O climatologista Patrick Michaels, da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos, é o mais conhecido entre os chamados céticos do aquecimento global.
A qualificação é paradoxal, pois ele colaborou com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e não contesta os princípios científicos que sustentam a advertência, feita pela conferência da ONU, sobre o aumento nas emissões de gases do efeito estufa.
A diferença é que, ao contrário do IPCC, ele não vê nada de catastrófico nas mudanças climáticas. E ironiza: "Basta olhar pela janela e comparar a realidade com a previsão do tempo feita dias atrás. Se erros são comuns no curto prazo, imagine em períodos longos".
Michaels é o entrevistado nas páginas amarelas de Veja. Recomendo a todos a leitura da entrevista completa (assinante lê aqui) e, particularmente, aos ecochatos. Pincei da entrevista, o que segue:
Veja – O senhor considera irrelevante o aumento de 1,7 grau na temperatura até o fim do século?
Michaels – Há grande chance de essa previsão nem sequer se concretizar. A tecnologia que usaremos daqui a 100 anos nas indústrias, nos automóveis e nas usinas geradoras de eletricidade será provavelmente mais eficiente em termos de emissão de gás carbônico do que a atual. Infelizmente, não posso precisar como serão as novas tecnologias, mas a história da evolução tecnológica é um guia do avanço que pode ocorrer. Por essa razão, nossa previsão sobre o aumento na emissão de gás carbônico é bastante questionável. Não há como saber se os índices atuais de poluição serão mantidos no fim do século XXI.
Veja – Quais seriam as conseqüências do aumento de 1,7 grau na temperatura média global?
Michaels – Há grande variedade de opiniões. Alguns economistas pensam que um aquecimento modesto seria benéfico. As visões apocalípticas da mudança climática estão associadas à idéia, com pouco embasamento científico, de que a Groenlândia está perdendo sua camada de gelo. Muitos estudos comprovam que, entre as décadas de 50 e 60, as temperaturas naquela região foram, em média, mais altas do que na última década.
Veja – Grande parte da pressão para que o Brasil barre a destruição da Amazônia está ligada ao temor de que o desmatamento contribua para o aquecimento global. Em sua opinião, essa é a razão correta para proteger a floresta?
Veja – Grande parte da pressão para que o Brasil barre a destruição da Amazônia está ligada ao temor de que o desmatamento contribua para o aquecimento global. Em sua opinião, essa é a razão correta para proteger a floresta?
Michaels – Não. A verdadeira razão, nesse caso, é o valor intrínseco da floresta. Os números mostram que o desmatamento não é o grande culpado pelo aumento do aquecimento global, se comparado com a queima de combustíveis fósseis. Tentar justificar a preservação com o argumento do aquecimento global é uma mentira. Acredito que a preservação das áreas silvestres é uma decisão social e econômica que as pessoas nos países em desenvolvimento precisam tomar.

Um comentário:
Esse cara ele mesmo é um ecochato. Vai esperar que a tecnologia avance para que se emita menos gás carbônico. Totalmente equivocado. A tecnologia tem que se preocupar com outras coisas, como internet, jogos de videogame, mp4, enfim, toda a gama de bugigangas que tornam nossa vida mais leve e despreocupada. Emitamos mais gás carbônico, contanto que isso popularize as tecnologias que tanto nos divertem.
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