Este post é longo. Mas recomendo a leitura até o final.
Enquanto aqui no lixo ocidental um bando de botocudos do MST destrói um laboratório voltado ao estudo da cana-de-açucar, nos Estados Unidos – onde poderia ser? – houve na semana passada (e aqui já estamos mais uma vez atrasados) o World Science Festival, em Nova York.
Enquanto aqui no lixo ocidental um bando de botocudos do MST destrói um laboratório voltado ao estudo da cana-de-açucar, nos Estados Unidos – onde poderia ser? – houve na semana passada (e aqui já estamos mais uma vez atrasados) o World Science Festival, em Nova York.
Acabei de encontrar no site G1 uma excelente matéria, traduzida do New York Times, porque os jornais daqui do Brasil e seus jornalistas amestrados estavam tratando de Lula e seus sequazes e dos escândalos e roubalheiras que se tornaram crônicas neste país vagabundo.
A matéria reporta as previsões futuristas de Ray Kurzweil apresentadas no Festival Mundial de Ciência.
Para quem não sabe, Kurzweil (foto) é um inventor e futurista. Foi pioneiro no campo do reconhecimento ótico de caracteres (OCR), síntese texto para voz, tecnologia de reconhecimento da voz e autor de vários livros sobre saúde, inteligência artificial, trans-humanismo e tecnologia da Singularidade. 
Ele faz suas previsões usando o que chama de Lei de Retornos Acelerados, um conceito que ele exemplificou no festival com uma história sobre seus inventos para os cegos. Em 1976, projetou um aparelho que podia digitalizar livros e lê-los em voz alta, do tamanho de uma máquina de lavar.

Ele faz suas previsões usando o que chama de Lei de Retornos Acelerados, um conceito que ele exemplificou no festival com uma história sobre seus inventos para os cegos. Em 1976, projetou um aparelho que podia digitalizar livros e lê-los em voz alta, do tamanho de uma máquina de lavar.
Duas décadas depois, previu que “no começo do século 21” pessoas cegas seriam capazes de ler qualquer coisa em qualquer lugar usando um dispositivo portátil.
Em 2002, delimitou a data do invento para 2008. Na noite de terça-feira do festival, apareceu com uma nova engenhoca do tamanho de um celular e, quando a apontou para o folheto do festival, o aparelho leu o texto em voz alta sem problemas.
Essa invenção, disse Kurzweil, não foi mais difícil de antecipar do que as previsões que ele fez no final dos anos 1980, como o crescimento explosivo da Internet nos anos de 1990 e um computador sendo campeão de xadrez em 1998 – ele errou por um ano, pois a vitória no xadrez do Deep Blue veio em 1997.
“Certos aspectos da tecnologia seguem trajetórias incrivelmente previsíveis”, disse Kurzweil, mostrando um gráfico sobre o potencial da computação começando com as primeiras máquinas eletromecânicas há mais de um século.
Antes, o potencial das máquinas dobrava a cada três anos; no meio do século, passou a dobrar a cada dois anos (essa razão inspirou a lei de Moore); hoje, leva somente cerca de um ano.
Kurzweil tem outro gráfico que mostra um século de crescimento exponencial em relação ao número de patentes emitidas, à expansão dos telefones, aos investimentos em educação. Um gráfico sobre mudanças tecnológicas volta milhões de ano no tempo, começando com ferramentas de pedra e acelerando através do desenvolvimento da agricultura, da escrita, da Revolução Industrial e dos computadores.
Hoje, observa a biologia, medicina, energia e outros campos a serem revolucionados pela tecnologia da informação. Seus gráficos já mostram o começo de um progresso exponencial em nanotecnologia, na facilidade do seqüenciamento genético, na análise de imagens do cérebro.
Com essas novas ferramentas, diz Kurzweil, até os anos 2020s vamos acoplar computadores aos nossos cérebros e construir máquinas tão inteligentes quanto nós mesmos.
Vocês poderão ler mais clicando AQUI.
Mas o objetivo fundamental deste post é mostrar a dura realidade que desenha o tamanho do abismo que separa o Brasil e seus congêneres do mundo desenvolvido. E anotem. Trata-se de um abismo impossível, lamentavelmente, de ser vencido.
Gostaria de poder conversar com Kurzweil para lhe colocar a minha hipótese segundo a qual o nível de capacidade de inteligência não é igual entre os vários grupos de seres humanos.
Vou mais além. Por alguma razão no processo da evolução temos algumas partes do planeta habitadas por uma maioria botocuda; em outras, por seres mais inteligentes e operativos, os quais deram a conformação para a civilização ocidental, cuja prosperidade decorre da capacidade desses grupos de saber lidar com o conhecimento, abstraindo-o da ideologia.
Quem agora opera um computador pode não saber que essas máquinas começaram a ser criadas antes mesmo da segunda grande guerra, embora o seu começo mesmo esteja lá na velha Grécia dos filósofos que deram os primeiros passos no rumo da ciência moderna que se impôs e se consolidou pelo movimento conhecido como Iluminismo.
O conceito de cibernética, que abriu o vasto campo de pesquisa na área dos computadores, foi desenvolvido por Norbert Wiener, um lógico e matemático norte-americano e, por que não, um filósofo avant la lettre, que trabalhou no MIT.
O então novo conceito originou o seu mais famoso livro: Cibernética e sociedade – o uso humano dos seres humanos. Tenho a tradução pela Cultrix, que é a versão destinada aos leigos. Há outra dirigida apenas aos matemáticos.
Esta obra foi publicada nos Estados Unidos em 1950, mas aportou por aqui só pelos anos 70 e foi impiedosamente patrulhada pela idiotia marxista, como é até hoje. Nenhum desses sabichões que enganam os alunos nas universidades brasileiras leram esse livro. Entram num cyber café, sem saber o que significa a palavra cibernética que dá o nome a esses lugares.
Explico por que me reporto a Wiener. É para fazer notar o quanto o Brasil está atrasado no plano da ciência e da tecnologia.
As previsões e as invenções de Ray Kurzweil que causaram arrebatamento e espanto nessa feira de Nova York, de certa forma atualizam a previsões de Norbert Wiener (foto abaixo) feitas nas décadas dos 40 e dos 50! E lá se vão mais de meio século.
DEUS, GOLEM & CIA.
Há um pequeno grande livro de Wiener, cujo título é Deus, Golem & Cia. (também da Cultrix, em tradução), que é um poderoso libelo contra todas as idiotices, preconceitos e ignorância decorrentes da visão obtusa da religião e sua defesa do criacionismo.
Na lenda judaica, golem é um Adão embrionário, informe e ainda não completamente criado, vale dizer, um monstro, um antômato. Este livro de Wiener discute essa possibilidade da auto-r
eprodução de máquinas inteligentes. Wiener intui já naquela época muito do que existe agora.
eprodução de máquinas inteligentes. Wiener intui já naquela época muito do que existe agora. Vou reproduzir aqui um trecho deste livro, Deus, Golem & Cia., publicado em 1963 nos EUA! Lá se vão quase meio século! Vejam o que diz Wiener:
“Não há procedência em afirmar categoricamente que os processos de reprodução, em seres vivos e em máquinas, nada têm em comum.
Afirmações desse gênero parecem, muito freqüentemente, aos espíritos cautelosos e conservadores, menos arriscadas do que afirmações que tendem a salientar a existência de analogias.
Não obstante, se é perigoso proclamar a existência de analogias, sem dispor, para tanto, de evidência adequada, é igualmente perigoso rejeitar uma analogia sem dispor de prova de que ela não tem qualquer fundamento.
Honestidade intelectual não significa temor de correr riscos de ordem intelectual. Além disso, não há nenhum mérito ético no deixar de considerar aquilo que é novo e emocionalmente perturbador.
A idéia de que a suposta criação divina de homens e animais, a procriação de seres vivos e a possível reprodução de máquinas sejam partes de uma só ordem de fenômeno é, de fato perturbadora – tal como foi perturbadora a especulação de Darwin a propósito da evolução e da origem do homem. Se pareceu ofensiva ao nosso orgulho a comparação do homem com o macaco, nós já a superamos. Comparar o homem á máquina parece ainda mais ofensivo.
Cada idéia, em sua época, está associada à repulsa que esteve associada, no passado, ao pecado da feitiçaria.”
Por isso que quando alguém fala em desenvolvimento tecnológico no Brasil e no restante da América Latina, na China e em outros lixos similares, quase morro de tanto rir. Os centros tecnológicos daqui, essas tais incubadoras – a maioria picaretagem – talvez consigam produzir muito bem máquinas de moer cana. No mais copiam o que inventam primeiro os anglo-saxões.
Sorry, tecnólogos botocudos. Perdoem-me se sou assim cáustico.
Entretanto não costumo delirar. Muito menos mentir ou tentar me auto-enganar. Creio ser necessária essa crítica, mormente quando vivemos um interregno da vida brasileira submetida a todo tipo de cretinice, dentre as quais a destruição do mérito acadêmico por cotas raciais e o desprezo dos ditos "intelectuais" pelo estudo da matemática, da física, enfim, das ciências exatas, ou seja da ciência propriamente dita. O resto é perfurmaria.
Pena que não estarei mais aqui para ver o quanto muitos (ou talvez poucos) hão de lamentar o tempo perdido.
(Ilustração do The New York Times, via G1 e as fotos dos cientistas são da Wikipedia).

6 comentários:
Acho que o título do post foi o mais perturbador de tudo...porque eu ouço o tempo todo o que "se fala no Brasil"...só banalidades, só cretinices, do porteiro do prédio ao William Bonner...um povo maciçamente ignorante e orgulhoso, o que é pior.
Kurzweil é austríaco.
E você Aluízio, domina qual área da ciência? A "ciência" jornalismo??? A ciência do ctrl+c ctrl+v? A Alemanha estava na frente de todo esse lixo americano quando foi cruelmente destruída pelos selvagens aliados, que depois, tendo em mãos seus projetos e estudos, conseguiram se desenvolver. VIVA A ALEMANHA. VIDA LONGA A RAÇA ARIANA.
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Porque você reconhece a superioridade do outro, não quer dizer que você seja superior mas inteligente o suficiente para ver o obvio, o que já é uma grande vantagem perante os cegos.
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O que eu não daria, se tivesse grana, pra ver você num desses cursos de "capacitação" de professores, promovidos pela Secretaria de Educação...
Do tipo que foi feito no Beto Carrero.Com 1500 diretores bagaças,escolhidos entre os mais idiotas e incompetentes,e que passam dia e noite, junto com as "merdagogas" das Gereis,a fazer assédio moral contra os professores que não aceitam a tal avaliação inclusiva,dando notas até para quem nem vem à escola,nivelando por baixo porque a maioria dos alunos está atrasada mais de 3 séries,chegando ao ´ginásio'sem saber ler e escrever o próprio nome...Só sabem flar, gritar, gunchar, andar em bandos dentro das salas, como se não houve ali professor,apenas um palhaço de babá, cuidando deles enqto brincam e fazem m...Verdadeiro test drive de Febens.
Num desses encontros de capacitação,em maio,a inútil pedagoga que estava palestrando se saiu com pérolas do tipo" já está mais do que provado pela ciência,os cientistas já comprovaram, que TODAS as crianças aprendem, não existe dificuldade de aprendizagem,não existem deficiências."
Ela deve ignorar autismo, dislexia,hiperatividade e déficit de atenção e por aí vai; sem falar do desinteresse puro e simples pelas atividades intelectuais,dos ambientes pocotizantes, da mania de só querer ser jogador de futebol, modelo(!!)...
Chegam a dizer, nos encontros, que escola não deve preparar aluno nem para o Saeb, nem para o Enem ou vestibulares e concursos para empregos; a função da escola não é ensinar, mas formar cidadania...
Se um dia quiser ter um AVC fulminante, caro jornalista,se faça passar por professor de qualquer coisa numa escola pública e, de quebra,participe dos cursos da Secretaria da Educação.Vai confirmar sua tese, se me entende...
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Lia
Lia: imagino esses encontros de "educação" como grandes festivais de idiotice. Acredito no que você está narrando. Seu comentário é uma excelente contribuição para esse debate que é muito importante.
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