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quinta-feira, abril 05, 2012

RARIDADE: LUIZ HENRIQUE CANTA 'FLORIANÓPOLIS' AO SOM DA BOSSA E DO BALANÇO DE WALTER WANDERLEY


Conheci Luiz Henrique Rosa pelas ondas curtas da Rádio Guarujá de Florianópolis.  Quando Luiz Henrique conheceu o sucesso eu vivia ainda em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, interior de Santa Catarina. Estávamos nos primeiros anos da década dos 60 do século passado. A bossa nova, o rock dos Beatles e o jazz ouvia pelo velho rádio Philco do meu pai. Grudava o ouvido no rádio para descolar depois no violão as músicas que eram sucesso. De cara gostei do Luiz Henrique com sua voz mansa, minimalista, com bom timbre e meio no estilo de João Gilberto. 
Alguns anos depois, em finais de 1970, já estava aqui na Ilha para cursar a universidade e onde me radiquei. Nos anos 70 Florianópolis era apenas uma província com status de capital. E creio que no ano seguinte ou em 1972, é que fui conhecer pessoalmente o Luiz Henrique. 
Nessa época as praias de Coqueiros e Itaguaçu, na parte continental de Florianópolis, eram povoadas pelos estudantes durante os finais de semana no verão. Era lá que se reunia o que hoje se identifica como "a galera". Num daqueles dias de verão enquanto degustava uma cerveja num boteco à beira da praia de Coqueiros, (não bebo mais há pelo menos 20 anos e passei a detestar o álcool) quando avistei um grupo tendo à frente um sujeito com chapéu de palha e um bigodão. Um dos circunstantes comentou: aquele bigodudo é o Luiz Henrique, o cantor e compositor aqui da Ilha quee retornou dos Estados Unidos.
Os amigos de Luiz Henrique estavam comemorando a volta do músico à sua terra, depois de uma década de sucesso nos States, onde gravou com gente graúda do jazz e da bossa nova. 
Pouco tempo depois fui apresentado ao famoso Luiz Henrique e ficamos amigos. Volta e meia nos encontrávamos para falar de música e, sobretudo, de sua história nos Estados Unidos, onde chegou a ser o namorado de Lisa Minelli, a célebre artista que anos depois, pelas mãos do próprio Luiz Henrique, passou um carnaval aqui na Ilha. Lembro-me que acompanhei a entrevista que ela concedeu ao jornal O Estado, onde nessa época eu era editor de política.
Luiz Henrique sempre foi um sujeito calmo, voz mansa, entusiasmado pela música, pelos projetos culturais. Lamentavelmente, faleceu com pouco mais de 40 anos de idade num acidente automobilístico quando saía do famoso Armazém Vieira, num bairro próximo ao centro de Florianópolis, onde trabalhava à noite como hostess e também fazia apresentações.
Agora há pouco, o filho de Luiz Henrique Rosa, o Raulino, que conhera mais tarde, me descobriu no FaceBook onde agora estamos conectados. Como seu pai, Raulino é um grande sujeito e já resgatou muita coisa da obra de Luiz Henrique, tendo sido o responsável pela postagem de inúmeros vídeos no YouTube.
Visitando a sua página no FaceBook encontrei este vídeo com o áudio da trilha de um CD que Luiz Henrique gravou em 1967, em New York, com a banda do famoso organista brasileiro Walter Wanderley, um craque no Hammond e que criou um estilo próprio de tocar samba e bossa nova no órgão. O nome do CD é Popcorn, que por sinal tenho uma cópia. Se não me engano a gravação tem o respeitável sêlo da Verve, que só faz gravações até hoje com artistas top do jazz. Nessa época a bossa nova estourou em New York. Aliás Luiz Henrique, como Walter Wanderley, Sivuca e tantos outros feras da bossa nova acabaram indo para os Estados Unidos. Luiz Henrique não só trabalhou e gravou com os grandes nomes da bossa nova, mas também com jazzistas célebres.
Assim, resolvi postar aqui o vídeo com o áudio de uma música de autoria do próprio Luiz Henrique, que traduz a paixão que tinha pela Ilha, denominada Florianópolis. Nada menos que a banda de Walter Wanderley acompanha Luiz Henrique em todo este CD que talvez só seja encontrado nos Estados Unidos, Europa e Japão. É um clássico da bossa. 
Depois daquela década de sucesso nos Estados Unidos Luiz Henrique decidiu voltar para Florianópolis porque ele tinha verdadeira adoração pela nossa cidade-capital. Poderia ter ficado para sempre nos Estados Unidos ou retornado para o Rio ou São Paulo. Mas optou por Florianópolis. Luiz Henrique era uma pessoa de uma simplicidade extrema, mesmo quando estava ao lado de Lisa Minelli no esplendor de sua juventude, fama e sucesso. 
Luiz Henrique gostava de se autodenominar "manezinho', como são chamados os ilhéus, embora Luiz Henrique tenha nascido em Tubarão (SC), já que seu pai, o saudoso Loló, era fiscal da Fazenda e, por razões profissionais, tinha trabalhado em diferentes cidades do interior do Estado. 
Vindo pequeno para cá, Luiz Henrique incorporou os hábitos manezinhos que nem mesmo o glamour de New York daqueles anos dourados da música foi capaz de apagar.
Luiz Henrique deixa saudades para sempre! 
Valeu Raulino Rosa, pela postagem deste vídeo.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

O "DESAFINADO" NA VOZ AFINADÍSSIMA DE ANDREA MOTIS, A GRANDE REVELAÇÃO DO JAZZ DA CATALUNHA.


Nem tudo está perdido, minha gente. Abro espaço para essa talentosa jovem revelação do jazz de Barcelona, Catalunha, Andrea Motis. Com apenas 16 anos de idade, deve completar 17 neste ano, Andrea Motis já é uma artista de primeira linha. Além de cantar afinadíssima, com estilo próprio e timbre diferenciado, ainda toca trompete e sax. 
Andrea foi uma descoberta casual do maestro Joan Chamorro que rege o quinteto e toca sax tenor nesta apresentação. Apaixonado pelo jazz, Chamorro é professor numa escola de música em Sant Andreu, um dos 11 distritos de Barcelona. Andrea Motis foi e é sua aluna nessa escola que reúne principalmente adolescentes e crianças que se dedicam a aprender a execução de um instrumento musical.
De repente o experiente maestro e multi-instrumentista viu que tinha um talento nato entre seu concorrido alunado: Andrea Motis, aos 12 anos já fazia parte dos grupos musicais que iam surgindo pelo dedicado trabalho de Chamorro. Logo Andrea já estava tocando e cantando em inúmeras apresentações dos grupos profissionais dirigidos pelo maestro. Recentemente, o quinteto de Chamorro gravou um CD de jazz em que a estrela é Andrea Motis.
Andrea canta com desevoltura e delicadeza os mais famosos standards do jazz e da bossa nova, como vocês podem conferir no YouTube. Nesta apresentação ao vivo no Festival Internacional de Jazz de Barcelona, no Teatro Coliseum, em novembro de 2011, Andrea arrebata o auditório lotado. Canta com rara competência, charme e swing, o Desafinado (versão em inglês), de Tom Jobim, uma das mais famosas composições desse brasileiro excepcional dotado de insuperável genialidade musical.
Acompanham Andrea nessa excelente performance Joan Chamorro, na regência e sax tenor; Ignasi Terraza, piano; Josep Traver, guitarra, David Mengual, contrabaixo e Esteve Pi, bateria.
Enquanto no Brasil a bossa nova é esquecida para dar lugar ao pagode, ao axé e ao sertanejo, no exterior é idolatrada em teatros lotados como mostra este vídeo. 
A bossa nova, como já afirmei aqui no blog em diversas oportunidades, é a única coisa de importância cultural internacional já criada no Brasil. Está no mesmo patamar do jazz e as composições de Tom Jobim estão rigorosamente no mesmo nível dos mais importantes compositores de jazz de todos os tempos.
Envio daqui do blog o meu afetuoso abraço a Andrea Motis e os melhores cumprimentos ao maestro Chamorro e a todos os músicos pela competência,  profissionalismo e bom gosto.
A apresentação está espetacular!

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domingo, outubro 02, 2011

A BOSSA PURA E LEGÍTIMA DE MAURÍCIO EINHORN


Duas músicas da bossa nova que estão imortalizadas em inúmeras gravações pelo mundo afora são Batida Diferente e Estamos aí, da frutífera parceria de dois músicos de raro bom gosto e muito suingue, Maurício Einhorn e Durval Ferreira, este último já falecido.
Sempre é bom dar uma busca pelo Youtube. Todas as vezes que pesquiso por lá encontro raridades como essa. O gaitista velho de guerra, já de cabelos brancos, é o grande músico e compositor Maurício Einhorn, justamente o parceiro de Durval nestas duas músicas. Considero Einhorn um músico de competência extraordinária e no mesm nível do veterano e célebre gaitista Toots Thielemans. 
Neste vídeo Einhorn faz um duelo como o não menos competente Gabriel Grossi, uma revelação jovem. Acompanham no teclado Guilherme Ribeiro e na bateria Sérgio Machado.
Notem nos improvisos perfeitos de ambos quando entremeiam fraseados de outras músicas encaixando-os perfeitamente dentro dos temas. 
Todas as vezes que posto vídeos de música aqui no blog observo que a bossa nova é a única coisa de destaque criada no Brasil, tanto é que vem sendo tocada e gravada pelas maiores celebridades do jazz internacional. A bossa nova é elegante e sofisticada e por isso só é tocada em lugares muito especiais para quem tem ouvido privilegiado e extremo bom gosto.
Em contrapardia, o que se faz hoje em termos de música no Brasil é uma coisa completamente sem graça e diminuta. A isso denominam MPB e muitas vezes querem atirar nesse balaio a bossa nova. A Bossa não é MPB. A bossa é o único gênero de música popular que se encontra na mesma altura e importância do jazz, além do que é um marco divisório na história da música popular brasileira. É ela, a bossa nova, a única coisa que confere um verniz civilizatório e de modernidade para esse Brasil vilipendiado, açoitado por um turbilhão de violência e grosseria que, aliás se reflete na produção musical da atualidade brasileira. 
E isto não é nostalgia nem saudosismo não! É a verdade! Tanto é que desafio quem me apresente alguma música brasileira fora da bossa nova que se tenha tornado um standard da música popular internacional.
Bom. Mas o que interessa é o vídeo que está aí acima. Um show da melhor qualidade e fico feliz em ver esses músicos jovens que sabem das coisas. Que sabem o que é bom. 
Um excelente domingo para todos os caríssimos leitores. Ao longo do dia o blog será atualizado sempre com a garantia do jornalismo politicamente incorreto. 

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terça-feira, agosto 09, 2011

'EU SEI QUE VOU TE AMAR' NA VOZ DO SAUDOSO HENRI SALVADOR NUM ARRANJO SUPIMPA!


Uma volta pelo YouTube sempre vale a pena. Tanto é que acabei de descobrir essa versão de Eu Sei que Vou Te Amar, de Jobim e Vinícius, num arranjo especial na voz do saudoso Henri Salvador, contendo uma palhinha do Gilberto Gil. Henri faleceu aos 90 anos de idade em 2008, em Paris, pouco tempo depois de ter sido homenageado em grande estilo pelos franceses. 
A gravação que sonoriza este ótimo clip foi feita quando Henri Salvador visitou o Brasil em 2006 e deve fazer parte do CD  "Révérance". Várias faixas foram gravadas no Brasil, com arranjos de Jacques Morelembaum e a participação de músicos como João Donato e Jorge Helder. 
Interessante é que a presbiafonia que castiga a voz de qualquer pessoa com idade avançada, prejudicou pouco Henri Salvador que, além de ter chegado aos 90 anos com bom humor e vitalidade, manteve suas atividades profissionais se apresentando em shows, cantando e gravando memoráveis duetos com as maiores celebridades internacionais do jazz.
Agora estou correndo atrás deste CD, mídia digital que está desaparecendo. Entretanto a providencial tecnologia já coloca à disposição todo o acervo musical, desde as velhas bolachas de vinil, na grande nuvem que liga milhares de servidores ao redor do planeta. Tudo que está digitalizado permanecerá eternamente disponível até que o planetinha faleça por indigestão politicamente correta ou seja abalroado por um desses asteróides que viajam pelo universo.
Tragédias à parte, o negócio é curtir este vídeo com o delicioso arranjo que transfere o samba-canção para o patamar do indefectível sincopado da bossa. Eu Sei Que Vou te Amar é uma música sublime. Um delicado coágulo de emoção. 
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sábado, agosto 06, 2011

ESPELHO DAS ÁGUAS: A BELEZA DA MÚSICA E DA POESIA DO GRANDE TOM JOBIM


Em meio a tantas iniqüidades sob a dominância de um ambiente kitsch que marca este século XXI é a tecnologia que nos salva e proporciona o resgate e compartilhamento de obras de arte como são a música e a poesia de Tom Jobim, que está entre os maiores, se não é o maior compositor no âmbito internacional da música popular. "Espelho das Águas", embora não seja a mais conhecida desse prolífico compositor é uma de suas composições mais bonitas. Além de pianista, flautista, violonista, compositor e maestro de rara criatividade, Tom era também um poeta apaixonado e de seu cérebro brilhante fluiram canções e poemas de rara beleza. Tanto é que suas músicas se transformaram em standards e são interpretadas e gravadas em todos os quadrante do planeta pelos maiores nomes do jazz e faz parte da bossa nova, gênero musical do qual Tom foi um dos criadores ao lado de João Gilberto. A rigor, a bossa nova é a única coisa relevante criada no Brasil.
Este vídeo traz apenas o áudio dessa gravação de Simone, num bem cuidado arranjo de César Camargo Mariano que toca e também dirige a orquestra que inclui instrumentistas consagrados como o guitarrista e violonista Hélio Delmiro e o grande acordeonista Sivuca, este já falecido.
Curioso é que a expressão artística legítima acontece durante rápidos interregnos na história da humanidade. Isto pode se repetir, mas também pode nunca mais acontecer. Este século XXI está sendo um deserto na seara da música e, praticamente, em todas as demais produções artísticas. 
É interessante notar que os momentos mais expressivos da verdadeira arte têm impacto positivo no âmbito da política, determinando a valorização da democracia e da liberdade. Até porque beleza e liberdade, costumo afirmar, são corolários. Não há beleza sem liberdade. São conceitos interdependentes. 
Transcrevo a letra da música e abaixo a ficha técnica desta gravação:
Espelho das Águas
(Tom Jobim)

Meus olhos cansados procuram
Descanso no verde do mar
Como eu procurei em você
O descanso que a vida não dá

Seria talvez bem mais fácil
Deixar a corrente levar
Quem sabe no fundo eu quisesse
Que tu me viesses salvar

Depois lá no alto das nuvens
Você me ensinava a voar
Mais tarde no fundo da mata
Você me ensinava a beijar

Meus olhos cansados do mundo
Não se cansam de contemplar
Tua face, teu riso moreno
Teus olhos do verde do mar

Meus olhos cansados de tudo
Não cansam de te procurar
Meus olhos procuram teus olhos
No espelho das águas do mar

Supõe que eu estivesse morrendo
Mas não te quisesse alarmar
Pensei que você não soubesse
Que eu me queria matar

Meus olhos cansados de tudo
Não cansam de te procurar
Meus olhos procuram teus olhos
No espelho das águas do mar
Piano Yamaha: Cesar Camargo Mariano
Guitarra, violão, assovio: Hélio Delmiro
Baixo: Pedrão
Percussão: Chagal
Orquestra de Cordas:
Violinos: Pareshi (spalla), Alves, Aizik, Vidal, Walter Hack, Carlos Hack, Paschoal Perrotta, Guetta, Michel Bessler
Violas: Penteado, Macedo, Hindenburgo, Marcos Nisenson
Cellos: Watson Clis, Alceu
Acordeon: Sivuca
Arranjos e Regências: Cesar Camargo Mariano

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domingo, julho 24, 2011

O JAZZ E A BOSSA NA VOZ DELICADA DE STACEY KENT. UMA DÁDIVA NESTE DESERTO MUSICAL QUE TEM CARACTERIZADO O SÉCULO XXI



Um dos melhores shows musicais dos últimos tempos no Brasil acontecerá em Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro, com a voz delicada e incisiva que Stacey Kent. Embora não a conheça pessoalmente, tenho que lhes dizer que já a conheço musicalmente há um bom tempo. 
Por acaso descobri Stacey no YouTube e postei imediatamente aqui no blog em 2008 como vocês podem conferir aqui. E logo após essa agradável descoberta consegui comprar um dos últimos CDs dessa fabulosa artista Breakfast on the Morning Tram. No YouTube vocês poderão encontrar vários vídeos com suas interpretações.
Stacey é uma cantora de jazz extraordinária e que passeia com desenvoltura pela bossa nova e pelas canções francesas. Poliglota, como verão na entrevista que concede à Veja no primeiro vídeo acima, além do inglês, fala fluente o francês e o português. No segundo vídeo ela interpreta Águas de Março, de Tom Jobim. Lá no site de Veja há mais alguns vídeos dela cantando e vale a pena conferir. 
Trancrevo um bom texto biográfico sobre Stacey Kent que está no site da revista Veja. Eis aí um belo show musical, sobretudo civilizado e de bom gosto, coisa cada vez mais rara neste século XXI. Leiam:
Na primeira semana de agosto, a cantora americana Stacey Kent se apresenta em Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro. Os shows fazem parte do festival I Love Jazz, que traz ainda a pianista Judy Carmichael, o trompetista John Faddis e o guitarrista Buck Pizzarelli. Stacey diz que ama o Brasil – e isto está longe de um elogio pró-forma. Ela toma aulas de português e já declarou várias vezes o quanto aprecia a música de compositores como Caetano Veloso e Chico Buarque. E cada visita da cantora ao país é uma lição de simpatia, talento, profissionalismo e paixão.
Nascida em Nova York, Stacey Kent mudou-se para Oxford, na Inglaterra, no ano de 1991, onde estudou jazz na tradicional Guildhall School of Music and Drama. Ali conheceu seu futuro marido, o talentoso saxofonista Jim Tomlinson – e por conta dessa paixão ela firmou suas raízes na Europa. Em 1997, Stacey Kent lançou seu disco de estreia, Close Your Eyes, que trazia standards de clássicos de Cole Porter, da dupla Jerome Kern e Johnny Mercer, entre outras canções. A discografia dela traz ainda álbuns inspirados no repertório dos filmes de Fred Astaire, do compositor Richard Rodgers e um composto apenas de sucessos gravados por artistas do sexo masculino. Breakfast on the Morning Tram, lançado quatro anos atrás, trazia outros elementos à música de Stacey. Havia canções escritas em parceria com o escritor Kazuo Ishiguro e flertes com o pop e a MPB. Boa parte desses ingredientes foi mantida nos discos seguintes da cantora.
Stacey é uma das melhores intérpretes da atualidade. Tem uma voz delicada, porém expressiva (que dá um novo sentido a canções como I’m Gonna Wash That Man Out of My Hair, do musical South Pacific, e Las Saison des Pluies, de Serge Gainsbourg),  e transforma qualquer canção pop num standard de alto escalão – como se pode perceber em Jardin d’Hiver, de Benjamin Biolay e Keren Ann. O repertório de Stacey também foge do óbvio, vide seu último disco Raconte-Moi, que traz uma versão em francês de Águas de Março, de Tom Jobim, além de pérolas da chanson. Para o VEJA Música, Stacey, além de encantar toda a equipe do programa, preparou quatro números musicais: Les Eaux de Mars, Mi Amor (de Claire Denamur), I’ve Grown Accustumed to His Face (da dupla Alan Jay Lerner e Frederick Loewe) e Landslide (de Stevie Nicks). Há de se destacar o Trio Corrente, que atuou como banda de apoio de Stacey Kent. Do site da revista Veja

domingo, julho 10, 2011

A BOSSA E O BALANÇO DE KARRIN ALLYSON


Trago para vocês uma apresentação da cantora e pianista de jazz americana Karrin Allyson e sua banda no Festival de Jazz de Montreux de 2003. A música é 'O Barquinho', de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, clássico da bossa nova num arranjo muito bom. Destaque para o improviso do excelente guitarrista Danny Embrey que inclusive integrou por um bom tempo a banda de Sérgio Mendes. Mas todos os músicos são feras, embora não possa nominá-los porque  não estão listados no YouTube
Karrin Allyson já gravou muitas músicas da bossa nova. Tem charme, bossa e balanço. Se quiserem ouvir o audio de quatro músicas que gravou recentemente e que estão no seu site, clique AQUI. Inclui-se 'Estrada Branca' e 'Só tinha de Ser com Você'.
Tenham todos um excelente domingo.

sexta-feira, março 18, 2011

Jazz: Ouça Joe Pass tocando Estate


Estate by Joe Pass
Estate é uma música italiana famosa e que acabou sendo celebrizada por João Gilberto num arranjo para bossa nova, creio que no final dos anos 60 do do século passado. Está presente naquele que é um dos seus melhores CDs, intitulado 'Amoroso', e o arranjo é do mestre Claus Ogerman. Tanto é que Estate é uma música que se transformou num standard do jazz e tem dezenas de gravações nas quais prevalece o toque bossanovista que também predomina nesta brilhante interpretação do fabuloso guitarrista americano já falecido, Joe Pass, um dos ícones do jazz.

Tive acesso a este CD pelas mãos do meu amigo guitarrista e professor de música Cássio Moura, aqui de Florianópolis. Trata-se de uma coletânea. O CD foi editado na França e suponho que seja difícil encontrá-lo no Brasil, país que embora seja o berço da bossa nova não produz mais nada que preste em termos de música popular e muito menos a erudita. A salvação é a internet que abre acesso direto às lojas dos Estados Unidos que dão um banho, enquanto por aqui impera o pagode e o (arg!) 'sertanejo universitário', que consagra o kitsh em detrimento da verdadeira arte.


Para quem gosta do jazz e da bossa nova notará nesta interpretação de Joe Pass que o arranjo se impõe justamente pela sua delicada simplicidade. Mas cada nota emitida pela guitarra de Pass dá a dimensão de sua genialidade. Destaque para o  econômico porém genial improviso.


Este é um post que considero ótimo para abrir este final de semana e serve para contrastar com o que é tocado nas baladas burlescas à quais se entrega a manada.

domingo, fevereiro 27, 2011

JAZZ DE PRIMEIRA COM UMA PITADA DE BOSSA


Está aí para vocês e, principalmente para quem gosta de jazz, uma excelente apresentação do Avischai Cohen Trio com a Bohuslän Big Band. Peguei a dica lá no FaceBook do meu amigo e exímio saxofonista Bernardo Fabris filho do meu grande amigo jornalista Valério Fabris.
Valério foi durante muito anos diretor do jornal Gazeta Mercantil na sua melhor fase. Aliás A Gazeta foi um dos melhores jornais brasileiros e chegou a reunir um time de profissionais de primeira. Valério dirigiu durante um bom período a Sucursal da Gazeta Mercantil em Florianópolis lá pelos idos do final da década dos 80 do século passado. Putz! Deixou Florianópolis para dirigir a sucursal de Belo Horizonte e lá se fixou onde atua na área de consultoria em comunicação. 
O tempo passa de forma vertiginosa. Na época em que Valério vivia aqui Bernando era um garoto que estava começando a aprender saxofone. Hoje é um músico profissional e professor da Universidade Federal de Ouro Preto e fico muito feliz de poder trocar informações com ele através do FaceBook.
Como afirmei no início destas linhas ainda não conhecia o trio e nem a big band do vídeo que destaco acima. Entretanto, ambos tem excelente qualidade jazzística e exploram com competência as infinitas possiblidades do jazz. Tanto é que nesta apresentação há no arranjo, prestem a atenção, uma pitada do balanço da bossa nova. Vale a pena ver. O vídeo está em alta definição. Coisa de primeira.
Agradeço ao Bernardo pela dica. E fico aguardando um vídeo de alguma de suas apresentações aí em Belo Horizonte para postar aqui no blog.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

A SUAVIDADE DA BOSSA DE JOÃO GILBERTO PARA COMEÇAR BEM A SEMANA



Para começar bem o primeiro dia útil de 2011 nada como uma música suave na voz econômica, porém afinadíssima do grande mestre João Gilberto. Neste vídeo ele canta aquela que é sem dúvida a obra-prima do famoso compositor, pianista e cantor italiano Bruno Martino: "Estate", na voz de João Gilberto, com o arranjo perfeito do maestro Claus Ogerman também um boassanovista que trabalhou com Tom Jobim. Isto fez repercutir ainda mais essa belíssima canção da música popular internacional, consagrando-a com um standard do jazz. Esta apresentação de João Gilberto com orquestra é de 1983, em Roma. No final, se ouve entre os aplausos gritos de Bravo! Bravo!

Quando em 2008 a bossa nova completou 50 anos João Gilberto apresentou um show comemorativo no pretigiado Carnegie Hall, em New York, local que foi palco do legendário festival de bossa nova no iníco dos anos 60 do século passado, quando a bossa nova estourou nos Estados Unidos para consagrar-se defintivamente ao lado do jazz como um gênero musical maiúsculo da música popular. Os caracarás tropicalistas ainda não haviam despontado, o que aconteceu no final daquela década para que o kitsch fosse entronizado lamentavelmente no cenário musical brasileiro.

Seguramente este foi o mais importante evento comemorativo aos 50 anos da bossa nova. Da relação das músicas que João Gilberto apresentou as que se transformaram em standards eram todas de autoria de Tom Jobim.

Tom e João Gilberto são os dois gênios criadores da bossa nova. João foi o responsável pela descoberta da batida sincopada do violão e o introdutor da forma de cantar intimista, sem alongamentos e vibratos completamente dispensáveis, sem gritar ao microfone.


Numa de suas últimas entrevistas, Henri Salvador, o grande compositor, guitarrista e cantor francês – também bossanovista - nascido na Guiana Francesa que faleceu aos 90 anos de idade em 2008, fez a seguinte observação que nunca mais esqueci: uma das grandes invenções da eletrônica foi o microfone.

Por que? Simplesmente porque o cantor não precisa gritar, ensinava Salvador. Portanto, basta cantar sem qualquer esforço, até mesmo balbuciar, quase segredar, por exemplo “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça”.

É isto que Henry Salvador fazia, embora dono de uma voz superior a de João Gilberto. Mas como toda a verdadeira arte é criada por poucos, também é consumida por um público reduzido. A sensibilidade é algo rarefeito no universo humano.

A bossa nova é a única coisa que presta criada no Brasil. Até hoje ainda não entendo como e por que surgiu aqui neste lixão. Tom Jobim era, antes de tudo, um gênio, como João Gilberto continua sendo. 

Nenhum compositor brasileiro se iguala a Tom Jobim, enquanto cantores como João Gilberto, capazes de enfrentar dois mil expectadores no famoso Carnegie Hall cantando absolutamente sozinho com o seu violão. Convenhamos, mas é façanha de poucos.

domingo, dezembro 26, 2010

SARAH VAUGHAN: SOBERBA!



A genialidade nas artes como nos demais ofícios é rarefeita. A música, como expressão artística mais difundida tem os seus gênios. Fico aqui apenas na denominada música popular enquadrando-a, entretanto, apenas nas áreas do jazz e da bossa nova. Abro um parênteses para rock dos Beatles porque incorporou alguns pitacos do jazz e arranjos mais complexos, especialmente na fase madura do quarteto e pelas mãos do competente George Martin.

A rigor o rock é um tipo de música popular grosseira e limitada, especialmente no que tange à harmonia. Meia dúzia de acordes quadradões dão conta do recado, ao contrário do jazz e da bossa nova de estrutura harmônica complexa com base em tétrades e acréscimos bem cuidados que conferem aquela agradável dissonância que distingue esse gênero musical que só é capaz de cativar ouvidos apurados e de raro bom gosto.
 
É o caso da bossa nova, uma inteligente estilização do samba e que não me canso de afirmar ser é a única criação genuinamente brasileira relevante. Contam-se nos dedos músicas fora do jazz norte-americano que se transformaram em 'standards". A bossa nova é uma raríssima exceção e fica por conta, principalmente, das composições geniais de Tom Jobim e de mais alguns poucos bossanovistas. 


Este vídeo acima é o audio de uma faixa de um disco que extraordinário que a cantora americana Sarah Vaughan gravou no Brasil em 1977, com o título: O som brasileiro de Sarah Vaughan.
 
Ouçam com atenção e reparem a excepcional interpretação na versão em inglês da canção do prolífico e genial compositor, pianista, violonista e flautista Antônio Carlos Jobim: "Se todos fosse iguais a você".

 
Sarah Vaughan é um cantora de invejáveis recursos vocais, afinadíssima e que não joga nota fora nem por decreto. Faleceu em em 1990. 


Se os anos pós-guerra foram generosos na produção e profusão da arte musical e sobretudo na sofisticação do jazz e no aparecimento de grandes compositores, cantores e orquestras, o final do século XX começou a ser tomado pelo kitsh e isto se deve em grande parte àquilo que se chamou de contracultura nos anos 60.

Tanto é que aquela safra de genialidade foi sumindo até desaparecer quase completamente. E se formos olhar para as outras artes veremos também que se tornaram rarefeitas. O que vem sendo qualificado como arte neste século XXI dominado pela bestialidade do pensamento politicamente correto gestado nos concertos pop art regados a muita droga dos meados dos 60 do século passado, não é arte. A maioria dos produtos artísticos desse interregno de estupidez, principalmente na música, é lixo puro.
 
Dia desses li em algum jornal sobre uma dessas novas cantoras brasileiras festejadas pela crítica da grande mídia que se chama Maria Gadú. Caetano Veloso teceu loas à menina. Fui conferir e fiquei pasmo. Gadú não é cantora. Infelizmente não se pode dizer que é cantora. A banda que a acompanha nos vídeos que vi é uma coisa muito fraquinha.

 
No que tem saído de novidade na música brasileiroa da atualidade não tem  nada que preste. Durante a campanha eleitoral um desses jornalistas puxa-sacos do PT, entrevistando a Dilma Duchefe, lá pelas tantas perguntou sobre música e ela respondeu que gostava muito da banda Pato Fu. Conferi. Cáspite! Imaginem: se o rock dos roqueiros ingleses já é precário e tosco o rock brasileiro é ridículo.

 
Há pouco zapeando pelo twitter vi alguém sugerir que se ouvisse esse vídeo de Sarah Vaugh e aí me ocorreu a idéia de fazer a postagem para que os leitores possam comparar com o lixo que vem sendo produzido no Brasil. 


Este disco de Sarah é uma coisa feita com cuidado, delicadeza. É arte de primeira grandeza. Sarah é soberba, meticulosa ao emitir cada nota. A sua voz é um verdadeiro instrumento musical.
 
E vejam a ficha técnica: From the album O Som Brasileiro de Sarah Vaughan, recorded in 1977 at RCA Studio - Rio de Janeiro. Composed by Antonio Carlos Jobim and Vinicius de Moraes. English version: Gene Lees. Piano: Tom Jobim. Electric guitar: Helio Delmiro. Drums: Wilson das Neves. Percussion: Chico Batera/Ariovaldo/Luna Marçal. Orchestration: Edson Frederico.

 
Portanto, minha gente, isso é coisa de artistas que em muitas gerações não aparecerão tão facilmente. Ou melhor, jamais aparecerão. Até porque a arte quando é arte é insuperável e por isso o produto artístico é eterno. 'A arte é um coágulo de emoção'. Eita! Essa frase final é minha. Sei lá se os experts concordarão, mas é como conceituo de forma reverente a arte verdadeira.

sábado, dezembro 11, 2010

PATRULHAMENTO DA ASNICE ESQUERDISTA PROMOVE A CORROSÃO CULTURAL E ESTÉTICA DO BRASIL


No post abaixo reproduzo um vídeo excepcional com uma performance de bossa nova pelos 3 na Bossa com a participação de Roberto Menescal, músico e compositor competente que tem uma notável contribuição para a difusão da bossa nova. A música é uma arte fantástica, quando é arte. E diz muito sobre determinado momento cultural de um país, incluíndo aí a política, a economia e o estado de ânimo da sociedade. Explico na seqüência a razão do vídeo acima.

A bossa nova surgiu numa época marcada pelo avanço da democracia e pelo desenvolvimento econômico do Brasil, então sob o governo de JK. Mas os ventos da liberdade que sopraram sobre a Nação brasileira no final da década dos anos 50 do século passado não tiveram força suficiente para aplacar a fúria da idiotia esquerdista. O resultado foi a necessária intervenção militar em 1964 que evitou a cubanização do Brasil.

Mas o que eu desejo enfocar neste post é uma música do início dos anos 60 quando a maldição esquerdista resolveu atacar justamente a bossa nova, logo ela que havia operado uma mudança impressionante na música popular brasileira, internacionalizando-a defintivamente, impondo-se por sua qualidade e inovação.

É mais ou menos nessa época que surgem as tais músicas de protesto como 'Cavalgada' cuja banda utilizava uma queixada de burro como instrumento de percussão. Tinha ainda toda a grosseria de ' Carcará', pega mata e come que também abordava a temática dita de 'protesto' contra aquilo que tipificavam como 'sistema', ou seja, os valores mais caros à civilização ocidental. É naquele momento que começa a ser elaborado o pensamento politicamente correto que chega ao ápice neste século XXI.

Enquanto a bossa nova mudava os paradigmas da música popular brasileira no que respeita à harmonia e explorava uma poesia leve e otimista, contrastando com a poética botocuda do subúrbio, o esquerdismo lhe cobrava viés político de protesto. A bossa dizia "Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça" referindo-se à famosa Garota de Ipanema e, de outro lado, o Carcará comia solto nos horrorosos festivais de música brasileira que se sudeceram nos anos 60. Foram esses festivais que tentaram sufocar a bossa nova. Em parte conseguiram, ao jogar a bossa numa vala comum junto com todo o lixo dito cultural e que hoje atende pelo designativo de MPB (Música Popular Brasileira).

Mas como se pode constatar, a altíssima qualidade da bossa nova sobreviveu e ganhou o mundo, enquanto esse troço chamado de MPB ficou pertencendo aos Chicos Buarques e Caetanos Velosos que, a rigor, fazem músicas de segunda categoria e que jamais se transformaram em standards como Wave, Garota de Ipanema, Desafinado só para citar três da fabulosa obra musical do genial Tom Jobim que fez um excelente trabalho junto com aquele que é considerado o maior maestro e arranjador do século XX, Claus Ogerman.

No vídeo acima a excelente cantora brasileira de nível internacional, Leny Andrade, canta (o vídeo é apenas áudio da música com a foto de Leny) um samba dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, também competentes e prolíficos compositores. É deles o famoso 'Samba de Verão' conhecido internacionalmente pela versão em inglês intitulada 'So Nice" e que virou também um standard, gravado no mundo inteiro.

O nome do samba deste vídeo é "A Resposta". O samba é bossa nova da pura. A música tem muita qualidade e riqueza harmônica. Mas o que interessa para o que eu desejo mostrar está na letra que publico na íntegra ao final. Os irmãos Valle respondem nesta música aos carcarás detratores da bossa nova, ou seja, aqueles que "falam de morro morando de frente para o mar", como por exemplo faz o Chico Buarque que afirma falar grosso com os Estados Unidos enquanto abençoa os tiranos falando fino em nome dos favelados.

A rigor Chico Buarque não faz música, mas poesia musicada. Muito diferente da legítima bossa nova que, embora cante o mar, a flor e o amor, tem fineza melódica, harmonia perfeita e se destaca com um gênero de música popular na altura do prestigiado jazz.

A bossa original nunca se preocupou em fazer da música um trabuco revolucionário. Mas esse patrulhamento sofrido pela bossa em parte fez com que esse espetacular gênero da nossa música imigrasse para os Estados Unidos e Europa. Diversos músicos brasileiros como o Eumir Deodato, Sérgio Mendes, Luiz Bonfá, Walter Wanderley (famoso organista) foram para os Estados Unidos e lá ficaram para sempre. Dos que citei, Bonfá e Wanderley já faleceram.

O resultado dessa deletéria ação da asnice esquerdista acabou triufando no Brasil e o panorama da música brasileira foi se deteriorando e na atualidade é puro lixo. Não há uma mísera composição que se salve. E as universidades que no passado foram o berço da bossa nova, especialmente no Rio de Janeiro, hoje abrigam bailões de música sertaneja. Chamam isso de "sertanejo universitário".

Nunca é demais lembrar que a estética é uma área da filosofia que pode, grosso modo, ser conceituada como o tratado do belo. E a beleza não existe sem a liberdade. Beleza e liberdade são corolários, conceitos inseparáveis. Sem liberdade não há beleza.

Mas como disse, transcrevo a letra deste samba 'A Resposta'. Ou seja, a resposta que os irmãos Valle deram com muita categoria à estúpida patrulha dos chicos buarques daqueles tempos. A interpretação de Leny Andrade é mais do que perfeita: timbre, dicção, divisão dos compassos e graves e agudos nas horas certas. É dessas raríssimas cantoras cuja voz é na verdade um instrumento musical! 

A Resposta
Se alguém disser que teu samba não tem mais valor
porque ele é feito somente de paz e de amor
não ligue não que essa gente não sabe o que diz
não pode entender quando um samba é feliz 


um samba pode ser feito de céu e de mar
o samba bom é aquele que o povo cantar
de fome basta que o povo na vida já tem
pra que lhe fazer cantar isso também?

mas é que é tempo 
de ser diferente
e essa gente 
não quer mais saber 
de amor

falar de terra na areia do Arpoador
quem pelo pobre na vida não faz nem favor
falar do morro morando de frente pro mar
não vai fazer ninguém melhorar!


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O BALANÇO SUAVE DA BOSSA NOVA. E DIZER QUE UM DIA O BRASIL JÁ SE EXPRESSOU COM ESSA DELICADEZA E SOFISTICAÇÃO!


Trago para vocês esse excelente vídeo do grupo 3 na Bossa com Roberto Menescal, interpretando 'Você'. Trata-se de bossa nova puríssima, com aquele balanço fantástico, elegante e sofisticada harmonia. Coisa cada vez mais rara neste período nefasto e kitsh da cultura musical brasileira dominada pelas duplas sertanejas e pelo horroroso rap botocudo.

Acreditem: a bossa nova foi a única coisa relevante criada no Brasil, tanto é que continua sendo tocada e reinterpretada em todo o mundo. Menos no Brasil! É a única expressão da música popular brasileira de nível internacional e cultivada nos ambientes mais civilizados do planeta e ao lado do jazz. Aliás, todas as celebridades, os grandes nomes do jazz, sem exceção, já gravaram e continuam gravando bossa nova.

É incrível como a bossa possa ter sido concebida no Brasil. E pasmem, no Rio de Janeiro, hoje uma cidade vilipendiada pela grosseria e a estupidez do narco-terrorismo, do rap dos manos da favela do Alemão e dos bailes funk embalados pelo crack, a cocaína, maconha, cadáveres e caveirões.

Falar da bossa nova  não é nostalgia não! É uma coisa que me cobre de tristeza. Ainda bem que existe o YouTube, criado pela competência dos norte-americanos e que permite que todos, sem distinção - e isto é a essência da democracia - possam compartilhar vídeos como esse. Graças aos norte-americanos - é bom que se frise - a bossa nova não se perdeu. Neste momento, em alguma sofisticada casa noturna de New York, tenham certeza, está se ouvindo a suave dissonância harmônica das composições de Tom Jobim, Roberto Menescal, Durval Ferreira, Maurício Einhorn e tantos outros que criaram essa maravilha que os mais exigentes ouvidos reverenciam.

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