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domingo, outubro 18, 2015

DESARRANJO DE COMPADRES

Por Patrícia Bueno (*)
Transcrito do site Instituto Liberal
Assinei o pedido registrado em cartório e na Câmara Federal para impeachment da presidente. Em nome do movimento que dirijo e da minha consciência, sobretudo. Tem horas que o melhor é nos aborrecer com outras figuras da política. E a presidência da Câmara Federal, terceira autoridade pública a assumir a presidência da República na falta do vice-presidente, precisa ser trocada. A quantidade de acusações noticiadas pelos vazamentos via imprensa exige o afastamento de quem deveria conduzir a Nação e liderar sem qualquer nódoa o Poder Legislativo. Aqui, transformam o escândalo em razão para a fortalecimento da politicalha.
O Partido dos Trabalhadores, desconfiávamos, desbotou seu vermelho desde sua primeira conquista presidencial. Abraçou o PMDB e a maioria dos partidos que nasceram da lei que transforma bandeiras políticas em balcão de negociatas. A aliança com bases no oportunismo de ocasião representava o selo de governabilidade que o PT sempre buscara. O PT, por favor admitam, desceu à fossa para qual odor sempre apontou um tipo de J´Accuse, matreiro, sabemos hoje.
GOLPE SORRATEIRO
O PT mensalou para manter maioria no Congresso, enquanto o PMDB irrigava, com recursos públicos, os inúmeros currais eleitorais que garantem a eleição de uma das maiores bancadas do Congresso e da qual vários integrantes são citados como beneficiários desta, repito, irrigação irregular de dinheiro nos esquemas investidados a partir de Curitiba.
Mas este tratado de dilapidação de recursos públicos para fins a serem explicados começou a ter maiores problemas. Aliás, como tudo que envolve politiqueira. Ninguém prestou muita atenção, mas a desavença começou quando o PT tentou emplacar decreto que previa a criação de conselhos populares para, dentre outros objetivos vagos, “consolidar a participação social como método de governo”.
Na Ciência Política, sabe-se que a criação de conselhos é estratégia para falsear a representatividade de diversos setores da sociedade. E que tal sistema, a exemplo da Venezuela, pode retirar poder dos representantes eleitos no Executivo e no Legislativo e transferí-lo a membros da sociedade civil, tais como coletivos, movimentos sociais e outros grupos tradicionalmente amigos do PT.
REAÇÃO POPULAR
Os conselhos foram repudiados por parte da sociedade e pelos deputados, mas o PT necessitava “construir hegemonia na sociedade”. Precisava para isso submeter o Congresso, tinha inclusive que dominar o seu até então aliado. As tentativas petistas de diminuição do poder do PMDB foram várias, aventaram a criação de novo partido para atrair parlamentares do PMDB, excluíram o “amigo” de vários ministérios, disputaram o controle do Senado e da Câmara.
A aliança estremeceu. O ensaio do PT falhou, o PMDB conquistou as duas Casas do Congresso e ainda colocou na presidência da Câmara inimigo histórico do PT, Eduardo Cunha.
Poderia ser apenas mais um pequeno desarranjo entre compadres a ser “tradicionalmente” resolvido, mas a desaprovação popular acompanhada por vários pedidos de impeachment colocaram o mandato de Dilma em risco. A fatura dessa vez foi muito alta, pois, caindo Dilma – pelos votos do Congresso -, assume o seu vice – Michel Temer – que é do PMDB. O PT teve de entregar seus principais ministérios ao amigo habitual.
JOGO DE MALDADES
Para fraturar o PMDB, foi-se à caixinha das maldades do mercado de informações, no qual tudo se sabe e se guarda para o melhor momento da venda e troca que é a política. A pressão veio pelas denúncias contra Cunha, apresentadas de maneira célere. Agora, o presidente da Câmara, que autorizaria o início do impeachment de Dilma, também está com seu mandato em risco.
Os dois lutam por sua sobrevivência política, enquanto parte do PMDB quer manter ministérios conquistados, parte quer o controle do Brasil. Novas alianças e ataques são diariamente feitos, mas o que acontecerá dependerá do abraço ou mata-leão que os sempre amigos Dilma e Cunha, PT e PMDB se derem. Este é o Brasil, governado pela ocasião das alianças.
Enquanto isso, um brasileiro morre assassinado a cada onze minutos; aguarda-se até onze horas para ser atendido nos hospitais públicos e umas três nos privados; um quinto das residências deste país tem gente que não trabalha; as vendas caem em todos os setores; e querem aumentar impostos para garantia das benesses de quem está no Poder.
(*) Patrícia Bueno é mestre em Direito político e econômico e diretora-executiva do Movimento Endireita Brasil.

4 comentários:

O Libertário disse...

Os brasileiros recebem o que pedem há séculos. Não tem essa de que o povo foi enganado. O povo (exceção é minoria) não quer honestidade, trabalho duro, dedicação ao aprendizado, seriedade no trato, respeito ao próximo, nada disso. O povo quer é farra, putaria, malandragem, churrasquinho na lage, pesca de anzol em rio ou lagoa poluídos. Não importa; o que importa é não fazer nada e deixar a vida levar. E esses malandros refinados da política sabem disso; é só prestar atenção nos seus discursos.

Anônimo disse...

Análise espetacular.
Bem, ...e o Brasil e o brasileiro? Que se danem!

Cavalaria Ligeira

Data Venia disse...

O decreto nº 8.243, assinado pela presidente Dilma Rousseff no último dia 23 de maio de 2014, é um decreto ditatorial e que está bem na linha de um governo bolivariano. É o que disse ontem ao Diário do Comércio o jurista Ives Gandra Martins.


"Quando eles falam de participação da sociedade, todos nós sabemos que essas comissões serão de grupos articulados, como os movimentos dos Sem Terra e dos Sem Teto que têm mentalidade favorável à Cuba, à Venezuela". Para Gandra, o decreto tenta "alijar o Congresso". "Ele vem alijar o Congresso, e o Congresso faz bem em contestar".


http://folhapolitica.jusbrasil.com.br/noticias/122346891/jurista-ives-gandra-alerta-decreto-8-243-de-dilma-e-ditatorial


http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Decreto/D8243.htm


O MAIOR DEFEITO DO PT NÃO É A DESONESTIDADE! É A VOCAÇÃO PARA O AUTORITARISMO!

José Pereira Santos da Silva disse...

A diretora-executiva do Movimento Endireita Brasil, Patrícia Bueno, que acaba de protocolar um pedido de Impeachment da Presidente Dilma, acha que o Presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, deveria ser retirado da presidência da câmara, devido a acusação de ter recebido propina de cinco milhões de reais. Entretanto, Cunha tem sido o melhor Presidente da Câmara, que já tivemos nos últimos vinte anos. Sob o seu comando, o congresso rejeitou o decreto 8.243, que nos transformaria em uma ditadura venezuelana (comunista). Ele tem imposto incontáveis derrotas ao governo federal. Ao contrário de Cunha, Dilma não deu prejuízo de cinco milhões ao erário público, mas sim 150 bilhões de reais, somente nos últimos 18 meses. O povo brasileiro gostaria de saber quem tem mais capacidade, e também vontade política para derrotar os planos do PT, do que Eduardo Cunha.