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terça-feira, maio 17, 2011

LIBERDADE DE EXPRESSÃO NOVAMENTE AMEAÇADA

O editorial da Folha de São Paulo levanta indagações pertinentes sobre o polêmico projeto que se destina a proteger os homossexuais de ações homofóbicas. Mas do jeito como as coisas estão colocadas pelo viés radical do pensamento politicamente correto coloca-se mais uma vez em jogo a liberdade de expressão. O título do editorial é 'Homofobia no Senado'. 

O debate continua aberto aqui no blog, entretanto, peço que nos eventuais comentários dos honrados leitores sejam pautados pela adequada discrição. O blog não faz campanha homofóbica, mas não tolera qualquer tipo de projeto de lei que se valha de uma dada situação para macular a liberdade de expressão.

Estou transcrevendo o editorial da Folha porque traz à discussão exatamente este aspecto e é importante que os cidadãos participem atentamente deste debate e se mobilizem. Leiam:
Em boa hora a senadora Marta Suplicy (PT-SP) pediu a retirada do projeto de lei que criminaliza a homofobia da pauta da Comissão de Direitos Humanos (CDH).
 
Falta serenidade ao debate. E as implicações do texto para as liberdades constitucionais de expressão e de culto a tornam mais necessária do que nunca.

 
O tema pegou fogo após decisão unânime do Supremo Tribunal Federal (STF), há 12 dias, de considerar como família a união estável de homossexuais. Várias igrejas, inclusive a católica, condenam a homossexualidade como antinatural e pecaminosa. Diante da derrota no STF, esforçam-se por barrar outras iniciativas legais que ampliem a proteção aos gays.

 
Um dos grupos que sobressaem é a bancada evangélica no Congresso, que conta em torno de 70 deputados federais e três senadores. O projeto de criminalização da homofobia já foi chancelado na Câmara e, caso sobreviva na CDH, ainda terá de passar pela Comissão de Constituição e Justiça.

 
Se aprovado, o projeto em realidade não criaria uma lei nova. Ele inclui a discriminação por orientação sexual na que trata de crimes por preconceito de raça ou de cor (nº 7.716, de 1989).

 
O problema maior é antigo, portanto. Está no artigo 20 dessa lei ("praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional"), que passaria a abranger a orientação sexual.
 

A amplitude e a indefinição dos termos ergueria uma espada sobre qualquer discurso ou escrito que condene a homossexualidade. Poderia ser acusado de "induzir" a discriminação e, em tese, levar à pena de reclusão por um a três anos, mais multa.
 
Pior: o parágrafo 3º do artigo faculta ao juiz, mesmo na ausência de inquérito policial, recolher publicações e cessar transmissões radiofônicas ou televisivas.


São dispositivos em flagrante contradição com garantias fundamentais dos artigos 5º e 220 da Constituição, como a liberdade de expressão e a proibição de censura.
 
Parlamentares evangélicos temem que o projeto, se aprovado, venha criminalizar a pregação contra os gays. A relatora, contudo, propôs como única modificação ao texto da Câmara que seja aberta exceção para "a manifestação pacífica de pensamento decorrente de atos de fé".

 
E se alguém se manifestar pacificamente contra homossexuais, mas não por motivos religiosos? Poderá ser preso, censurado?

 
A criminalização da homofobia resulta de um impulso nobre, que objetiva proteger pessoas discriminadas pelo que fazem em sua vida privada. Não pode, porém, servir para cercear liberdades que fundamentam a própria convivência civilizada e democrática. Da Folha de São Paulo desta terça-feira


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CABRAL LANÇA 'BOPE GAY' CONTRA HOMOFOBIA

Sérgio Cabral com o boné gay lançou o 'Bope purpurina'
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, anunciou nesta segunda-feira a autorização da participação de policiais e bombeiros uniformizados nas Paradas LGBT. Eles também poderão usar as viaturas oficiais da corporação enquanto estiverem nas celebrações do orgulho gay. O evento de hoje lançou a campanha ‘Rio Sem Homofobia’, que começará na terça-feira, com peças de rádio, televisão, cartazes, outdoors, anúncios em ônibus, mobiliário urbano e folhetos, além de um site e itens promocionais, como camisetas, barracas de praia e blocos.
A decisão de autorizar agentes do estado a participar uniformizados das manifestações tem forte valor simbólico. Em todo o país – e no resto do planeta – o respeito à opção sexual de integrantes de forças militares e policiais é um tabu. A autorização torna-se, assim, um estímulo para que os servidores tornem pública sua orientação sexual.
O lançamento da campanha no Rio, e a autorização para que agentes do estado assumam publicamente a homossexualidade, são movimentos que transformam o governador do estado em uma das vozes contra a homofobia em nível nacional. Uma das ações que permitiu o reconhecimento da união civil entre pessoas do mesmo sexo, no início do mês, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foi proposta pelo governo do Rio.
Entre os presentes na cerimônia estavam a senadora Marta Suplicy (PT-SP), que representa a frente parlamentar LGBT no Congresso Nacional, e o coordenador do novo programa, Cláudio Nascimento, que é também presidente do Conselho Estadual dos Direitos da população gay. Ele aproveitou a ocasião para defender a criminalização da homofobia. “A próxima etapa é fazer com que o Congresso saia da letargia, da sua covardia em relação a esse debate, e assuma de forma objetiva e sincera um setor da sociedade que está excluído dos direitos plenos de cidadania. É preciso ter uma legislação que torne crime a prática da homofobia”, disse Nascimento.
O governador também se posicionou favorável à transformação da homofobia em crime. Ele acredita que o Senado vai aprovar o projeto de lei 122/2006 que trata da tipificação desse tipo de delito. As peças publicitárias que começarão a ser apresentadas nos veículos de comunicação a partir de amanha foram mostradas nesta segunda.
O primeiro dia do projeto será acompanhado da saída de caravanas de 27 estados para pressionar o Congresso Nacional a votar o projeto de lei 122/2006. Para Nascimento esse é o segundo passo a ser dado depois da aprovação do Supremo Tribunal Federal da legalização da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Do portal da revista Veja

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