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sexta-feira, maio 16, 2008

Líder dos arrozeiros manda ver

Esta entrevista com o líder dos arrozeiros de Roraima que está na Folha de São Paulo desta sexta-feira é emblemática desses tempos de governo lulopetista.

Reparem em que se transformou o cotidiano brasileiro depois que o petismo chegou ao poder. Notem quantas ações em juízo, em especial aquelas procedentes do legislativo até mesmo para conseguir fazer valer o direito da minoria parlamentar.

Esse prefeito de Pacaraima foi preso pela Polícia Federal e solto depois por determinação do Poder Judiciário.

Com o petismo no poder vive-se um clima de permanente intranqüilidade. Ocorrem periodicamente estranhas operações policiais que parecem ser deflagradas com a intenção apenas de gerar escândalo.

Convenhamos. Está tudo muito estranho... pau nos arrozeiros e panos quentes na turma do dossiê...

Enquanto isso, leiam a entrevista com o líder arrozeiro que é prefeito democrata e parece ser razoavelmente preparado (Ah...notem que os jornalistas que escrevem nesses jornalões são todos contra o partido Democratas. Escrevem apenas DEM, Demos ou demistas). E eu me sinto muito à vontade para criticá-los, porque sou jornalista e conheço muito bem como funciona uma redação de jornal e como se comporta a maioria dos jornalistas. Tenho só 38 anos de profissão. Quando esta rapaziada chega, eu já estou voltando...hehehe...

Eis a entrevista:


Personagem principal da polêmica envolvendo a demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima, o líder arrozeiro e prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César Quartiero (DEM), 55, acusou o governo federal e o ministro Tarso Genro (Justiça) de fazerem terrorismo na terra indígena.


Segundo ele, o confronto entre índios e funcionários de sua fazenda, na semana passada, foi "orquestrado". O Ministério da Justiça não quis se manifestar sobre as declarações. Ontem, um dia depois de ser solto pela Justiça, Quartiero visitou deputados no Congresso.

FOLHA - O sr. disse que o confronto na reserva se agravaria se a política do governo fosse mantida. Isso acontecerá mesmo se o STF confirmar a demarcação contínua?


PAULO CÉSAR QUARTIERO - Com certeza, a questão é emblemática. Só 7% de Roraima pode ser utilizada por qualquer atividade econômica. É condenar a população ao aniquilamento.

FOLHA - E a convivência com os índios?


QUARTIERO - Nós defendemos os índios! Quem condena é essa política. Há áreas demarcadas há 20, 30 anos, nenhuma produtiva. Alguns índios sobrevivem com cesta básica. Por que temos que condená-los a viver como antigamente?

FOLHA - E a tradição dos índios?


QUARTIERO - Se você disser que a tradição indígena é viver fodido, então concordo. Se você me disser que o índio, como ser humano, não quer evoluir, então concordo. Está faltando oportunidade. Meu vice-prefeito é índio, há índios advogados.

FOLHA - O vice-prefeito é contrário aos arrozeiros.


QUARTIERO - Ele se vendeu. Era do nosso grupo. Mudou de lado.

FOLHA - Por quê?


QUARTIERO - Ofereceram mais. Infelizmente índios são como políticos, procuram o interesse próprio. Vai lá perguntar se eles querem viver carregando coisas nas costas. Não querem! Querem celular, futuro para os filhos, dentista. Se você quer o contrário, vamos trancá-los em um zoológico e condená-los a viver como na idade da pedra.

FOLHA - E o ataque dos funcionários de sua fazenda aos índios?


QUARTIERO - Foi orquestrado. Aqueles índios foram levados pela Funai, em veículos da missão católica, que tem interesse em retirar os evangélicos da região. Tudo com o apoio da PF. Eles sabiam que se entrassem haveria confronto. Esses feridos foram a pior coisa para nós. Eles buscam um mártir, como Dorothy Stang e Chico Mendes. Empurraram os índios como bucha de canhão para que se transformem em mártires.

FOLHA - O sr. deu ordem para atirar caso alguém entrasse na fazenda?


QUARTIERO - Ninguém tem ordem para isso. Não queremos ferir os índios, que são vítimas. Os verdadeiros culpados estão em gabinetes. O ministro da Justiça esteve lá no dia seguinte. Por que não foi antes, para tentar evitar o conflito? Ele é o responsável. O ministro vê a fogueira e joga gasolina!

FOLHA - Tarso Genro disse que o ataque de arrozeiros aos índios foi um "ato terrorista".


QUARTIERO - Terrorismo, só que de Estado. Ele mandou 500 policiais federais e da Força Nacional para tirar as pessoas na ponta do fuzil. Quem está fazendo terrorismo é o governo, através do ministro da Justiça.

FOLHA - O que o sr. achou da saída de Marina Silva?


QUARTIERO - Ela criou um retrocesso. Já vai tarde.

Um comentário:

Anônimo disse...

Olha só, mais um mártir, esse prefeito dos Dem. O Fausto Wolff identificou mais um mártir, revelado hoje no JB: Arranjei mais um político usineiro para seu Silva citar como mártir. Trata-se do deputado Milton Barreto, de Paissandu, perto de Recife. Ao contrário de muitos colegas, ele faz questão de pagar R$ 40 mensais para crianças de 10 a 56 anos que trabalham na sua fazenda cortando cana. Ele reconhece que as condições de higiene não são das melhores e que nem a alimentação é farta, mas que está pensando no assunto, ao contrário de colegas que nem pagam salário. É isso aí, pra frente Brasil.