Ao que parece a indicação do candidato a vice na chapa de José Serra continua aberta. À aliança oposicionista integrada pelo PSDB, DEM, PPS E PTB não existe problema de nome adequado para a postulação do cargo. Na verdade há vários nomes que podem muito bem compor uma profícua dobradinha com José Serra. Sem dúvida que o senador Álvaro Dias é uma opção legítima, entretanto o Democratas que é a segunda legenda mais forte a integrar a aliança colocou desde o início que somaria forças com o PSDB e os demais partidos desde que participasse oferecendo um nome do Partido, à escolha do candidato José Serra.
No meio da tarde desta sexta-feira, depois que o presidente do PTB, Roberto Jefferson revelou o nome de Alvaro Dias numa rápida tuítada em seu perfil no Twitter, surgiu um verdadeiro alvoroço nos meios políticos, mostrando que o nome do Senador paranaense tem capilaridade nacional. E isto não é nenhum exagero. Político hábil e traquejado, Dias foi logo afirmando que aceitava indicação, mas que se submeteria à deliberação dos demais partidos da aliança. Pouco antes de começar a escrever estas linhas li em algum portal da grande imprensa que a indicação do vice na chapa de Serra voltou ficar em aberto. As lideranças partidárias já acordaram nesse sentido. Coube o Deputado Ronaldo Caiado fazer uma crítica dura, bem como ao presidente do Democratas, Rodrigo Maia. Este último já suavizou suas assertivas de forma a reabrir o diálogo com base numa análise política mais racional.
Entretanto, cabe assinalar que as ponderações mais objetivas e comedidas partiram do ex-senador Jorge Bornhausen, segundo matéria veiculada pelo portal da Folha.com. Bornhausen é um político que não costuma jogar conversa fora, ainda mais quando se trata de decisão como essa. É conhecido pela sua objetividade. Tanto é que sem muitas delongas lembrou que os pontos dados na costura da aliança oposicionista incluíram desde o início a disposição do Democratas de apoiar uma chapa dita puro-sangue do PSDB desde que Aécio Neves fosse o candidato a vice. Sem a participação do mineiro na chapa majoritária o Democratas ofereceria um nome do partido. De fato foi isso que aconteceu e, na época, o noticiário político destacou isso. É de se notar pelo que foi veiculado que Bornhausen não colocou uma pedra em cima de tudo, mas observou que seria difícil conter as bases do DEM, como de fato se viu pouco depois nas severas admoestações formuladas por Caiado e Maia.
A indicação do senador Álvaro Dias para compor como vice fundamenta-se num fato que vai além de suas inegáveis qualidades para a postulação do cargo, ou seja, na consecução de uma fórmula que faria retroagir uma eventual aliança de seu irmão, Osmar Dias, com o petralhismo paranaense em favor de Dilma Rousseff. Nas minhas contas, tal estratagema levado adiante por Osmar Dias pode lhe custar o futuro político, mormente pela forma titubeante com a qual tem agido e que já começa a ganhar contornos folclóricos. Osmar é uma liderança política respeitável que não pode se submeter a esse desgaste, haja vista para o fato de que tudo indica que Beto Richa, há muito tempo, é o nome apoiado pela maioria dos paranaenses ao governo do Estado.
Dadas essas condicionantes é bem possível que a aliança oposicionista, trabalhando com a necessária racionalidade e objetividade eleitoral, chegue a um consenso neste final de semana. De repente um nome do Nordeste acabe sendo significativo, já que a situação lulística concorre com uma chapa totalmente sulista. Dilma nasceu em Minas Gerais, mas depois que largou a deletéria tarefa de engraxar fuzil de terrorista, fez sua vida profissional no Rio Grande do Sul. Fala muito mais tchê e bah!, do que uai! Está muito mais para o churrasco do que para o tutu à mineira. Já seu vice na chapa é Michel Temer, de São Paulo. Feitas as contas, Lula formulou um esquema eminentemente sulista, embora destrate e despreze a Região Sul e minta para os nordestinos, como convém a todos os demagogos.
Há portanto um largo espaço de manobra para a oposição. Privilegiar a região nordestina sempre tão castigada pelo abandono pode ficar de ótimo tamanho ao fazer-se emergir de lá o vice de José Serra. E não faltam nomes de boa estirpe para acompanhar o tucano nessa jornada. Do lado oposicionista há quadros importantes em todos os partidos da aliança e em todas as regiões do Brasil.
Os oposicionistas neste momento devem concentrar-se nessa engenharia eleitoral capaz de capitalizar e unificar os partidos que a integram. Até porque José Serra continua sendo um candidato fortíssimo e tem tudo para vencer esta eleição. Não fosse Serra o nome mais viável para comandar o Brasil nos próximos anos a movimentação política gerada pelo anúncio de possível nome para candidato à vice-presidente não teria o barulho que teve.
E, finalmente, os técnicos do PSDB devem analisar de forma detida os números da última pesquisa e das próximas que serão divulgadas. Os números são estatísticas que contêm margem de erro plausível, como esta do Ibope. Acresce a este fato uma pergunta que segue no ar: por que Montenegro, o oráculo botocudo da política, decidiu lançar os números de forma atabalhoada em cima do prazo fatal das convenções partidárias? E quem é o contratante da pesquisa? Ora, a Conferação Nacional da Indústria (CNI), cujo presidente compõe a base aliada do lulismo. Lembrem-se que a Presidência Nacional do Serviço Social da Indústria (SESI), que integra o Sistema CNI, está hoje entregue a um agitador sindicalista manipulado por Lula! O SESI é uma organização que aufere recursos financeiros em volume apreciável arrecadados das indústrias.
Alinho aqui algumas considerações que devem ser levadas em conta pelos partidos que compõem a aliança oposicionista. Pesa sobre suas lideranças uma responsabilidade histórica que é a garantia do Estado de Direito Democrático. Esta eleição, como já afirmei aqui no blog, deverá formatar o Brasil para os próximos anos deste século no que tange às suas instituições e aos Poderes da República.
Neste momento de campanha eleitoral até Dilma diz que é contra MST e invasão da propriedade privada. Os bate-paus do MST e da CUT se aquietaram. Os arquitetos do PNDH, o famigerado plano de viés esquerdista que prevê até mesmo a censura à imprensa, também se recolheram. Dilma, feito uma boneca de pano, exibe sua protuberância dentária num sorriso tétrico, mas num sorriso. Entretanto, na penumbra dos bastidores dessa encenação movem-se os assassinos da democracia, aqueles para quem Dilma zelosamente engraxava os fuzis com óleo de mocotó.
Para os cidadãos brasileiros conscientes e preocupados com a sorte da Nação a única esperança que resta para salvar a democracia e a liberdade é a vitória da aliança oposicionista. Só ela vitoriosa dará a necessária tranquilidade para pensar o Brasil no médio e longo prazo. Tem razão o slogan de Serra: o Brasil pode mais. Pode sim. Mas dependerá de que neste momento os interesses particulares e imediatistas se submetam a um interesse geral e maior que é a garantia do processo democrático afastando mais uma vez e defintivamente o fantasma do totalitarismo esquerdista.
Lembrem-se: o vértice desta eleição é a sobrevivência da democracia.
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sexta-feira, junho 25, 2010
OPOSIÇÃO TEM DE USAR TODA A RACIONALIDADE POSSÍVEL NESTE MOMENTO. DEMOCRACIA É MAIS IMPORTANTE.
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8 comentários:
Aluízio,
Concordo com você na íntegra.
Na verdade os democratas são ou não democratas?
A Democracia é sempre a inspiração e a meta para um homem que se diz democrata.
A democracia do Poder Brasileiro estará sempre acima de interesses particulares de quem quer que seja.
Ou esses políticos do Brasil não sabem nada do Foro de São Paulo, não observam as andanças do Lula fazendo conchavos e alianças com ditadores e tiranos não só da América Latina, mas pelo mundo afora?
O cidadão brasileiro, consciente dos seus deveres para com o país, para com sua liberdade, a livre iniciativa, o direito de propriedade. etc, está sòzinho e no mato sem cachorro?
Eles não observaram ainda que Lula, Dilma et Caterva Petralha continuam mentindo para os eleitores dependentes das bolsas-voto e que estão armando contra o futuro do Brasil?
Não esqueçamos que um ditadura instalada, todos perdem. Ganham sòmente o ditador e seus puxa-sacos. A nação sem saída, busca a violência como solução e cujo resultado será sempre imprevisível.
Os políticos devem pensar no Brasil, antes que o Lula faça outras m..... com tais objetivos.
Att. Madeiro
Os DEM (Ex-PFL, ex-PDC, ex-PDS, ex-Arena) não aceitam Álvaro Dias, portanto, a novela continua.
Creio que agora é comprar uma vela de sete dias, uma galinha preta e um litro de cachaça e partir para um ritual de macumba para fazer aparecer o vice de Serra!!!
Aluizio
é inegável que o Serra representa a alternância de poder e sua eleição é realmente fonte de oxigenação de nossa Democracia que está por um fio.
Muito bom seu artigo e se voce permitir estarei postando em meu Blog.
Um abraço e bom final de semana
Airton.
Sonha, Marcelino...
Prezado Senhor,
Pode ser nada mais nada menos do que meu desejo, mas procurando ser absolutamente racional, a resposta adequada e oportuna ao imbróglio tem endereço em Mina Gerais: Aécio Neves. Em nome dele, o DEM abriria mão de indicar ou ver indicado alguém dos seus quadros à chapa presidencial da coligação PSDB-DEM-PPS-PTB. Por certo, se a coligação lograsse êxito em sua postulação, o ex-governador de Minas Gerais não exerceria o cargo de vice-presidente da República com o estilo de Marco Maciel. Até as pedras de Ouro Preto sabem de sua vontade de exercer a 1ª magistratura do País. Logo, caso se queira atraí-lo, há de se lhe oferecer ampla visibilidade política. Ele já foi presidente da Câmara dos Deputados. E daí? Ainda que venha a ser eleito por seus pares presidente do Senado, de que lhe valerá? Um vice-presidente "amostrado", por certo não é do gosto de nenhum presidente, porque pode e costuma ser fonte de problemas. Vale a pena trocar o provável inconveniente futuro pela quase certeza presente de derrota nas presidenciais? É o ex-governador de São Paulo o mais bem preparado para o cargo? Disso, nem os governistas discordam. Mas, infelizmente, preparo intelectual e disposição de trabalhar não ganham eleições. É preciso bem mais. E Serra pode mais. Chegou a hora da verdade para esses dois estadistas, José Serra e Aécio Neves, celebrarem entre si o acordo que ponha fim à era Lula. O custo seria altíssimo para Serra? Claro que seria! Do mesmo modo para Aécio. Lamento que tenhamos, os eleitores de oposição, de passar pelo vexame de ontem: um deputado dos nossos ameaçar com o abandono a aliança que poderia nos dar a vitória. Sim, amigos, o significado desse gesto é muito maior do que a de um simples nome. Ok, dir-se-á que se há disputa é porque se vislumbra a vitória. Mas qual o significado que atribui o eleitorado a esse gesto "amigo": à avidez do DEM corresponde a descrença na vitória por parte de um correligionário do PSDB? Pode ser que sim, pode ser que não. Discordo do Coronel, ao menos desta vez: não é o caso de se produzir uma foto de sorridentes, mas de arregaçar as mangas e partir para a guerra eleitoral. Nada mais desonroso do que perder sem luta. É o que está em jogo.
Ainda bem que V. não cansa de lembrar o objetivo maior que deve ser perseguido racional e tenazmente. Obrigado pelo texto claro e preciso.
Aluízio: admitir a possibilidade de uma perenização do "totalitarismo de esquerda" e, ao mesmo tempo, tentar evitá-lo pelo voto numa "urna eletrônica inauditável" parece ser algo inútil.
Já estamos assistindo a "validação vermelha" através das empresas comerciais alcunhadas de "institutos de pesquisa", o PIG (by Coronel) há 7 anos e meio incensando o "imperador"; portanto vejo como inócua esta assertiva. Talvez fosse válida, ainda, em 2006. Mas agora? Sei não... acho que o caminho é um pouco mais radical do que isso.
"Não sai o DEM e nem saio eu", afirma Álvaro Dias. Assim, o ensaio do saio eu começa com o saio e não sáia que não saía. E se o Demo saí? só se for ezorcizado. Se o Dia saí, vai aparecê Badruba Badruga Madruga, uma Droga.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse hoje, durante a convenção estadual do PSDB em Cuiabá, que foi advertido pela direção nacional do PSDB a não mais afirmar que desistiria da indicação a vice na chapa de José Serra em caso de o DEM acenar com um rompimento.
"Não tenho o direito de abrir mão de uma convocação. Ontem, eu disse que não acreditava que o DEM pudesse deixar a aliança, tanto que podia até afirmar que antes de o DEM sair, eu sairia. O que estou afirmando hoje é que não sai nem o DEM e nem eu. Nós dois ficamos", disse o senador.
Para bostulá Abostila postulá Apostila, tem que ter Bostula Postura e comer gostura e Gosturar a Costura Costela Castela e sair a Costeleta do Bastel Pastel Gastel Castelo. É question de Bostura Postura.
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