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terça-feira, junho 22, 2010

ARTIGO: O tosco e sua cópia

Por Nilson Borges Filho (*)

Quando o hoje treinador Dunga maltratava a bola, jogando o que ele acreditava ser futebol, a imagem que vinha à minha cabeça era a daquele burocrata que sai pela manhã, despede-se da mulher e filhos e dirige-se ao seu local de emprego, para cumprir mais um dia de trabalho.
Quando Dunga entrava em campo era como se estivesse batendo o ponto e durante os noventa minutos de jogo dava a impressão de que estava ali carimbando papéis, nunca se divertindo. Dunga não saía de casa para treinar ou jogar futebol, mas para dar expediente.


O presidente Lula acertou em cheio quando comparou os convocados do treinador da seleção a diversos dungas. Nada mais parecido com o seu ministério: cheio de cabeças de bagre. Observem: Josué, Felipe Melo, Elano, Gilberto Silva, Kleberson e Júlio Batista formam aquela posição que segundo os comentaristas “dá qualidade à saída da bola”. Kaká – sabe-se lá o porquê – foi convocado para fazer parte desse meio-campo. Talvez - pelo fato de ser o mais letrado –para ficar encarregado de elaborar o relatório final do jogo.

O Brasil, anualmente, produz muitos craques da bola. Jovens talentos que encantam com seus dribles e gols de encher os olhos do torcedor mais exigente. Neymar, Ganso e Hernanes cometem o pecado de gostar de brincar com a bola, pedalar, driblar, lançar e fazer gols. Sempre com muita categoria. Infelizmente, para aqueles que apreciam o bom futebol, esses craques não gostam de dar expediente e despachar processos. Detestam carimbar papéis e vez ou outra faltam ao expediente. Mas para o chefete da repartição, isso não é coisa que se faça.

Para ele, o funcionário, digo, o jogador tem que estar focado no trabalho e comprometido com as metas. O time brasileiro, no jogo de estréia, enfrentou a “poderosíssima” seleção da Coréia do Norte e seus jogadores de “qualidade” incontestável, como, por exemplo, os cracaços Ji Yun Nam, Ri Jun II e Cha Jong. A sonolência de um Gilberto Silva tocando a bola sempre para as laterais e de um Luís Fabiano batendo mais nos calcanhares dos coreanos do que na jabulani, foram a tônica dos selecionados de Dunga.

Agora, só não entendo qual teria sido a finalidade dos treinos secretos? Imaginei que fosse para despistar o serviço de inteligência de Kim Dong Il, o ditador da Coréia do Norte, aquele nanico de cabelo espetado que veste modelitos fashion. Mas o treinador brasileiro tem estrela. Além disso, o imponderável aconteceu: Gilberto Silva estava irreconhecível e fez três belos lançamentos no segundo jogo.

Já Luiz Fabiano acertou um chute e uma mão no gol da Costa do Marfim. Dunga como jogador dava caneladas nos adversários. Como técnico dá carrinho por trás na boa educação. Dunga é tosco, um ressentido. Falando consegue ser mais feio do que quando jogava. Mesmo quando ganha, Dunga age como perdedor. Mutatis mutandis, Dunga é a Dilma de chuteiras: é cafona, dá canelada nos adversários, reclama do juiz (ou do Tribunal), agride jornalistas, atropela a gramática e não respeita as regras do jogo.

(*) Nilson Borges Filho é doutor em direito, professor e articulista colaborador deste blog

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2 comentários:

Alexandre, The Great disse...

Uma bela "metáfora futebolística", tão em voga nesses "anos de carvão", bem humorada e completamente diferente daquelas de mau gosto e mal formuladas pelo apedeuta.
Fina ironia e bom humor.

Anônimo disse...

Belo doutor em direito meu velho amigo Nilson que desmerece alguns bons jogadores brasileiros que jogam há muito tempo ao lado dos melhores, enquanto que elogia outros que aqui ficaram porque segue a "Maria". todo mundo tem uma opinião sobre o futebol, outros seguem a "Maria" que adora exlcuvidade e acredita que é mais importante do que o Brasil e a seleção. Os sem memória que esqueceram que Romário da audiência e criticaram o Felipão, como fizeram com Dunga sobre Ronaldinho Gaúcho ou como aqueles entendiso que nos primeiros 4 a 0 da Alemanha já a escolheram como a melhor e hoje destacam o futebol sulamericano que joga na Europa.
abs
Paulo Brito