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quarta-feira, novembro 17, 2010

CONSERVADORISMO E EQUILÍBRIO POLÍTICO

O delírio esquerdista que levou Hussein Obama à Presidência dos Estados Unidos foi definitivamente brecado pela providente reação conservadora dos cidadãos americanos. E notem: para o bom funcionamento do regime democrático a vertente conservadora joga um papel importante funcionando como uma âncora que segura uma embarcação aventureira num mar de hostilidade evidente.

Esta reflexão que coloco à consideração dos prezados leitores decorre de matéria que li no portal da revista Veja, a respeito do declínio da Obamamania e que serve para embasar aquilo que disse em post mais abaixo a respeito da atualidade política brasileira que tem como pano de fundo a crise que toma conta do Democratas e cujo epicentro repousa sobre São Paulo, onde o prefeito Gilberto Kassab arruma as malas para mudar de partido já que a possível fusão com o PMDB caiu por terra.

Ao que parece a corrente majoritária do democratas que sugere uma rearticulação da legenda deseja conferir ao partido um viés conservador, preenchendo essa lacuna do espectro partidário e ideológico brasileiro. Anotei no aludido post abaixo a importância de uma agremiação que aglutine o setor mais conservador.

O episódio recente da reviravolta política nos Estados Unidos levada a cabo pelos eleitores conservadores é um indicador de que o pensamento único tendo como vértice o esquerdismo não é o melhor conselheiro da democracia. Ao contrário, tende a enrijecer as instituiçõres e abrir o caminho para a implantação de um regime discricionário. Não é à toa que as maiores e mais sólidas democracias do mundo possuem partidos conservadores ou de centro-direita. O resultado da pressão conservadora acaba sempre obrigando que o governo fique equidistante dos extremos do expectro ideológico, posicionando-se ao centro. Aqui o texto do portal da Veja sobre as mudanças que ocorrem na política americana e que nos servem de exemplo. Leiam:

Depois de constatar os limites de sua influência nos Estados Unidos, com a derrota democrata nas eleições legislativas de 2 de novembro, Barack Obama concluiu no domingo seu giro estrangeiro mais longo e regressou a Washington com uma constatação semelhante: também no exterior sua influência minguou. A obamamania, nos Estados Unidos e no resto do mundo, se diluiu.

Os assessores do presidente promoveram o giro de dez dias à Ásia como uma viagem destinada a criar emprego. O desemprego elevado e a lenta recuperação da economia explicam, segundo a Casa Branca, que os eleitores dessem a vitória aos republicanos, que a partir de janeiro, quando o novo Congresso tomar posse, controlarão a Câmara dos Deputados e poderão bloquear as iniciativas de Obama.

Para o presidente, o maior troféu da viagem devia ser um acordo de livre comércio com a Coreia do Sul. As diferenças sobre a exportação de automóveis e carne americanos o impediram. Também na Coreia do Sul, Obama teve que escutar críticas de seus principais parceiros e competidores – da China à Alemanha – sobre a apreciação do dólar e sobre suas políticas de estímulo econômico, que contrastam com a austeridade que agora impera na União Europeia.

O debate é semelhante ao que desde ontem Obama encontrou em Washington. Uma cidade transformada pelas eleições, que leva para a cidade uma nova geração de políticos conservadores que repudiam o gasto público e quer reduzir o déficit sem subir os impostos.

O Partido Democrata perdeu a iniciativa. Com menos parlamentares e mais de esquerda, a ainda presidente da Câmara, Nancy Pelosi – responsável, com Obama, de todos os males do país, segundo a oposição – é a favorita para ser eleita líder da minoria democrata.

Os equilíbrio mudaram, e agora o presidente é um líder de mãos atadas. "Isolado"– como escreveu dias atrás o diário Politico – dos líderes democratas que o culpam pela derrota, do mundo dos negócios, obviamente dos republicanos e inclusive dos meios de comunicação menos ideológicos, que em 2008 celebraram suas vitória em uníssono. 

Repercussão - Um exemplo dessa crescente hostilidade foi oferecida no domingo pelo The Washington Post, que abriu seu suplemento dominical com um artigo - assinado por Patrick Caddell e Douglas Schoen, estrategistas da órbita democrata – intitulado "Um e é isso". Caddell e Schoen argumentam que, para passar à história como um grande presidente, o melhor que Obama poderia fazer seria anunciar agora mesmo que em 2012 não será candidato a reeleição. Esta é, segundo os articulistas, a única maneira de evitar dois anos de bloqueio legislativo e "tirar o veneno de nossa cultura de polarização e acabar com o ressentimento e a divisão que erodiram nossa identidade nacional e nosso propósito comum".

O artigo, discutível em sua argumentação, é sintomático do ambiente de Washington: Obama já não é infalível. Vai começar a constatar isso esta semana, quando o Congresso que sai aborda o que fazer com as isenções fiscais que o republicano George W. Bush impulsionou no início de seu mandato. As isenções expiram em 31 de dezembro. Se o Congresso não agir, os americanos poderão receber uma carga fiscal a partir de 2011 que poderia precipitar o país para uma nova recessão.

Os republicanos querem prolongar as isenções indefinidamente, o que ameaça deixar um buraco fiscal que engrossará ainda mais o déficit. Obama, a princípio, só quer prolongá-las para quem ganhe menos de 200 mil dólares por ano (ou 250 mil dólares no caso de famílias): uma alta de impostos para os mais ricos.

Nos últimos dias, a Casa Branca enviou sinais de que está disposta a um compromisso para prolongar as isenções, pelo menos temporariamente. O acordo medirá a capacidade de consenso numa Washington polarizada e dividida. Do portal da revista Veja

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segunda-feira, novembro 15, 2010

DEM REFUTA INCORPORAÇÃO AO PMDB E COMEÇA A DEFINIR ESTRATÉGIA PARA LIDERAR A OPOSIÇÃO

Ilustração do blog OrdemLivre.org, que recomendo
A proposta de incorporação do Democratas ao PMDB, atribuída ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), está morta e enterrada, mas serviu para reorganizar a tropa no partido. É o que dizem o presidente do DEM, Rodrigo Maia, e o pai dele, o ex-prefeito do Rio Cesar Maia, que apostam na unificação do partido com o plano de fortalecer o DNA conservador e deixar o papel de linha auxiliar do PSDB para construir candidatura própria à Presidência em 2014. "Essa hipotética proposta não existe mais. Até Kassab é contra", afirmou Cesar Maia, em conversa com o Estado por e-mail, sobre a possibilidade de união com o PMDB. "Hoje, ninguém no DEM defende fusão com o PMDB. Nem no PMDB, segundo se diz." Maia também afasta qualquer chance de fusão com PSDB ou PPS.

O presidente de DEM e deputado reeleito Rodrigo Maia (RJ) disse ter conversado com Kassab, que compreendeu a inviabilidade da união com o PMDB. "Ele sabe que essa posição, nesse momento, não tem apoio no partido. Compreendeu que esse é o momento de refazer a unidade e pensar no futuro", disse hoje o deputado. O flerte de Kassab com o PMDB levou Rodrigo a acertar os ponteiros com várias lideranças do partido.

As conversas alinharam à proposta de fortalecimento ideológico, descolamento do PSDB e candidatura própria em 2014, líderes como o senador José Agripino (RN), reeleito em meio às baixas da oposição no Senado, e os deputados Antônio Carlos Magalhães Neto (BA), Onyx Lorenzoni (RS) e Roberto Brant (MG). O ex-prefeito Cesar Maia define a estratégia do DEM: "Reforçar sua coluna vertebral conservadora. Isso será feito." 

Conservadorismo - O ex-prefeito cita o apoio do senador reeleito Demóstenes Torres (DEM-GO), que também declarou no fim de semana que o partido precisa assumir que é conservador e "deixar de ser satélite de outros partidos". Para Rodrigo e Cesar Maia, a candidatura própria é o caminho para unir um partido calejado pelas batalhas perdidas a reboque de um PSDB tomado por lutas internas. Acreditam que, na oposição ao governo Dilma, é hora de se preparar para o que consideram inevitável: o declínio do ciclo de poder do PT. Também querem reposicionar a relação com o PSDB.

A avaliação é de que a antecipação de uma aliança incondicional com os tucanos na eleição presidencial de 2010 penalizou o partido em contextos regionais. Em 2014, a composição se daria de outra forma e bem mais tarde, até mesmo num segundo turno.

"Essa discussão sobre fusão mostrou que há uma certeza majoritária no partido. Temos de nos organizar como partido de ideias claras, em favor da propriedade, da economia de mercado, da redução da carga tributária. Tem a proposta de recriação da CPMF aí, uma bola que o governo levantou de graça para nós", define Rodrigo, comemorando a eleição de dois governadores e 43 deputados na Câmara, apenas dez a menos do que o PSDB. 

"O partido que saiu das urnas sobreviveu a todas as análises, críticos e ameaças. A oposição saiu fortalecida", analisa Rodrigo. "Acredito que o ciclo da Dilma não terá a mesma força popular dos oito anos do governo Lula. O da Dilma não será o primeiro, mas o nono ano do mesmo governo. Precisamos reorganizar as forças para 2014." Do portal do Estadão 

MEU COMENTÁRIO: Finalmente a ficha começa a cair. O DEM parece que percebeu o recado das urnas e segundo seus líderes vai assumir as bandeiras que um apreciável continente de eleitores solicitou nas últimas eleições: um partido de oposição de viés conservador que defenda a propriedade, a economia de mercado, a redução da carga tributária e os valores da civilização ocidental que há oito anos vêm sendo vilipendiados pelo PT. 

Se assim proceder, o DEM tem tudo para crescer e ocupar esse amplo espaço aberto para um partido conservador. Conservador sim, como aqueles que existem nas maiores democracias do mundo. Isto é salutar e contribui para a educação política dessa despolitizada sociedade brasileira que é capaz de eleger um Tiririca e, até mesmo, um Lula e uma Vilma.

É isso aí. Há um espaço político generoso para acolher um partido com clara definição ideológica. Aliás, será o único no Brasil.  Haja vista que o PT está longe das idéias delineadas na sua fundação. Seu esquerdismo é jogado para a arquibanda. Nas internas está aliado com o coronelismo nordestino e as figuras mais deletérias da política brasileira, sem falar no fato de que já entrou para a história como um partido que protagonizou e protagoniza um turbilhão de escândalos jamais vistos. Por sua vez, o PSDB continua patinando na obsolteta social-democracia com seus tucanos trepados no muro emitindo muxoxos.

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