Por Nilson Borges Filho (*)
Pode-se dizer tudo de José Dirceu – isso sem medo de cometer qualquer tipo de injustiça – mas, queiram ou não, o ex-ministro é um dos melhores quadros políticos do Brasil – no melhor e no pior sentido que se pretenda dar à classe política. A militância petista sabe e os seus dirigentes mais ainda, que se Dirceu não estivesse na presidência do partido, dificilmente Lula teria sido eleito e reeleito presidente da República. As alianças partidárias que levaram Lula à presidência, todas elas, foram costuradas por José Dirceu, com o aval de Lula. A tese defendida pelo ex-ministro da Casa Civil e colocada em prática durante o primeiro mandato, de que o dinheiro seria dividido, mas o poder nunca, gerou o maior escândalo até hoje conhecido nas entranhas do governo federal e do Congresso.
Batizado pelo deputado Roberto Jefferson como “mensalão”, José Dirceu abasteceu a base aliada com dinheiro sujo proveniente de empréstimos bancários fajutos, envolvendo dirigentes petistas, banqueiros espertalhões e um “publicitário” fora-da-lei. Dirceu foi defenestrado do ministério e é réu em processo que tramita no STF.
Definido pelo ministério público federal como “chefe de organização criminosa”, com grandes chances de pegar cadeia, José Dirceu continua fazendo política partidária e se dando muito bem como “consultor”, principalmente naqueles assuntos em que se misturam interesses privados com o erário.
No último encontro do PT, José Dirceu foi ovacionado, inclusive desbancando “o cara”, que recebeu menos aplausos do que o capitão de seu time. Pedro Caroço – como é conhecido nas internas – fala grosso nas reuniões do partido, sendo que boa parte dos ministros da presidente Dilma Rousseff frequenta o seu cafofo em Brasília, para tratar de sabe-se lá o quê.
Agora o ex-preso político do regime militar decidiu oferecer seus préstimos às Forças Armadas, criando oportunidades para que empresas estrangeiras possam vender seus produtos bélicos ao governo brasileiro. Chega a ser comovente o interesse do ex-ministro com o aparelhamento das Forças Armadas. É bom que se diga: não existe interesse menor de José Dirceu na modernização da força. Ele está sendo levado por seu compromisso cívico e pela preocupação com a defesa nacional.
Enquanto isso, nas oposições (?) o marasmo é total e parece definitivo. José Serra perdeu o “time” e é carta fora do baralho tucano. Geraldo Alckmin não sabe para que lado vai e se vê envolvido com suspeitas de familiares de sua mulher com maracutaias no governo.
Resta Aécio, mas a vitrine do senador mineiro - que seria o governo de Minas – está fazendo água: os professores estão há mais de 100 dias em greve, de um lado pela intransigência dos grevistas e de outro pela incompetência política do governo; um dos secretários de Estado foi demitido em consequência de fortes indícios de corrupção na sua pasta; incêndios arrasam com reservas florestais de Minas; o descontentamento é geral entre os servidores com a nova sede do governo, onde enfrentam diariamente ônibus e metrôs lotados, gastando 3 horas nos seus deslocamentos como se fossem sardinhas em lata, enquanto alguns apaniguados, com pose de prima-donas e currículos com a profundidade de um pires, se utilizam de carros oficiais com motorista e combustível pagos pelo contribuinte.
Enquanto isso Dilma mantém a sua política de “morde e assopra”: morde Pedro Novais e assopra José Sarney. Lula, no papel de doutor honoris causa e sóbrio nessas horas, faz um road show mundo afora, defendendo contratos de empreiteiras brasileiras com governos estrangeiros.
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