TRANSLATE/TRADUTOR

segunda-feira, janeiro 28, 2013

A LIBERDADE DE IMPRENSA SOB A AMEAÇA DOS TARADOS IDEOLÓGICOS DO PT

Os coveiros da democracia
Recolho do site do jornal O Estado de São Paulo, um excelente artigo do filósofo Roberto Romano,  professor de Ética e Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e autor, entre outros livros, de 'O Caldeirão de Medeia' (Perspectiva). Poucos são os intelectuais brasileiros, sobretudo na área da filosofia, que reúnem o conhecimento do professor Roberto Romano. E tornou-se raro como o ouro que acadêmicos das áreas de filosofia e ciências humanas que não se tenham tornado arautos do pensamento políticamente correto enquanto alinham-se, sem qualquer pudor, ao deletério PT mensaleiro a ponto de defender coisas espúrias como o "controle social da mídia", eufemismo para a censura à imprensa pura e simples. 

A única diferença no sistema proposto pelo PT é que essa censura, que já vem sendo implantada, esteja em perfeito funcionamento quando todos os cérebros já tiverem sido corroídos pela lavagem cerebral que começa nas escolas e universidades e, pasmem, nos cursos de jornalismo, locus onde é gestada uma "teoria" que dá sustentação acadêmica a esse solerte atentado à liberdade.

Tanto é que o petismo agrega a palavra "social" ao controle da mídia, o que faz supor que esse novo tipo de censura não partiria do Estado, mas sim da própria sociedade através de mecanismos como sindicatos, movimentos sociais, ONGs e congêneres, todos eles, é óbvio, sob o total controle do partido, ou seja, do PT. Coisa inspirada nos escritos do embusteiro comunista italiano Antonio Gramsci. 

Assim, este artigo do professor Roberto Romano, é mais um libelo contra a insidiosa campanha petista em favor do controle da imprensa, e por isso não só merece ser lido, mas sobretudo difundido amplamente pelas redes sociais. O título original do artigo é "Regulamentação da Mídia". Leiam:

Como fruto de meu último artigo (Regulamentação da mídia, 15/1), recebi uma torrente de insultos anônimos em meu endereço eletrônico. A reação prova a tese: os autoritários ignoram a fronteira do coletivo e do particular. Em vez de responder publicamente, eles ameaçam e insinuam retaliações. Volto ao tema sob outro ângulo para melhor determinar o que dele penso.
A imprensa surge com o Estado moderno. O mesmo ocorre com as táticas do poder para impedir a sua livre expressão. A importância dos panfletos políticos e religiosos é certa nos séculos 16 e 17. Basta recordar os libelos puritanos e textos como Le Reveille-Matin des François, que ampliaram rebeliões aristocráticas ou populares. No plano oposto surgem os jornais controlados pelo governo, criados para popularizar o poder oficial.
Richelieu (cardeal, primeiro-ministro de Luís XIII de 1628 a 1642) já domina o maniqueísmo da propaganda. "Aos que qualificavam a razão de Estado de 'razão do diabo' ou 'razão do Inferno' os panfletários de Richelieu replicam acusando-os de adotar 'a mais negra Teologia do Diabo'" (Thuau, Etienne: Raison d'État et Pensée Politique à l'Époque de Richelieu).
Thuau analisa estratégias cuja doutrina se resume em "governar e fazer acreditar" pelo controle estatal da palavra escrita. Diz ele: "É uma verdade reconhecida que a autoridade é inseparável das ideologias, dos mitos e das representações que os homens formam a seu respeito. O poder repousa na aliança do constrangimento e das crenças". O autor recorda Gabriel Naudé nas Considerações Políticas sobre os Golpes de Estado (1640): para manter a governabilidade o príncipe seria obrigado a mentir ao povo, "manejá-lo e persuadi-lo com belas palavras, seduzi-lo e enganar pelas aparências, ganhá-lo e colocá-lo a serviço de seus alvos por pregadores e milagres sob pretexto de santidade, ou por intermédio de bons escritores, silenciando os livrinhos clandestinos e manifestos, para levá-lo pelo nariz e fazê-lo aprovar ou condenar, só com a etiqueta da sacola, tudo o que ela contém".
O marketing político inicia ali a carreira cujo ápice ocorre sob Joseph Goebbels (ministro da Propaganda de Adolf Hitler). Controlar a imprensa é tarefa da grande ou mesquinha razão de Estado. Se o rótulo tem forma adocicada ("regulamentação social") ou ácida (censura), não importa. O alvo é calar a dissonância, silenciando críticas aos palácios e adjacências.
Richelieu reúne os auxiliares para examinar documentos oficiais, definindo a forma pela qual eles deveriam surgir como "notícias" no setor público, com o disfarce necessário. Ele já conhece a arte de reescrever a História e seus próprios textos. Os procedimentos usados no totalitarismo germinam no Estado absoluto. Ao reeditar seu discurso aos Estados em 1614, o cardeal modifica-o porque não coincide mais com sua nova política. Aqui não temos o único aspecto na genealogia que vai do Estado absoluto ao totalitarismo. Os "processos políticos" de Richelieu transformam os juízes em instrumento de terror contra os adversários. Para aquilatar a extensão e a profundidade dessa herança temos o livro de Hélène Fernandez-Lacôte Os Processos do Cardeal Richelieu, Direito, Graça e Política sob Luís, o Justo.
A função política ou econômica da imprensa, revolucionária ou governista, nem sempre suscita análises compreensivas. Basta recordar, no século 20, o crítico Karl Kraus. Em artigo intitulado A imprensa como alcoviteira, Kraus compara a jovem prostituta e o jornalismo oficialista, da Bolsa ou dos Palácios. A rameira seria moralmente superior ao que vende sua pena, pois ela "nunca sugeriu, como ele, assumir altos ideais". (Uso a tradução italiana, Morale e Criminalità.) A imprensa, com suas virtudes e seus defeitos, longe de ser odiada apenas pelos que agora se vendem ao governismo brasileiro, tem uma história densa e contraditória.
Recordo o autoritarismo dos que visam a impor silêncio a quem foge ao controle da norma formatada pelo marketing político e ideológico. Carl Schmitt, na luta contra a livre imprensa, chama os democratas de "classe discutidora", retirando o epíteto de Juan Donoso Cortés, autor do Discurso sobre a Ditadura, que inspira o fascismo. E também alimenta as ditaduras do século 20 na América do Sul e no Brasil. Com os tanques a discussão termina, vem o golpe de Estado "redentor". Mas nem todo golpe é cruento. A maioria é feita no silêncio dos gabinetes, nos acordos espúrios, nas alianças nefastas cujo nome ainda é "governabilidade". Quem aplica golpes eficazes conta com o sigilo cúmplice de todos, inclusive dos governados. É aí que os periódicos incomodam. Num país movido pela propaganda, desde a era Vargas com o DIP até hoje, a popularidade dos governantes é alvo perene, obtida à custa de ouro.
A mídia passa hoje por graves modificações. Se na cultura impressa existiu a figura do pedante, hoje na internet o pedantismo assume amplitude inaudita, unido à repetição de slogans e aos ataques às subjetividades que defendem posições adversas ao poder. Tudo indica que levará tempo para que a humanidade alcance uma síntese nova na ordem teórica e prática. Os jornais vivem uma situação inédita, com o aumento inusitado da comunicação eletrônica. As teses sobre a regulamentação da mídia, no Brasil, seguem a via coberta de ódio e dogmatismo.
Monopólios devem ser tratados com leis específicas, não podem servir de pretexto para impor ao público a visão de partidos ou seitas. Alguns veículos de comunicação, sobretudo na internet, se arrimam com ajuda oficial, reduzem seu papel à propaganda do governo e ao afogamento da crítica. Como se fosse destino, eles retornam ao tempo em que Richelieu pagava a jornais e jornalistas para combater os adversários do Estado.
Sobram ilhas de crítica e rigor intelectual na imprensa, mas é possível prever tempos escuros para as mentes lúcidas e honestas. Quem viver verá.

5 comentários:

Anônimo disse...

xiiiiii

rumores na rede que o verdadeiro proprietário da KISS é deputado da criminosa facção petralha.

Wendell disse...

Guerrilheiros no poder: ameaças a todo tempo.
Parece que para eles o campo de batalha mudou apenas de local: em confrontos de ideias, bem verdade que eles não as têem, parece, mas só imposições.
São os donos do politicamente correto, quem não se alinhar com eles é isso ou aquilo; só eles sabem, só eles entendem, e embora muito tapados, os serroe e muitos são sempre atribuídos a outros, como sempre.
Vamos ver se acaso o incendio do RS não seja culpa de FHC ou da dotadura militar ou da imprensa golpista...

Anônimo disse...

O Brazil atual é um país esdrúxulo.

Que interessante - Roberto Romano, um resistente ao politicamente correto é casado com uma solerte petista. Contradição? Talvez esta seja a realidade de nosso triste país atual.

Os autoritários estão nas ruas, nos gabinetes, no instituto de ex-presidente, futuro presidiário, a tramar nosso silêncio forçado.

Política, futebol e religião são, sim, temas para se discutir abertamente. Quem diz que não, é um candidato a ser submetido à ditadura de ocasião.

Então, amigos, lhes proponho, e é o que faço desde que os petralhas chegaram ao poder: quando os três assuntos acima citados surgirem em conversas de bar, nas festinhas de batizado, nos escritórios das firmas - Dêem suas opiniões sem medo. Não exitem em classificar o que é autoritário de autoritário, não tenham receio de assumir suas posições pessoais, critiquem quem merece ser criticado, em vez de ficar na posição cômoda de achar que vão perder amizades ao falar as verdades sobre os autoritários que tomaram conta do Brazil.

Ao fazer isto, a democracia no Brasil vai agradecer e os que nos tapeiam ( na vida política, artística, jornalística ou religiosa) vão saber que não somos assim tão bocós como elles pensam.

Sds

Roberto Romano disse...

Caro amigo Aluizio: obrigado pelos seus comentários gentis sobre o artigo que publiquei no Estado, sobre a regulamentação da midia. Pediria, no entanto, que um leitor seu fosse mais atento às questões factuais e de pensamento. Ele diz que sou casado com uma "solerte petista". Trata-se de uma verdade e de uma injustiça para com minha esposa, a professor Maria Sylvia Carvalho Franco, que nunca foi petista e sempre, pelo contrário, criticou o PT e adjacências, sofrendo com a perseguição, calúnias e ataques petistas. Bastava ao seu leitor procurar na internet os textos da professora para se inteirar da verdade dos fatos. Dos inúmeros artigos críticos ao PT e a seu "governo", cito apenas o último, publicado no Estadão, cujo título é "De marqueteiro a ideólogo"(02/12/2012)no seguinte endereço : http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,de-marqueteiro-a-ideologo,968080,0.htm

Afirmações como as de seu leitor, injustas e inexatas, repetem o que, infelizmente, fazem e dizem a rede dos pagos pelo petismo para caluniar. Eles não pensam duas vezes, não pesquisam, antes de decretar (como no meu caso, que sou "tucano"ou "udenista de meia tigela"). A justiça deve ser a norma de quem se opõe à ideologia dos que só conhecem a truculência do poder.
Um forte abraço para você e para seus leitores.

Aluizio Amorim disse...

Caríssimo amigo e ilustre professor Roberto Romano:

Obrigado pelo seu procedente e correto comentário que restabelece a verdade dos fatos. O blog está aberto ao ilustre professor caso queira escrever algo nesse sentido ou qualquer outro artigo. Basta apenas que decline aqui nos coments seu email, que não publicarei, e retorno em seguida.
Fico muito grato e, sobretudo, honrado com a sua atenção.
Cordial abraço!