos” na Espanha, que jornal ABC.es esmiuçou em reportagens devastadoras.  
O mais interessante é que Olavo consegue explicar em poucas linhas o efeito deletério da tenebrosa Escola de Frankfurt, a principal matriz dessa esculhambação que se materializou em partidos políticos e conseguiu falir um país do tamanho do Brasil ou levar agora mesmo a Venezuela à completa ruína. 
O que é mais curioso é que Olavo, sem transigir no rigor conceitual, histórico e analítico, consegue produzir um texto sociológico e político utilizando exemplos, conceitos e comparações que podem ser perceptíveis a qualquer leitor. Leiam:
Acima a sede da Escola de Frankfurt. Abaixo Theodor Adorno, Herbert Marcuse e Walter Benjamin, três porras-loucas dessa escola alemã que professores da área de Ciências Humanas das universidades continuam obrigando os alunos a lerem seus livros.
Por Olavo de Carvalho
Transcrito do site Mídia Sem Máscara
Karl Marx podia ter todos os defeitos do mundo, desde a vigarice intelectual até as hemorróidas, mas ele sabia que a palavra “proletário” significa “gente que trabalha” e não qualquer Zé-Mané. Ele combatia o capitalismo porque achava que os ricos enriqueciam tomando o dinheiro dos pobres, o que é talvez a maior extravagância matemática que já passou por um cérebro humano, mas, reconheça-se o mérito, ele nunca confundiu trabalhador com vagabundo, povo com ralé.         
Alguns discípulos bastardos do autor de “O Capital”, uns riquinhos muito frescos e pedantes, fundaram um instituto em Frankfurt com o dinheiro de um milionário argentino e resolveram que valorizar antes o trabalho honesto do que os vícios e o crime era uma deplorável concessão de Marx ao espírito burguês. Usando dos mais requintados instrumentos da dialética, começaram ponderando que o problema não era bem o capitalismo e sim a civilização, e terminaram tirando daí a conclusão lógica de que para destruir a civilização o negócio era dar força aos incivilizados contra os civilizados.      
Os frankfurtianos não apostavam muito no paraíso socialista, mas acreditavam que a História era movida pela força do “negativo” (uma sugestão de Hegel que eles tomaram ao pé da letra), e que portanto o mais belo progresso consiste em destruir, destruir e depois destruir mais um pouco. Tentar ser razoável era apenas “razão instrumental”, artifício ideológico burguês. Séria mesmo, só a “lógica negativa”.        
A destruição era feita em dois planos.         
Intelectualmente, consistia em pegar um a um todos os valores, símbolos, crenças e bens culturais milenares e dar um jeito de provar que no fundo era tudo trapaça e sacanagem, que só a Escola de Frankfurt era honesta precisamente porque só acreditava em porcaria – coisa que seu presidente, Max Horkheimer, ilustrou didaticamente pagando salários de fome aos empregados que o ajudavam a denunciar a exploração burguesa dos pobres. Isso levou o nome hegeliano de “trabalho do negativo”. A premissa subjacente era:        
-- Se alguma coisa sobrar depois que a gente destruir tudo, talvez seja até um pouco boa. Não temos a menor idéia do que será e não temos tempo para pensar em tamanha bobagem. Estamos ocupados fazendo cocô no mundo.        
No plano da atividade militante, tudo o que é bom deveria ser substituído pelo ruim, porque nada no mundo presta e só a ruindade é boa. A norma foi seguida à risca pela indústria de artes e espetáculos. A música não podia ser melodiosa e harmônica, tinha de ser no mínimo dissonante, mas de preferência fazer um barulho dos diabos. No cinema, as cenas românticas foram substituídas pelo sexo explícito. Quando todo mundo enjoou de sexo, vieram doses mastodônticas de sangue, feridas supuradas, pernas arrancadas, olhos furados, deformidades físicas de toda sorte – fruição estética digna de uma platéia high brow. Nos filmes para crianças, os bichinhos foram substituídos por monstrengos disformes, para protegê-las da idéia perigosa de que existem coisas belas e pessoas boas. Na indumentária, mais elegante que uma barba de três dias, só mesmo vestir um smoking com sandálias havaianas -- com as unhas dos pés bem compridas e sujas, é claro. A maquiagem das mulheres deveria sugerir que estavam mortas ou pelo menos com Aids. Quem, na nossa geração, não assistiu a essa radical inversão das aparências? Ela está por toda parte. 

Logo esse princípio estético passou a ser também sociológico. O trabalhador honesto é uma fraude, só bandidos, drogados e doentes mentais têm dignidade. Abaixo o proletariado, viva a ralé. De todos os empreendimentos humanos, os mais dignos de respeito eram o sexo grupal e o consumo de drogas. De Gyorgy Lukacs a Herbert Marcuse, a Escola de Frankfurt ilustrou seus próprios ensinamentos, descendo da mera revolta genérica contra a civilização à bajulação ostensiva da barbárie, da delinqüência e da loucura.           
Vocês podem imaginar o sucesso que essas idéias tiveram no meio universitário. Desde a revelação dos crimes de Stálin, em 1956, o marxismo ortodoxo estava em baixa, era considerado coisa de gente velha e careta. A proposta de jogar às urtigas a disciplina proletária e fazer a revolução por meio da gostosa rendição aos instintos mais baixos, mesmo que para isso fosse preciso a imersão preliminar em algumas páginas indecifráveis de Theodor Adorno e Walter Benjamin, era praticamente irresistível às massas estudantis que assim podiam realizar acoincidentia oppositorum do sofisticado com o animalesco.   Com toda a certeza, a influência da Escola de Frankfurt, a partir dos anos 60 do século passado, foi muito maior sobre a esquerda nacional que a do marxismo-leninismo clássico.         
Sem isso seria impossível entender o fenômeno de um partido governante que, acuado pela revolta de uma população inteira, e não tendo já o apoio senão da ralé lumpenproletária remunerada a pão com mortadela e 35 reais, ainda se fecha obstinadamente na ilusão de ser o heróico porta-voz do povão em luta contra a “elite”.         
Dois anos atrás, já expliquei neste mesmo jornal (v. http://www.olavodecarvalho.org/semana/140209dc.html) que uma falha estrutural de percepção levava a esquerda nacional a confundir sistematicamente o povo com o lumpenproletariado, de tal modo que, favorecendo o banditismo e praticando-o ela própria em doses continentais, ela acreditava estar fazendo o bem às massas trabalhadoras, as quais, em justa retribuição de tamanha ofensa, hoje mostram detestá-la como à peste.           
O Caderno de Teses do V Congresso do PT é um dos documentos mais reveladores que já li sobre o estado subgalináceo a que os ensinamentos de Frankfurt podem reduzir os cérebros humanos.

5 comentários:

Anônimo disse...

Pois é, e o Brasil está mergulhado na imbecilidade .Emergir e afundar estes imbecis bolivarianos é nosso dever, tarefa gigantesca para um povo que mais se assemelha a Davi.

Anônimo disse...

O POVO(partido PT) e os MOVIMENTOS SOCIAIS(membros e milicas do PT), como se expressam para enganarem os outros, contra 200 000 000 de pessoas + exército + policia?
Sabemos que no desespero, perdeu a cabeça, entrou em frenesi, o cara sai fazendo qualquer coisa, caso do acuado PT que agora ou fica no poder ou sai no pau, esse o que mais se parece, com base no documento das manobras do PT na próxima reunião do partido, junho, em Salvador, se não tentar antes outro golpe de surpresa. Mas, quando boa parte do povo está ao lado de um partido, seria o caso do PT, a coisa realmente complicaria, mesmo com auxilio de forças militares a outra parte, já que PT desafiaria os da ativa e reserva, contando com seus milicas, apenas.
Boa oportunidade para o suicídio do PT!
Bem, se quiserem, lancem seus milicas nas ruas X povo + militares e rapidamente os sufocarão.
Pode tratar-se também de muita trovoada, chuva pouca ou nenhuma do PT, que gosta muito de fazer ameças nos outros; no entanto, são é traiçoeiros e covardes, pois o povão cerca de 90% está sentindo agora o que é o PT na carne, ser governado por quadrilha de larápios!
E desistiu de uma vez por todas, para nunca mais, pois é a mentira ambulante, em tempo real os abutres do PT!

Alexandre, The Great disse...

Somente muita pressão popular para o Congresso tomar tal atitude. Não acreditamos na espontaneidade, tampouco no dever cívico de nenhum deles(congressistas).

Veronica Ruzzi disse...

É... esta sistemática destruição dos valores culturais e morais de grande parte da humanidade nestas últimas décadas começou para valer ao meu ver, quando o presidente Ronald Reagan declarou em publico que Rambo era seu herói, daquele momento em diante, eu pensei; xiiii vai haver muitos seguidores, não deu outra, o resto se instalou fácil fácil principalmente na sociedade brasileira que nunca teve uma educação voltada para estimular o cérebro a pensar, e também a constante destruição da criatividade. Particularmente não tive problemas nesta areá, pois supri com literatura, e estimulei a criatividade de meus filhos pois vejo com naturalidade que são os pais os mais interessados em dar uma boa educação, orientação para que eles possam na hora apropriada escolher o seu próprio destino. Não foi fácil, pois minha educação foi na época que criança não tinha permissão de falar a mesa, e um palavrão vinha acompanhado de um bofetão; resultado.....Anos rebeldes, etc etc etc, nada de novidade neste mundo, que sempre se repete. Quanto ao caderno de teses do PT, ele abre um leque de opções de contra ofensivas, passível para que caia em sua própria armadilha no reduto petista baiano. O estado subgalináceo é resultado do mau uso da pinga.

Ferreira Pena disse...

Pois é, pelo que escreveu o grande Olavo, nunca entendi na verdade o que pregava a Escola de Frankfurt. Os tarados do PT, estão dominados e não sabem; o que será a Marilena Chauí na leitura do Olavo?