A Justiça Federal paulista decide, nesta segunda-feira (25/5), se aceita a denúncia contra o delegado Protógenes Queiroz. O policial federal, hoje afastado de suas funções, é acusado, com provas a granel, de ter infringido as regras básicas da investigação policial.
Mas é possível que o delegado tenha contado com um coadjuvante de peso no capítulo da cruzada para tirar de circulação o banqueiro Daniel Dantas. Um novo nome surgiu quando se foi verificar com quem Protógenes trocou telefonemas durante os preparativos da operação que ele batizou como “Satiagraha”: o empresário Luís Roberto Demarco.
O empresário tornou-se conhecido como idealizador das “lojinhas virtuais” do PT, um esquema de arrecadação partidária à prova de auditorias e que alavancou a vitória de Lula em 2002. Mas seu talento vai além disso. Na sua disputa com o bilionário Daniel Dantas, ele fez funcionar em seu favor as engrenagens do Ministério Público, da Câmara dos Deputados, do PT, de setores do Palácio do Planalto e da imprensa.
A descoberta de que os telefones de Demarco e Protógenes são íntimos, junto com os indícios de que o empresário usava também o telefone da empresa do blogueiro Paulo Henrique Amorim para sua comunicação com o delegado, associa-se a outro registro peculiar.
Já em 2004, quando o delegado que perseguia Dantas era outro, na operação apelidada “Chacal”, o empresário agia com desenvoltura. Ele deu conselhos ao delegado Elzio Vicente da Silva sobre como conduzir a investigação e recomendou os crimes para enquadrar Dantas como “formação de quadrilha, concorrência desleal, ameaça, tentativa de sequestro, corrupção ativa e passiva, difamação, injúria, calúnia, etc.”.
Os documentos que apontam para Demarco como o sujeito oculto de ações do poder público acabaram de chegar da Itália. São contundentes. Mais de 470 mil páginas produzidas pela Procuradoria de Milão. Referem-se à investigação sobre o destino dos pagamentos feitos no Brasil para expandir o mercado da Telecom Italia, sem a contrapartida esperada. Dantas era o principal adversário dos italianos. Demarco foi contratado para “serviços de inteligência” e tráfico de influência, conforme se lê no longo inquérito a respeito. (Leia a reportagem completa de Cláudio Júlio Tognolli clicando AQUI)
terça-feira, maio 26, 2009
PROTÓGENES, DEMARCO E A CONEXÃO ITÁLIA
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