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sábado, maio 28, 2011

ARTIGO: O Governo está doente. A Presidente também.

Fotos: revista Época. Clique sobre a imagem p/ vê-la ampliada

Por Nilson Borges Filho (*)
Durante o último pleito presidencial, quando a candidata Dilma Rousseff subia nas pesquisas e a sua candidatura se consolidava, ao mesmo tempo que havia uma euforia na coordenação de campanha da petista pelos números que as pesquisas apontavam, havia, também, uma preocupação com à sua saúde.

A candidata  se recuperava do tratamento quimioterápico e era visível o seu abatimento físico. Enquanto ministra da Casa Civil, Dilma trabalhava doze horas seguidas e nunca chegou a exaustão. 

Lula – conhecido por não gostar de pegar no pesado – admirava esse lado pegador daquela que seria sua sucessora. Mas, por maior que fosse o esforço da equipe médica em dizer que a doença da presidenciável estava sob controle, no mundo real as coisas eram bem diferentes do quadro que seus auxiliares pintavam para o público externo.

O mau-humor de Dilma Rousseff estava num crescente, inimaginável até para os seus próximos, acostumados com os rompantes da chefe. A coordenação de campanha creditava a mudança de comportamento da candidata  ao tratamento médico que estava se submetendo.

Longe dos olhos e ouvidos de Dilma, era comum entre os seus principais auxiliares o questionamento sobre a saúde da futura presidente da República. Nessa época recebi uma informação, de uma fonte confiável, de que não havia qualquer dúvida sobre quem seria a sucessora de Lula, mas dúvidas, haviam sim, sobre a resistência de Dilma para enfrentar um final de campanha e um início de governo duríssimo.

Nada do que ocorria naquela mansão de Brasília, sede da equipe de campanha, vazava para a imprensa. Tudo, inclusive a forte medicação que Dilma estava se submetendo era do conhecimento  público. Na oportunidade, publiquei na minha coluna semanal do jornal “A Notícia” de Joinville (SC), que havia, na coordenação de campanha da candidata, uma preocupação fora do comum com a sua saúde.

Por conta disso, recebi uma mensagem eletrônica de um beócio – como os há – de que eu estava torcendo contra a saúde da petista.  O militante estúpido – de pai e mãe – provavelmente alguém que se locupleta mamando em alguma teta do aparelhamento petista, leu a minha coluna com os olhos voltados para o desemprego.

Aliás, petistas e neo-pelegos  adoram um emprego público, desde que não precisem se submeter a concurso público. Recentemente, ainda em consequência do tratamento de combate ao câncer, Dilma pegou uma pneumonia nos dois pulmões, foi internada, passou por uma bateria de exames e recebeu forte medicação via cateter, o que não é nada comum.

A revista “Época desta semana esclarece, em parte, todo o procedimento médico que a presidente passou nas últimas semanas. A convocação do ex-presidente Lula, para tratar da crise que envolve o enriquecimento estupendo do chefe da Casa Civil de Dilma e para aplacar a ira da base alugada que está dando, mas não está recebendo, diz respeito não só a fraqueza política da presidente, como também à sua fragilidade física.

Dilma está doente e não tem forças suficientes para enfrentar reuniões cansativas com aliados gananciosos e, de quebra, aturar a briga de comadres dos “companheiros” petistas. O governo está à deriva, mesmo com dois presidentes da República tentando salvar o barco.

(*) Nilson Borges Filho é doutor em Direito, professor e articulista colaborador deste blog.

sexta-feira, outubro 08, 2010

ARTIGO: O menino maluquinho que se transformou em boca alugada.

Por Nilson Borges Filho (*) 

Ciro Gomes nasceu em Pindamonhangaba, uma simpática cidade paulista situada no Vale do Paraiba. Radicou-se em Sobral, no Ceará, e à sombra do pai fez carreira política. Jovem, ainda, candidatou-se à vaga de vice-presidente na diretoria da UNE, representando a direita do movimento estudantil. Ingressou na ARENA, partido político que dava sustentação ao regime militar. Com a reforma partidária, mudou-se de mala e cuia para o PDS, sucedâneo da ARENA.

Como havia uma onda oposicionista ao regime dos generais, Ciro, sem se fazer de rogado, pulou o muro e assinou a ficha do PMDB. Aquele rapaz de porte esguio, com pose de lorde inglês, foi adotado por Tasso Jereissati, dono de uma das maiores fortunas do Ceará e político promissor. A carreira política de Ciro Gomes sempre esteve associada a Tasso. Foi prefeito de Fortaleza e depois governador do Ceará. Substituindo a quem mesmo? Claro, ele mesmo, Tasso Jereissati – agora Senador da República.

Nessa época, Ciro ainda não havia se iniciado como o menino maluquinho, aquela criança birrenta, que faz beicinho, bate os pés, desobediente e faz o tipo malcriado. Enfim, aquele adolescente, o rebelde sem causa. Anos mais tarde, acompanhando o chefe, ajudou na fundação do PSDB. Foi ministro da Fazenda de Itamar Franco. Indicado mesmo por quem? Claro, ele mesmo, Tasso Jereissati. Quando Fernando Henrique assumiu a presidência da República, convocou Pedro Malan para assumir a pasta da Fazenda e ofereceu o ministério da Saúde para Ciro Gomes.

Sentindo-se relegado a segundo plano, o menino maluquinho passou a dirigir a sua metralhadora giratória contra tudo e contra todos. O menino mimado do Ceará, movido  por ressentimentos obscuros, elegeu FHC e o seu entorno, para despejar toda a sua fustração.

Nesse entorno, estava José Serra. Apesar disso tudo, tanto Serra como FHC nunca deram a mínima bola para os ataques do “enfant terrible” do polígono da seca. Ciro Gomes, representando ainda o papel do menino mauzinho, pulou para o PPS e depois – já que ninguem é de ferro – para o PSB.

Tentou o apoio de Lula para sair candidato à presidência. O presidente – bem ao seu estilo – inflou o ego de Ciro e o mandou seguir em frente. Bobagem, Lula já tinha a sua candidata, a chefe da Casa Civil do seu governo. Ciro insistiu e partiu para o confronto, postulando sua candidatura pelo PSB, partido da base aliada do governo federal e que tem no controle o governador Eduardo Campos de Pernambuco. Lula deu a ordem, Ciro foi rifado e saiu batendo na “fouxidão moral do PMDB e do PT”, consórcio de siglas que apoia Dilma Rousseff.

Em entrevistas, chamou os dois partidos de “corruptos” e que, politica e administrativamente, “Serra era mais preparado do que a candidata petista”. Sequer votou em Dilma no primeiro turno. Justificou o voto. Como o resultado das eleições  não foi bem o que esperava o PT, Lula mandou chamar o ex-arenista, o ex-pedessista, o ex-peemedebista, o ex-tucano, o ex-pepessista e o atual pessebista para participar da coordenação de campanha da candidata de Lula. Não se sabe se Ciro foi escalado para acabar com a “frouxidão moral” do consórcio PT/PMDB.

O certo é que a campanha de Dilma está nas mãos do PT e de Lula. Na verdade, dizem que Ciro foi convocado para fazer o que mais gosta: atacar os governos de FHC e a pessoa de José Serra, jogando pesado nas baixarias. Como não seria de bom tom e como o eleitor não reageria bem se os ataques partissem de Dilma, Lula contratou a boca podre de Ciro Gomes. Em troca, caso Dilma se eleja, o menino maluquinho levará um ministério ou a presidência de uma estatal. E a “frouxidão moral”? Deixa pra mais tarde. Quem sabe em 2014. 

(*) Nilson Borges Filho é mestre, doutor e pós-doutor em Direito, foi professor da UFSC e da UFMG 

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