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sexta-feira, dezembro 03, 2010

PODER DE POLÍCIA AO EXÉRCITO DENTRO DA FAVELA

As favelas do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, no Rio, que até a semana passada pertenciam ao tráfico, passarão a ser patrulhadas pelo Exército nos moldes do que ocorre no Haiti. 

Esta será a primeira vez, após a redemocratização, que o Exército atuará nas ruas com poder de polícia. Os militares poderão revistar casas, prender pessoas e até perseguir suspeitos e atuar em possíveis confrontos.

 Segundo o Exército, essa força de pacificação será empregada numa segunda etapa da operação, que pode ocorrer ainda neste ano. A primeira fase da ocupação será concluída, segundo o comandante do Exército, general Enzo Peri, quando o trabalho da polícia, que ainda procura por traficantes, armas e drogas, for concluído -não há prazo previsto. 

A previsão do governo do Rio é que o Exército fique por cerca de sete meses, até que sejam implantadas as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) nessas favelas. 

De acordo com o comando do Exército, ainda faltam algumas questões legais. Uma delas é uma diretriz sobre os moldes da ocupação a ser feita pelo Ministério da Defesa. 

Para o coordenador do Centro de Estudos de Direito Militar, João Rodrigues Arruda, o uso do Exército, por meio de diretriz ministerial, é inconstitucional. "Tinham que decretar intervenção, mas fizeram uma diretriz ministerial. Isso não existe."

 Relatório do Centro de Estudos Estratégicos do Exército, de 2007, sugere que haja emprego das tropas para a preservação da ordem pública só quando houver decretação de intervenção federal, estado de sítio ou estado de defesa. Nos demais casos, é indicado o apoio logístico.

ATUAÇÃO

Hoje, cerca de 800 militares fazem o cerco no Alemão e na Vila Cruzeiro. Os soldados não entram nas favelas, mas revistam suspeitos. 

 
Não há definição de como ficará o papel das outras polícias, mas não há dúvidas de quem vai mandar. "O comando é militar", disse Peri. Não está definido também qual será o efetivo, mas pode ser algo em torno de 2.000 homens, segundo militares. 

 
Os policiais cariocas dizem que o pedido de apoio partiu do governo e que, por eles, o Exército não teria sido acionado. Mas, oficialmente, dizem que a relação é muito boa com os militares.


Ontem, a Marinha, que dava apoio logístico às ações, deixou de atuar nas ruas. Da Folha de São Paulo desta sexta-feira


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domingo, novembro 28, 2010

TIROS CONTRA POLÍCIA PARTIAM ATÉ DOS PRÉDIOS DO PAC ONDE ESTAVAM POSTADOS TRAFICANTES

A expectativa era de uma guerra sangrenta, mas pouco depois de 20 minutos depois da entrada da Polícia Civil, com auxílio de carros blindados, o Areal, considerado o coração do Complexo do Alemão, era declarado “reconquistado”. Os tiros contra os blindados e as equipes de policiais foram poucos e, pela quantidade de armas abandonadas, a suposição é de que os traficantes decidiram fugir mais uma vez.

Do ponto de vista de reconquista do espaço, a operação foi surpreendentemente rápida e bem-sucedida. Mas, se considerados os objetivos de captura da quadrilha, o resultado ainda não veio.

Até o fim da manhã, pouco mais de 20 pessoas estavam detidas – quase todas com passagem pela polícia por tráfico, entre elas uma mulher. Quem tratou de arrefecer o clima de euforia estabelecido com a chegada do estado a locais foi o comandante geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte.

“As posições estão conquistadas. Isso não significa, ainda, posição consolidada”, disse Mário Sérgio. A falta de resistência à incursão da polícia na manhã deste domingo é um indício de que, apesar de não serem propriamente um grupo de “crime organizado”, os traficantes do Alemão não podem ser subestimados. Principalmente quando estão em um território que dominavam havia décadas e que a polícia conhece, basicamente, por sobrevôos, informações de denúncias anônimas e relatos de bandidos capturados.

Depois de uma noite de muitos tiros, uso de munição traçante – aquelas que deixam um rastro de luz e permitem ao atirador aferir a pontaria quando não há luz – e até intimidação com disparos a partir de prédios do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o silêncio tomou conta do vale onde se formou o imenso complexo de 13 favelas. Surpreendentemente, a madrugada no Rio não teve, pela primeira vez em uma semana, ataques a carros e ônibus.

A suspeita agora é de que, enquanto uma parte da quadrilha sustentava o tiroteio contra os militares no Alemão, a outra parte do bando – entre eles os mais de 200 cuja fuga foi exibida ao vivo pela Rede Globo na quinta-feira – tenha tratado de se camuflar entra a população de bem ou mesmo tenha escapado ao cerco na região. 

O relações públicas da PM, coronel Lima Castro, evita avaliações precipitadas. “Ainda é muito cedo para saber se traficantes fugiram ou não. Nem há como afirmar que os chefes escaparam”, explicou. Do portal da revista Veja


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