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sábado, outubro 09, 2010

VIRGÍLIO DENUNCIA ESQUEMA DE COMPRA DE VOTOS

O senador Arthur Virgílio (PSDB) encaminhou na manhã dessa sexta-feira ao Ministério Público Federal (MPF) denúncia de suposta compra de votos e abuso do poder econômico por parte dos adversários vitoriosos ao Senado, Eduardo Braga (PMDB) e Vanessa Grazziotin (PCdoB). A assessoria do MPF confirmou o recebimento da denúncia, com o pedido de quebra de sigilo bancário da empresa A.C. Nadaf Neto Assessoria, que coordenaria o suposto esquema de compra de votos. 

De acordo com Virgílio, o esquema teria funcionado "maquiado" de pagamentos a cerca de 100 mil cabos eleitorais no interior, no valor de R$ 600 ou R$ 1,2 mil cada. "Os beneficiados com os cartões seriam os coordenadores das compras de votos, ficariam com R$ 100 ou R$ 200, e seriam encarregados de comprar entre 10 e 20 votos pelo valor de R$ 50 cada", acusou Virgílio.

O senador tucano acredita que os cabos eleitorais sejam pessoas que já recebem uma bolsa por meio de cartão bancário do Bradesco, no programa Bolsa Floresta, administrado pela Fundação Amazonas Sustentável, uma parceria do governo do Estado com a instituição financeira.
Virgílio apresentou sete cartões do banco, segundo ele, entregues espontaneamente por vendedores de voto que se ofereceram para denunciar o suposto esquema. Também apresentou três cartas com senhas.

A reportagem procurou a assessoria do banco, questionando se os cartões apresentados seriam, como disseram os acusados, parte de contrato com a empresa A.C. Nadaf Neto para pagamento de cabos eleitorais ou que tipo de contrato explicaria o uso dos cartões. A assessoria do banco, em São Paulo, informou que "desconhece o assunto da denúncia".

A reportagem também procurou o proprietário da empresa, Abrahim Calil Nadaf Neto, mas não obteve sucesso. Outro questionamento de Virgílio ao MPF é baseado em publicação no Diário Oficial do município do dia 28 de setembro, que consta que Nadaf, servidor público da secretaria municipal de Finanças, está cedido desde 2007 para trabalhar para o governo estadual, prorrogando naquela data seu trabalho por mais um ano ao Estado.

Soube da história por pessoas envolvidas (no suposto esquema) que se ofereceram para denunciar o fato ao Ministério Público, e cabe ao órgão investigar. Minha eleição foi roubada pelo ódio e pelo despudor, mas não ficarão impunes", disse o tucano. 

Prestação de contas - O advogado de Vanessa e Braga, Delcio Luis dos Santos, afirmou que os pagamentos foram feitos no valor de R$ 600 a R$ 2 mil a cerca de 6 mil cabos eleitorais em todo o Estado. Ele não soube informar o valor total da despesa. "Vamos prestar contas nome por nome (dos cabos eleitorais) à Justiça Eleitoral, conforme manda a lei", destacou.

Segundo nota enviada pela assessoria de Vanessa Grazziotin, "todos os seus cabos eleitorais assinaram contratos e receberam cartão do Bradesco para facilitar o pagamento, individual e intransferível e se alguém recebeu e repassou dinheiro foi de inteira responsabilidade do contratado".

Segundo o advogado de Vanessa e Braga, a empresa de Nadaf trabalha para as campanhas do PMDB desde 2008 e ele desconhece que o proprietário seja funcionário público. "O contrato é com a pessoa jurídica, não com a física", disse.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa do governo estadual para saber qual o serviço que Nadaf prestaria à administração do Estado, mas não obteve resposta. Também procurou a assessoria de imprensa da prefeitura de Manaus para saber qual seria a função do servidor e seu salário, já que, segundo o Diário Oficial, o ônus desde 2007 é do órgão de origem. A prefeitura também não respondeu. Do portal da revita Veja

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terça-feira, outubro 05, 2010

PF ESTOURA ESQUEMA DE COMPRA DE VOTOS EM RORAIMA. JUCÁ ESTÁ SENDO INVESTIGADO. ESCÂNDALO ENVOLVE R$ 1,8 MILHÃO

A Polícia Federal em Roraima investiga a origem e o destino de mais de R$ 1,8 milhão apreendidos sob suspeita de compra de votos no período eleitoral no Estado.

Desse total, R$ 1,1 milhão tem relação direta, segundo a polícia, com o candidato reeleito Romero Jucá (PMDB), líder do governo no Senado.

A PF suspeita que esse dinheiro venha de "contratos e licitações para as áreas da saúde e infraestrutura desviados para a campanha".

"Aqui quem ganha eleição é quem tem dinheiro para comprar voto. A verdade é essa, eu não vou esconder", diz o superintendente da PF em Roraima, Herbert Gasparini.

Segundo a PF, da quantia de R$ 1,1 milhão, foram liberados R$ 910 mil porque o senador comprovou o destino. O dinheiro seria para gastos com as campanhas dele, da deputada federal eleita Teresa Jucá (PMDB), sua ex-mulher, e do deputado estadual eleito Rodrigo Menezes Jucá (PMDB), seu filho. Todos negam as acusações da PF. 

A polícia ainda investiga qual é origem desses R$ 910 mil. A PF suspeita de crimes de corrupção eleitoral, abuso do poder econômico. Se forem comprovados, podem resultar na inelegibilidade de Jucá. "O vínculo maior do dinheiro apreendido é com o senador [Jucá], disse.

Segundo ele, a PF vai fazer um cruzamento de informações para checar os dados. "Nós mostramos, inclusive, que contratos apresentados por eles são de pessoas que dizem que não trabalharam na campanha dos candidatos", afirma o delegado.

Desses R$, 1,1 milhão, a primeira apreensão relacionada a Jucá aconteceu na semana passada. Foram R$ 80 mil com um dos coordenadores da Jucá. Outros R$ 110 mil estavam uma coordenador da campanha de Teresa Jucá.

Na sexta, antevéspera das eleições, a PF fiscalizou uma transportadora de valores e encontrou R$ 800 mil. O carro-forte com o dinheiro foi levado à sede da polícia.

De acordo com Gasparini, Jucá contratou a a transportadora de valores desses R$ 800 mil apreendidos.

"Eu queria que ficasse claro que não é uma ação dirigida: nós fizemos uma investigação de inteligência e tivemos êxito. Os R$ 80 mil estão retidos até hoje e eram dele [Jucá]", disse o delegado.
Na antevéspera das eleições, após sair do escritório de Jucá, o empresário Amarildo Freitas teve o carro interceptado por agentes da PF. Perseguido pelos policiais, ele relatou ter se assustado e jogou pela janela do carro R$ 100 mil dentro de um pacote. Em depoimento, ele diz que recebeu o dinheiro das mãos do senador.

"No depoimento dele [Freitas] ficou claro que ele recebeu o pacote da mão do senador Jucá e do filho dele, Rodrigo Jucá. As provas são inquestionáveis", afirmou.

O superintendente da PF disse que, após o episódio, Jucá compareceu à sede da polícia. "Ele estava muito exaltado por causa da fiscalização. O que eu disse a ele? O senhor vai sair daqui com uma certeza: a Polícia Federal vai continuar fiscalizando quem quer que seja", disse. Da Folha.com