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terça-feira, março 27, 2012

LULA REAGE BEM AO TRATAMENTO, MELHORA E RECEBE VISITA DE FERNANDO HENRIQUE NO HOSPITAL

Lula se recuperou da infecção pulmonar e apresenta boa melhora geral
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso visitou nesta terça-feira o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Hospital Sírio-Libanês. O encontro começou às 11h e durou cerca de 50 minutos.
Lula estava no hospital para fazer uma sessão de fonoaudiologia e, após o encontro, retornou a sua residência em São Bernardo do Campo. Fernando Henrique entrou no local por uma porta lateral evitando os jornalistas. Do site de O Globo

sábado, dezembro 03, 2011

FHC NÃO ACERTA UMA E FAZ ECO DO DISCURSO DO PRÓPRIO PT. É ALGO LASTIMÁVEL E INACREDITÁVEL!

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, em entrevista ao jornal chileno El Mercurio, que os escândalos de corrupção nos ministérios são uma herança deixada pelo governo Lula para a presidente Dilma Rousseff. “Ela tem que demonstrar uma vontade diferente e indicar funcionários novos que não sejam corruptos”, observou.
Em visita ao Chile, onde participa de um seminário sobre economia organizado pelo Banco Itaú, o ex-presidente disse que a extensão dos escândalos que eclodiram neste ano “passam a impressão que aceitar a corrupção se tornou uma condição para governar” o Brasil.
Fernando Henrique criticou diretamente o ex-presidente Lula e disse que no seu governo houve mais impunidade. “Ele foi complacente. Sempre deu desculpas frente a condutas que não têm desculpa”, afirmou.
Drogas. O ex-presidente falou também sobre seu engajamento no debate sobre a descriminalização da maconha. Fernando Henrique defendeu a adoção de penas alternativas, “como trabalho comunitário”, e comparou a situação da droga a do tabaco. “Muita gente fumava (o tabaco), inclusive no início por glamour. Hoje isso já passou. Não houve proibição, mas sim regulação.”
FMI. Ao comentar a recente visita da presidente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, ao Brasil, Fernando Henrique disse que “é um sinal de que o mundo mudou”. Ele destacou que, no passado, eram os brasileiros que iam pedir ajuda ao fundo. “Agora eles vêm para que emprestemos (dinheiro) a outros países que precisam.” Do portal do Estadão
MEU COMENTÁRIO: Fernando Henrique não consegue acertar uma sequer. Só diz bobagens. Sobre Lula e Dilma, qual a diferença? Inclusive a Dilma, quando era Ministra da Casa Civil de Lula, preparou aquele famigerado dossiê contra exatamente a finada esposa de Fernando Henrique. Sem falar nos demais dossiês fajutos e mentirosos que o PT fabricou nas eleições passadas contra políticos do partido de FHC.
Depois endossa e repete o próprio discurso do PT, segundo o qual o FMI agora vem pedir ajuda ao Brasil. Caramba! É um besteirol histriônico.
E, como arremate, compara o tabaco com as drogas pesadas. Ora, Fernando Henrique, todos estão cansados de saber que o tabaco não faz o usuário enlouquecer e cometer crimes hediondos. O fumo prejudica apenas quem faz uso dele. Mesmo assim, em muitos casos desafia os prognósticos da medicina. Agora, com drogas como maconha, crack, cocaína e o álcool, é muito diferente, porquanto alteram completamente o comportamento do usuário levando-o a praticar atos insanos, assassinatos, violência no trânsito. O maior número de acidentes violentos no trânsito está comprovado que decorre do fato dos motoristas estarem chapados.
Vai, Fernando Henrique. Vai curtir a vida de ex-presidente, porém dando preferência às atividades que não incluam a política. Vai passear, viajar ou fazer outra coisa do seu agrado. Você fez um bom governo, porém permitiu a criação um viveiro de víboras que agora estão aí destilando a peçonha maldita que se derrama e contamina toda a Nação brasileira.
E tem mais. O seu partido, o PSDB, é um fiasco. E será o responsável pela entrega de São Paulo aos petralhas.

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segunda-feira, setembro 19, 2011

FHC EXPLICA EM VÍDEO COMO FUNCIONA O VOTO DISTRITAL E COMPARA COM O ATUAL SISTEMA QUE É UMA VERDADEIRA ABERRAÇÃO!


Neste vídeo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dá uma explicação rápida e prática do voto distrital e, ao mesmo tempo, mostra que o atual sistema eleitoral brasileiro, denominado voto unonominal é uma aberração que não tem similar no mundo.

A explanação de FHC fez parte de palestra a jovens estudantes proferida pelo ex-Presidente na Escola Internacional de Alphaville em debate do iFHC (Instituto FHC).


Lembro aos leitores que está crescendo muito o movimento #EuVotoDistrital. Há dois dias o manifesto online em favor do voto distrital já contava com mais de 81 mil assinaturas. Há pouco dei uma conferida e agora já são mais de 85 mil assinaturas! O movimento pretende atingir 100 mil assinaturas.


Se você ainda não assinou, assine agora clicando AQUI!


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quarta-feira, agosto 24, 2011

FHC CULPA LULA POR CONSOLIDAR CORRUPÇÃO

Sem citar o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso responsabilizou o "governo anterior" pelo que classificou como "consolidação" da "corrupção sistêmica" que toma conta do estado.
- (É preciso) Acabar com a corrupção sistêmica que, na verdade, foi o que foi sendo consolidado no governo anterior (de Lula). Isso é uma tarefa de todos nós - disse Fernando Henrique, depois de participar de um evento com empresários no qual falou sobre "O desafio institucional: como superar o custo-Brasil, a infalação e crescer com sustentabilidade".
O ex-presidente tucano, que no final de sua palestra falou rapidamente com jornalistas, classificou como "conversa fiada" as reações de ciúme que tem despertado tanto no PSDB quanto no PT por causa de sua aproximação com a presidente Dilma Rousseff .
- A essa altura da vida vou despertar ciúmes de alguém? Tá louco? - reagiu bem-humorado, complementando: - Isso é conversa fiada. É uma relação (com Dilma) de respeito mútuo, só isso. Uma relação civilizada, como tem que ser. Acho que é uma coisa normal.
Durante a palestra a empresários, Fernando Henrique disse que não é mais possível o país conviver com a corrupção:
- Não se consegue mais exercer o poder sem a corrupção, fruto desse jogo do toma-lá-dá-cá. Ou me dá isso ou não voto em você. E aí não se discute quais são as políticas para o país - disse. Do site de O Globo

MEU COMENTÁRIO: Enquanto FHC insiste em desvincular o governo da Dilma da dita "corrupção sistêmica", prossegue a operação abafa levada a efeito pela própria Dilma, o PMDB e o PT para manter intacta a base alugada que mantém o PT no poder. Por outro lado, Lula despacha como presidente da República com os ministros do atual governo e articula um esquema para arrebatar a prefeitura de São Paulo.
Enquanto o PSDB continua com essa posição ondulante e praticamente sem qualquer protagonismo político Lula vai dando as coordenadas para garantir o enterro da CPI da corrupção. Ou seja, o sistema corruptivo é fundamental para o projeto do PT e por isso mesmo prosseguirá incólume.
A corrupção não é apenas sistêmica, ela tem a cumplicidade da maioria da população brasileira que consagra, pelo seu absoluto silêncio e sem qualquer tipo de indignação, a destruição paulatina dos últimos vestígios de moralidade que restam.
Fernando Henrique não teve a coragem de nominar com todas as letras que Lula é o ideólogo e o mentor desde sistema político que funciona essencialmente na base da corrupção, do achaque e a extorsão. Mas preferiu citá-lo indiretamente. Há momentos em que é preciso dizer bem alto a verdade!

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terça-feira, junho 21, 2011

PSDB QUER TRANSFORMAR HOMENAGEM DOS 80 ANOS FHC NO SENADO EM ATO ATO POLÍTICO


Este é o primeiro da série de vídeos que reproduzem a entrevista que Fernando Henrique Cardoso concedeu ao jornalista Augusto Nunes, alusiva às comemorações dos 80 anos de FHC.
 
Segundo a coluna Radar desta terça-feira do site da revista Veja, Fernando Henrique, será homenageado pelo Senado em evento a ser realizado num dos auditórios da Casa no próximo dia 30.O PSDB planeja transformar o evento num grande ato político. Além de parlamentares, políticos aliados e dirigentes do partido, serão convidados os governadoreds e ministros da época em que FHC governou o país.

sexta-feira, abril 29, 2011

FHC: A ESQUERDA QUE CALA ANTE A OPRESSÃO

Transcrevo do blog eAgora artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que foi publicado provavelmente há uns dois meses mas que confesso que passei batido, isto é, não li quando veio a público. Casualmente há pouco zapeando pela internet encontrei esse escrito traduzido para o espanhol no site InfoBae onde os leitores de lingua espanhola podem ler que está muito bem traduzido.
O artigo está muito bom e faz uma análise muito pertinente sobre o comportamento daqueles partidos e líderes políticos que se auto-denominam de 'esquerda'. A reflexão de Fernando Henrique serve para demonstrar de forma cabal que a dicotomia direita e esquerda, conceitos consagrados pela filosofia política, já perderam completamente sua operacionalidade analítica. Para quem ainda não leu, recomento a leitura. O título original do artigo é 'Silêncios que falam', mas preferi o da versão em espanhol: 'La isquierda que calla ante la opresión' e que serve de título para este traduzido para o português. Leiam:
Desde quando vivi de muito perto a experiência da “revolta dos estudantes” de maio de 1968 em Paris, comecei a duvidar das teorias que aprendera sobre as mudanças sociais no mundo capitalista. Estas estavam baseadas na visão da História como uma sucessão de lutas entre as classes sociais visando ao controle do Estado para, por intermédio dele, seja manter a dominação de classes, seja destruir todas elas e construir a “sociedade do futuro” sem classes e, portanto, sem que os partidos tivessem função relevante. A qual seria crucial, na visão dos revolucionários do século 20 de inspiração leninista, apenas na “transição”, quando se justificaria até mesmo a ditadura do proletariado, exercida pelo partido.
Pois bem, nas greves estudantis da Universidade de Paris, em Nanterre e na Sorbonne (assim como nos câmpus universitários americanos, com outras motivações), que acabaram por contaminar a França inteira e repercutiram pelo mundo afora, vi, perplexo, que as palavras de ordem não falavam em “anti-imperialismo” e só remotamente mencionavam os trabalhadores, mesmo quando estes, atônitos, entravam nos auditórios estudantis “ocupados” pelos ativistas jovens. Falava-se em liberdade, em ser proibido proibir, em amor livre, em valorizar o indivíduo contra o peso das instituições burocratizadas, e assim por diante. É verdade que nas passeatas havia bandeiras negras (dos velhos anarquistas) e vermelhas (dos bolcheviques). Faltavam os símbolos do novo e mais, na confusão ideológica geral, pouco se sabia sobre o que seria novo nas sociedades, isto é, nas estruturas sociais, do futuro. Por outro lado, o estopim da revolta não foram as greves trabalhistas, que ocorreram depois, nem choques no plano institucional, mas pequenos-grandes anseios de jovens universitários que, como num curto-circuito, incendiaram o conjunto do país.
Só que, logo depois, De Gaulle, vendo seu poder posto à prova, foi buscar apoio nos paraquedistas franceses sediados na Alemanha e, com a cumplicidade do Partido Comunista, restabeleceu a antiga e “boa” norma. Por que escrevo essas reminiscências? Porque desde então o mundo mudou muito, principalmente com a revolução informática. Crescentemente as “ordens estabelecidas” desmoronam sem que se perceba a luta entre as classes. Foi assim com o desmoronamento do mundo soviético, simbolizado pela queda do Muro de Berlim. Está sendo assim hoje no norte da África e no Oriente Médio. Cada vez mais, em silêncio, as pessoas se comunicam, murmuram e, de repente, se mobilizam para “mudar as coisas”. Neste processo, as novas tecnologias da comunicação desempenham papel essencial.
Até agora, ficaram duas lições. Uma delas é que as ordens sociais no mundo moderno se podem desfazer por meios surpreendentes para quem olha as coisas pelo prisma antigo. A palavra, transmitida a distância, a partir da soma de impulsos que parecem ser individuais, ganha uma força sem precedentes. Não se trata do panfleto ou do discurso revolucionário antigo nem mesmo de consignas, mas de reações racionais-emocionais de indivíduos. Aparentemente isolados, estão na verdade “conectados” com o clima do mundo circundante e ligados entre si por intermédio de redes de comunicação que se fazem, desfazem e refazem ao sabor dos momentos, das motivações e das circunstâncias. Um mundo que parecia ser basicamente individualista e regulado pela força dos poderosos ou do mercado de repente mostra que há valores de coesão e solidariedade social que ultrapassam as fronteiras do permitido.
Mas ficou também a outra lição: a reconstrução da ordem depende de formas organizacionais, de lideranças e de vontades políticas que se expressem de modo a apontar um caminho. Na ausência delas, volta-se ao antigo - caso De Gaulle - ou, na iminência da desordem generalizada, há sempre a possibilidade de um grupo coeso e nem sempre democrático prevalecer sobre o impulso libertário inicial. Noutros termos: recoloca-se a importância da pregação democrática, da aceitação da diversidade, do direito “do outro”.
Talvez seja este o enigma a ser decifrado pelas correntes que desejem ser “progressistas” ou “de esquerda”. Enquanto não atinarem ao “novo” nas circunstâncias atuais - que supõe, entre outras coisas, a reconstrução do ideal democrático à base da participação ampliada nos circuitos de comunicação para forçar maior igualdade -, não contribuirão para que a cada surto de vitalidade em sociedades tradicionais e autocráticas surjam de fato formas novas de convivência política. Agora mesmo, com as transformações no mundo islâmico, é hora de apoiar em alto e bom som os germens de modernização, em vez de guardar um silêncio comprometedor. Ou, pior, quebrá-lo para defender o indefensável, como Hugo Chávez ao dizer “que me conste, Kadafi não é assassino”. Ou como Lula, que antes o chamou de “líder e irmão”! Para não falar dos intelectuais “de esquerda” que ainda ontem, quando eu estava no governo, viam em tudo o que era modernização ou integração às regras internacionais da economia um ato neoliberal de vende-pátria. Exigiam apoio a Cuba, apoio que não neguei contra o injusto embargo à ilha, mas que não me levou a defender a violação de direitos humanos. Será que não se dão conta de que é graças ao maior intercâmbio com o mundo - e principalmente com o mundo ocidental - que hoje as populações do norte da África e do Oriente Médio passam a ver nos valores da democracia caminhos para se libertarem da opressão? Será que vão continuar fingindo que “o Sul”, nacional-autoritário, é o maior aliado de nosso desenvolvimento, quando o governo petista busca, também, maior e melhor integração do Brasil à economia global e ao sistema internacional, sem sacrifício dos nossos valores mais caros?
Há silêncios que falam, murmuram, contra a opressão. Mas há também silêncios que não falam porque estão comprometidos com uma visão que aceita a opressão. Não vejo como alguém se possa imaginar “de esquerda” ou “progressista” calando no momento em que se deve gritar pela liberdade.

domingo, fevereiro 06, 2011

FERNANDO HENRIQUE: ESTÁ NA HORA DA OPOSIÇÃO BERRAR E PEDIR A DEMOCRATIZAÇÃO DAS DECISÕES

Ainda bem que existe o FHC para escrever algo que vá além das louvaminhas ao PT e seus sequazes derramadas pelo jornalismo petista que domina as redações da grande imprensa brasileira. Por isso transcrevo na íntegra o artigo da lavra do ex-presidente, dos poucos políticos que não necessitam de ghost-writers para se expressar através da palavra escrita. Este artigo de FHC estará em vários jornais deste domingo. Peguei há pouco no site do Diário Catarinense, o tablóide anódino do grupo grupo gaúcho RBS. O artigo está bom, tem conteúdo e idéias que faltam à maioria dos políticos brasileiros, especialmente os que compõem a aliança predatória dos cofres públicos que dá apoio ao governo do PT. Leiam:
Novo ano, nova presidente, novo Congresso atuando no Brasil de sempre, com seus êxitos, suas lacunas e suas aspirações. Tempo de muda, palavra que no dicionário se refere à troca de animais cansados por outros mais bem dispostos, ou de plantas que dos vasos em viveiro vão florescer em terra firme. A presidente tem um estilo diferente do antecessor, não necessariamente porque tenha o propósito de contrastar, mas porque seu jeito é outro. Mais discreta, com menos loquacidade retórica. Mais afeita aos números, parece ter percebido, mesmo sem proclamar, que recebeu uma herança braba de seu patrono e de si mesma. Nem bem assume e seus porta-vozes econômicos já têm que apelar às mágicas antigas (quanto foi mal falado o doutor Delfim, que nadava de braçada nos arabescos contábeis para esconder o que todos sabiam!) porque a situação fiscal se agravou. Até os mercados, que só descobrem estas coisas quando está tudo por um fio, perceberam. Mesmo os velhos bobos ortodoxos do FMI, no linguajar descontraído do ministro da Fazenda, viram que algo anda mal.
Seja no reconhecimento maldisfarçado da necessidade de um ajuste fiscal, seja no alerta quanto ao cheiro de fumaça na compra a toque de caixa dos jatos franceses, seja nas tiradas sobre os até pouco tempo esquecidos “direitos humanos”, há sinais de mudança. Os pelegos aliados do governo que enfiem a viola no saco, pois os déficits deverão falar mais alto do que as benesses que solidarizaram as centrais sindicais com o governo Lula.
Aos novos sinais, se contrapõem os amores antigos: Belo Monte há de vir à luz com cesariana, esquecendo as preocupações com o meio ambiente e com o cumprimento dos requisitos legais; as alianças com os partidos da “governabilidade” continuarão a custar caro no Congresso e nos ministérios, sem falar no “segundo escalão”, cujas joias mais vistosas, como Furnas (está longe de ser a única), já são objeto de ameaças de rapto e retaliação. Diante de tudo isso, como fica a oposição?
Digamos que ela quer ser “elevada”, sem sujar as mãos (ou a língua) nas nódoas do cotidiano nem confundir crítica ao que está errado com oposição ao país (preocupação que os petistas nunca tiveram quando na oposição). Ainda assim, há muito a fazer para corresponder à fase de “muda”. A começar pela crítica à falta de estratégia para o país: que faremos para lidar com a China (reconhecendo seu papel e o muito de valioso que podemos aprender com ela)? Não basta jogar a culpa da baixa competitividade nas altas taxas de juro. Olhando para o futuro, teremos de escolher em que produtos poderemos competir com China, Índia, asiáticos em geral, Estados Unidos, etc.

Provavelmente serão os de alta tecnologia, sem esquecer que os agrícolas e minerais também requerem tal tipo de conhecimento. Preparamo-nos para a era da inovação? Reorientamos nosso sistema escolar nesta direção? Como investir em novas e nas antigas áreas produtivas sem poupança interna? No governo anterior, os interesses do Brasil pareciam submergir nos limites do antigo “Terceiro Mundo”, guiados pela retórica do Sul-Sul, esquecidos de que a China é Norte e nós, mais ou menos. Definimos os Estados Unidos como “o outro lado” e percebemos agora que suas diferenças com a China são menores do que imaginávamos. Que faremos para evitar o isolamento e assegurar o interesse nacional sem guiar-nos por ideologias arcaicas?
Há outros objetivos estratégicos. Por exemplo, no caso da energia: aproveitaremos de fato as vantagens do etanol, criaremos uma indústria alcoolquímica, usaremos a energia eólica mais intensamente? Ou, noutro plano, por que tanta pressa para capitalizar a Petrobras e endividar o Tesouro com o pré-sal em momento de agrura fiscal? As jazidas do pré-sal são importantes, mas deveríamos ter uma estratégia mais clara sobre como e quando aproveitá-las. O regime de partilha é mesmo mais vantajoso? Nada disso está definido com clareza.
O governo anterior sonegava à população o debate sobre seu futuro. O caminho a ser seguido era definido em surdina nos gabinetes governamentais e nas grandes empresas. Depois se servia ao país o prato feito na marcha batida dos projetos-impacto tipo trem-bala, PACs diversos, usinas hidrelétricas de custo indefinido e serventia pouco demonstrada. Como nos governos autoritários do passado. Está na hora de a oposição berrar e pedir a democratização das decisões, submetendo-as ao debate público.
Não basta isso, entretanto, para a oposição atuar de modo efetivo. Há que mexer no desagradável. Não dá para calar diante da Caixa Econômica ter se associado a um banco já falido que agora é salvo sem transparência pelos mecanismos do Proer e assemelhados. E não foi só lá que o dinheiro do contribuinte escapou pelos ralos para subsidiar grandes empresas nacionais e estrangeiras, via BNDES. Não será tempo de esquadrinhar a fundo a compra dos aviões? E o montante da dívida interna, que ultrapassa um trilhão e seiscentos bilhões de reais, não empana o feito da redução da dívida externa? E dá para esquecer dos cartões corporativos usados pelo Alvorada que foram tornados “de interesse da segurança nacional” até o final do governo Lula para esconder o montante dos gastos? Não cobraremos agora a transparência? E o ritmo lento das obras de infraestrutura, prejudicadas pelo preconceito ideológico contra a associação do público com o privado, contra a privatização necessária em casos específicos, passará como se fosse contingência natural? Ou as responsabilidades pelos atrasos nas obras viárias, de aeroportos e de usinas serão cobradas? Por que não começar com as da Copa, libertas de licitação e mesmo assim dormindo em berço esplêndido?
Há, sim, muita coisa para dizer nesta hora de “muda”. Ou a oposição fala e fala forte, sem se perder em questiúnculas internas, ou tudo continuará na toada de tomar a propaganda por realização. Mesmo porque, por mais que haja nuances, o governo é um só Lula-Dilma, governo do PT ao qual se subordinam ávidos aliados.

terça-feira, novembro 02, 2010

FERNANDO HENRIQUE ANALISA A ELEIÇÃO E AFIRMA QUE NÃO ENDOSSARÁ MAIS PSDB QUE NÃO DEFENDA SUA PRÓPRIA HISTÓRIA

Nesta entrevista que está na Folha de São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso faz uma boa análise da política e, sobretudo, do seu próprio partido, o PSDB. Afirma que não mais endossará um PSDB que não defenda a sua história. Cai de pau na na ditadura do marketing da campanha e diz como deve ser feito. Fernando Henrique deveria ser ouvido pelos tucanos. Suas colocações são pertinentes, embora nas minhas contas faltou que lembrasse que política é coisa para profissionais e que a indecisão e a vaidade pessoal são sempre fatais. Leiam aqui na íntegra:

"Não estou mais disposto a dar endosso a um PSDB que não defenda a sua história", disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), ontem, em entrevista no instituto que leva seu nome, no centro de SP.
Presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique defende que o partido anuncie dois anos antes das eleições presidenciais seu candidato. "O PSDB não pode ficar enrolando até o final para saber se é A, B, C ou D."
O ex-presidente diz que Lula "desrespeitou a lei abundantemente" na campanha e que promove "um complexo sindical-burocrático-industrial, que escolhe vencedores, o que leva ao protecionismo".Para FHC, a tradição brasileira de "corporativismo estatizante está voltando". Lula é uma "metamorfose ambulante que faz a mediação de tudo com tudo". 


Folha - José Serra aproveitou a oportunidade do segundo turno como deveria? Fernando Henrique Cardoso - Serra foi fiel ao estilo dele. Tomou as decisões na campanha, com o [marqueterio Luiz] Gonzalez. Não fez diferente do que se esperaria de Serra como um candidato que define uma linha e vai em frente. O PSDB, e não o Serra, tem outros problemas mais complicados. Precisa ter uma linguagem que expresse o coletivo. Os candidatos esqueceram a campanha e não definiram o futuro. O nosso futuro vai ser fornecer produtos primários? Ou vamos desenvolver inovação, a educação, a industrialização? Isso não foi posto. 

O governo Lula patrocina a formação de grandes empresas, uma espécie de complexo "industrial-burocrático". Qual a diferença para o seu governo, que também usou o BNDES nas privatizações?
Tudo é uma questão de medida. Os fundos [de pensão] entraram na privatização porque já tinham ações nas teles e participar do grupo de controle lhes dava vantagem. Mas tive sempre o cuidado da diversificação.
O problema agora é de gigantismo de uns poucos grupos, nesse complexo, que na verdade é sindical-burocrático-industrial, com forte orientação de escolher os vencedores. Isso é arriscado do ponto de vista político e leva ao protecionismo. 


A fila do PSDB andou? Chegou a vez de Aécio Neves para presidente?
Eu não posso dizer que passou a primeiro lugar, mas que o Aécio se saiu bem nessa campanha, se saiu. Não posso dizer que passou a primeiro lugar porque o Serra mostrou persistência e teve um desempenho razoável.
Não diria que existe um candidato que diga "Eu naturalmente serei". Mas o PSDB também não pode ficar enrolando até o final para saber se é A, B, C ou D. Dentro de dois anos temos de decidir quem é e esse "é" e tem de ser de todo mundo, tem de ser coletivo.
Não estou disposto mais a dar endosso a um PSDB que não defenda a sua história. Tem limites para isso, porque não dá certo. Tem de defender o que nós fizemos. A privatização das teles foi boa para o povo, para o Tesouro e para o país. Do ponto de vista econômico, as questões estão bem encaminhadas. O problema não é saber se a economia vai crescer, é se a sociedade vai ser melhor. 


Houve sinais do que o sr. chama de "espírito" da democracia no processo eleitoral?
Não vejo. O presidente Lula desrespeitou a lei abundantemente. Na cultura política, regredimos. Não digo do lado da mecânica institucional -a eleição foi limpa. Mas na cultura política, demos um passo para trás, no caso do comportamento [de Lula] e da aceitação da transgressão, como se fosse banal.
Aqui ocorre outra confusão: pensar que democracia é simplesmente fazer as condições de vida melhorarem. Ela é também, mas não se esqueça que ditaduras fazem isso mais depressa. 


Como o sr. vê a volta de temas como religião na campanha?
Com preocupação. O Estado é laico, e trazer a questão religiosa para o primeiro plano não ajuda. 


A dose dos marqueteiros nas campanhas está exagerada?
Sim, em todas as campanhas. Nós entramos num marquetismo perigoso, que despolitiza. Hoje a campanha faz pesquisas e vê o que a população quer naquele momento. A população sempre quer educação, saúde e segurança, e então você organiza tudo em termos de educação, saúde e segurança.
Sem perceber que a verdadeira questão é como você transforma em problema algo que a população não percebeu ainda como problema. Liderar é isso. Você abre um caminho. A pesquisa é útil não para você repetir o que ela disse, mas para tentar influenciar o comportamento a partir de seus valores.
O que nós temos na campanha é a reafirmação dos clichês colhidos nas pesquisas. Onde é que está a liderança política, que é justamente você propor valor novo. O líder muda, não segue. 


A polarização nacional entre PT e PSDB completou 16 anos. Tem feito mais bem ou mais mal ao Brasil?
O que o Chile fez na forma da Concertação [aliança entre Partido Socialista e Democracia Cristã que governou o país de 1990 a 2010], fizemos aqui sob a forma de oposição. Há muito mais continuidade que quebra. O pessoal do PT aderiu grosso modo ao caminho aberto por nós. Isso é que deu crescimento ao Brasil. Agora tem aí o começo de um rumo que não é mesmo o meu, que é esse mais burocrático-sindical-industrial. E tem uma diferença na concepção da democracia. 


O que seria essa social-democracia tucana?
Social-democracia, vamos devagar com o ardor. O sujeito da social-democracia europeia eram a classe trabalhadora e os sindicatos. Aqui são os pobres. O Lula deixou de falar em trabalhador para falar em pobre. Mudou. Nós descobrimos uma tecnologia de lidar com a pobreza, mas estamos por enquanto mitigando a pobreza.
Tem de transformar o pré-sal em neurônio. Esse é o saldo para uma sociedade desenvolvida. Está se perfilando, no PT e adjacências, uma predominância do olhar do Estado, como se o Estado fosse a solução das coisas. 


Então a diferença entre PT e PSDB, para o sr., se dá em relação ao papel do Estado.
A nossa tradição é de corporativismo estatizante, e isso está voltando. É uma mistura fina, uma mistura de Getúlio, Geisel e Lula. O Lula é mais complicado que isso, porque é isso e o contrário disso. Como é a metamorfose ambulante, faz a mediação de tudo com tudo. Lula sempre faz a mediação para que o setor privado não seja sufocado completamente. Não sei como Dilma vai proceder. 


Isso tende a se aprofundar nesse novo governo?
A segunda parte do segundo mandato de Lula foi assim. A crise global deu a desculpa para o Estado gastar mais. E o pobre do [John Maynard] Keynes pagou o preço. Tudo é Keynes. Investimento não cresceu, gasto público se expandiu, foi Keynes. Não acho que o Brasil vá no sentido da Venezuela porque a nossa sociedade é mais forte. Aqui há empresas, imprensa, universidades, igrejas, uma sociedade civil maior, mais forte. Isso leva o governo a ter cautela. Veja o discurso da Dilma de ontem [domingo]. Ela beijou a cruz. Ela tem que dizer isso, que vai respeitar a democracia, porque senão não governa. 


O que esperar de Dilma?
Não sabemos o que ela pensa, nem como é que ela faz. O Brasil deu um cheque em branco para a Dilma. Vamos ver o que vai acontecer com a conjuntura econômica. Há um problema complicado na balança de pagamentos, um deficit crescente, uma taxa de juros elevada e uma taxa de câmbio cruel.
Da Falha de São Paulo desta terça-feira 



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