Ironias à parte, o certo é que acabei de ler agora mais uma dessas reportagens tipicamente ecochatas e que deslumbram os jornalistas. Não há classe profissional mais suscetível ao apelo militante ecológico do que jornalistas.
Estão sempre de prontidão para reproduzir o que ouvem, sem pensar, é claro. E sem ter informações capazes de acrescentar e colocar em xeque o que lhes é contado.
Pois é o que eu vou fazer agora. Li no site G1 que ecochatos canadenses descobriram um novo vilão do aquecimento.
Trata-se do Dendroctonus ponderosae (foto abaixo), um besouro que infesta os pinheiros e entope com seus ninhos os vasos lenhosos da planta impedindo que a seiva circule o que faz a árvore morrer por ressecamento. O carbono armazenado em seu tronco, folhas e raízes é transformado em dióxido de carbono e
lançado na atmosfera.
lançado na atmosfera.Creio que no ano passado lá no meu ex-blog, comentei o fato constatado por cientistas de que grande parte do dióxido de carbono que é lançado para atmosfera procede das florestas! Sim, é isto mesmo.
As florestas são também fatores que concorrem para o aquecimento global, já que as árvores e arbustos não estão lá para sempre. Por mais longevas que possam ser, as árvores morrem também, sem falar no fato de que deixam cair folhas secas, frutos, galhos etc...resultando numa apreciável biomassa que se transforma em dióxido de carbono. Qualquer material orgânico em decomposição emite gases.
Numa floresta virgem e diversificada, essas pragas, tipo o besouro maligno em questão, existem naturalmente, mas com certo equilíbrio. Em reflorestamentos baseados em monocultura, pragas como esse besouro são extremamente danosas.
A resposta seria acabar com o reflorestamento? É claro que não. Isto é o que quer a turma da Via Campesina e do MST, os novos milenaristas arruaceiros financiados pelo governo de Lula e seus sequazes.
Um dia perguntei para um ecochato. Onde você dorme? E Ele me respondeu, numa cama, ora essas. Ao que eu indaguei: e do que é feita a sua cama? De madeira, é claro, respondeu.
Todos os móveis produzidos hoje são de madeira de reflorestamento, no mínimo na sua estrutura interior. Igualmente o papel é feito todo ele a partir de florestas plantadas pelo homem.
Então essa história de acabar com o reflorestamento é uma idiotice. Trata-se de buscar-se a solução científica para combater as pragas, como se faz nas lavouras que produzem os alimentos.
Quando a Via Campesina e o MST destroem laboratórios de pesquisa florestal estão na verdade contribuindo muito mais do que qualquer outro tipo de poluição para o suposto aquecimento, sem falar nos prejuízos econômicos que causam.
Não há alternativa. Tem de haver reflorestamento ou então todos nós vamos ter que voltar para as cavernas que são habitações naturais. Vamos andar novamente nus nas selvas catando coquinhos.
O caso do besouro canadense tem o seu equivalente aqui no Brasil, em especial aqui no Sul, onde há forte reflorestamento de uma variedade de conífera européia, o pinus, muito condenado, mas que hoje não se pode mais viver sem ele.
Em dez ou quinze anos já proporciona o que os técnicos denominam de "primeiro raleio", quando são colhidas as árvores mais robustas para a indústria. Assim faz o Canadá, a Finlândia, os Estados Unidos e assim fazemos nós, queiram ou não os ecochatos.
Mas como dizia, temos também aqui no Sul do Brasil um inseto denominado Sirex noctilio, vulgarmente conhecido com vespa da madeira (foto abaixo), procedente da Europa e Norte da África, que se aninha nos troncos do pinus e leva ao ressecamento das árvores.
Acompanhei isto profissionalmente como consultor de comunicação
em campanhas de divulgação há alguns anos aqui em Santa Catarina.
em campanhas de divulgação há alguns anos aqui em Santa Catarina.Não sei como está hoje. No início dos anos 90 ninguém falava de aquecimento global, não havia os milenaristas petralhas.
Aconteceram, à época, várias campanhas, reuniões e seminários abordando o problema e a busca de sua solução racional.
Na época os pesquisadores da Embrapa (se não me engano com apoio norte-americano ou filandês) descobriram o controle biológico da praga, que consistia na inoculação de um nematóide, um determinado parasita que leva a fêmea do inseto a tornar-se estéril, já que atua no aparelho reprodutor da vespa.
Enquanto o besouro canadense é do tamanho de um grão de arroz, segundo a matéria do G1, a vespa botocuda é bem maior, do tamanho de um marimbondo, mais ou menos. Não acompanhei mais este problema que causou muito prejuízo ao reflorestamento aqui no Sul do Brasil.
Agora vejo coisa idêntica acontecendo no Canadá. E é muito importante que os especialistas nessa área aqui no Brasil fiquem atentos, pois essas pragas podem migrar para cá, como aconteceu com a vespa da madeira.
Ao invés da grande mídia ficar entrevistando os ecochatos, que o faça também com os especialistas. Trata-se de uma ameaça a todo o processo industrial da madeira com graves repercussões econômicas.
Resolvi comentar essa informação para mostrar a vocês como a grande maioria dos jornalistas é desinformada, superficial e deslumbrada com os ecochatos e com a parte espetacular da notícia. Por isso, descura sempre do principal. Arre! Leiam o que está escrito lá no site G1 e comparem com o meu texto objeto deste post.

4 comentários:
Aluizio:
adorei esta matéria! é bastante informativa e formativa; vou enviá-la a uma parenta que é uma ecocha-
ta de 1ª ! Daí, quem sabe ela "se
manque" e use o desconfiômetro!
Vamos fazer a nossa parte a nossa parte, preservando a Mãe natureza,
mas vamos nos informar primeiro p/
não fazermos e/ou falarmos bobagem,
não é mesmo?
Zinha
Zinha: é isto aí. Preservar a natureza, porém sem fanatismo, falsidades e desinformação.
Ja ta na hora de se desenfurnar desse apartamento apertado e trancar a assinatura da Veja, hein Aluízio...
Ecochato, claro que existe, mas o que predomina hoje é burrice mesmo, visto que o momento histórico é crucial, e poucos tem a capacidade de análise do que passado recente nos indica. Com o perdão da ressalva à revista, o problema é que eu não consigo confiar naqueles textos de interesse... bom, não preciso entrar nos detalhes disso, mas é que quem vive os problemas do ambiente rural verdadeiro, sabe o que é realmente condenável e o que não é. Se por um lado o reflorestamento no país teve forte incentido do governo do Castelo branco, incluindo a maravilhosa prática da grilagem de terras (e muita violência pelo lado de quem poderia pagar por ela), onde estavam, meu caro, as políticas públicas que visassem o bem-estar e produtividade do agricultor familiar? E a modernização do rural? Longe de ser para todos(como prometido), gerou-se o ciclo excludente que por acaso, como sabemos, resultou na emigração dessas populações à cidade, por falta de opção, e com todo o desamparo que foi(e ainda é) possivel. E se você por acaso não lê a revista, putz, você pensa igual. Um atraso.
Newton,
agradeço o seu comentário e a atenção o meu escrito.
Mas esse povo que migra para as cidades gosta mesmo é de ver vitrine de shoppings...hehehe...Se não fosse a agricultura em escala já estaríamos todos morrendo de fome. A população do planeta está estima em mais de 6 bilhões! Grilagem de terra sempre existiu e existirá. Mais terrível é a ação deletéria dos petralhas que destroem plantações, roubam, que detonam laboratórios de pesquisa e condenam - cáspite! - o "deserto verde".
Essa história de agricultura familiar é puro delírio e discurso para açular os novos grileiros comandados por Lula e seus sequazes.
Reforma agrária na atualidade é pura piada.
Nos países desenvolvidos há anos que a lavoura é plantada com base no GPS, tudo calculado de forma milimétrica, cientificamente e com cálculo exato do resultado. Claro, se a "mãe natureza" não mandar alguma catástrofe...hehehe...
Aqui no lixo ocidental ainda se fala como no tempo do boi e do arado, a enxada e do chapéu de palha. Nas minhas contas, isto acabou há muito tempo, menos aqui no lixão.
Abraços
P.S.: excludente e exclusão são categorias da sociologia botocuda. Não existem excluídos. Existem semoventes com aparência humana. Trata-se de uma questão de ordem genética. É lamentável, mas é isso aí.
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