Para contrabalançar com o Kennedy Petralha de Alencar, a Folha Online publicou nesta segunda-feira um ótimo artigo de Sérgio Malbergier que é editor da área econômica. Seria interessante que a Folha o transferisse para a editoria de política, atualmente um feudo do petralhismo profissional.
Eis o artigo de Malbergier intitulado A última tentação de Lula:
No imaturo sistema político brasileiro, tudo sempre pode piorar. E piora.
Por isso é de arrepiar a revelação de Fábio Zanini, na Folha de domingo, que projeto legalizando uma segunda reeleição de Lula (e governadores e prefeitos!) via plebiscito já reuniu as 171 assinaturas necessárias para protocolar emenda constitucional.
O verniz de legalidade desse casuísmo obscurantista reduz o Brasil a uma Venezuela chavista, emulando a linha bolivariana de levar a voto popular reformas constitucionais que concentram poder no presidente em momentos de alta popularidade do mandatário:
"Não há razão lógica para se proibir um terceiro mandato sucessivo, mesmo porque, a rigor, cabe ao eleitorado decidir sobre a continuidade ou a descontinuidade da gestão posta ao crivo das urnas", disse o autor do projeto, o deputado Jackson Barreto (PMDB-SE).
O sergipano que pode mudar a história do país é um político típico do partido típico do sistema político brasileiro, com passagens por MDB, PMDB, PSB, PDT, PMDB de novo, PMN, PTB e PMDB de novo de novo. Notem que, para ele, o fato de a Constituição proibir a segunda reeleição não é "razão lógica" para proibi-la.
As dúvidas sobre a candidatura Dilma e a falta de alternativas viáveis à ministra empurram a tal base aliada a um desastroso queremismo lulista.
A aprovação do terceiro mandato seria um retrocesso de custo altíssimo ao país, um golpe mortal no alicerce fundamental do avanço recente do Brasil: nossa estabilidade político-econômica.
Num país gigante pela própria natureza, bastaram 15 anos dessa dupla estabilidade para atingirmos nosso melhor momento histórico.
Oito anos de Fernando Henrique Cardoso seguidos de oito anos de Lula já seria boa marca histórica só pela alternância ordeira no poder de diferentes grupos políticos, o que é a essência da democracia, mais importante até que o simples ato de votar.
FHC e Lula foram ainda o melhor que esses grupos tinham a apresentar nos seus momentos de ascensão e representavam os dois partidos com os projetos de poder mais consistentes.
O eleitor brasileiro foi inteligente ao elegê-los, e avançamos.
Mas, como não quiseram se unir, PSDB e PT abraçaram a massa fisiológica que desde sempre é a maior bancada do Congresso, formando alianças que jogaram todos os partidos na vala comum da corrupção e do patrimonialismo, consolidando um vale tudo imoral e ilimitado como novamente provam os novos episódios da série escândalos do Congresso.
A inteligência e os instintos afiados de Lula já o fizeram rechaçar várias tentações de destruição em massa ao longo de seus dois mandatos, mas nem todas.
Agora, no fim de sua era, Lula vê o PSDB forjar uma forte chapa "puro sangue" (com Serra e Aécio ressuscitando a política do café com leite no século 21), enquanto sua candidata se enfraquece por questões imponderáveis sem que existam boas alternativas no PT.
A última tentação de Lula, o terceiro mandato, pode ser a mais forte e é certamente a mais perigosa.
O Brasil não pode retroceder na democracia. Lula precisa, mais do que nunca, resistir.
terça-feira, maio 19, 2009
A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE LULA
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Assinar:
Postar comentários (Atom)

4 comentários:
Aluizio,
Muito boa a sua avaliação da conjuntura. A Dilma, portadora de Linfoma não Hodgkin, de prognóstico reservado e por ser uma doença maligna sistêmica, seria um temeridade para seu esquema de poder. Veja a resposta à quimioterapia, com repercussões para as defesas, para imunologia e até para seu estado emocional. Provavelmente terá queda de cabeços e possíveis infecções repetidas, sob efeitos dessa quimioterapia. Lula com certeza tentará um referendo e reforma constitucional prorrogando todos mandatos, teremos uma Venezuela no Brasil. E nós cidadãos livres e trabalhadores o que faremos? Eu, estou pronto e estarei integrado ao contra-golpe, com 61 anos, embora gostaria de viver, mas já vivi demais. Deus salve o Brasil!!!!
Amorim:
Justamente o que o nosso querido Brasil não precisa e até nem merece, são políticos deste "qui+late", ou seja, que abanam suas fétidas caudas para qualquer partido - desde que - lhes caiam alguma coisa da mesa, como um osso, um naco de cebo, um garrão com bernes ou outra coisa mais fedorenta e repugnante...
Que a Santa Vergonha, estenda suas asas sobre as cabecinhas de "osso pra sopa", destes bandoleiros sem marca...
Sds
NeJair
Sem trégua, ferro neLLes
Quer queira quer não queira, Lula é um grande estadista.
Seja de esquerda ou de direita, se o Brasil tivesse sido governado por pessoas com liderança desde os tempos da problamação da república a história seria outra.
Mas isso não aconteceu. A história mostra que um monte de socós completamente despreparados e manipulados governaram o país levando-o a bancarrota.
Ainda bem que tivemos a sorte de ter Fernando Collor, Fernando Henrique e Lula como presidentes que tiraram o país do abismo da moratória e também jogaram fora o pênico que o Brasil usava para pedir esmolas ao FMI.
Eu ia comentar aqui, mas o cheiro está insuportável...
Alô, Aluízio! tem um Bom-Ar aí?
Postar um comentário