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sábado, julho 02, 2011

ARTIGO: Digno e incorruptível.

Por Nilson Borges Filho (*)
Aquele antro, que atende institucionalmente pelo nome de Senado Federal, perdeu uma das figuras mais dignas da política nacional. Homem simples, de hábitos franciscanos, Itamar Franco saiu da zona da mata mineira e chegou à presidência da República de forma circunstancial.

Quando Collor, alagoano, decidiu colocar seu nome na disputa para presidente, sabia que o seu vice tinha que ser do sul ou do sudeste, acreditando que, por ser nordestino, haveria certo preconceito contra à sua candidatura. Alguns nomes foram ventilados, mas Collor acreditava que um vice de Minas, segundo colégio eleitoral, agregaria mais apoios.

Caso escolhesse um candidato do Rio desagradaria São Paulo. E se optasse por um nome de São Paulo, perderia o apoio de cariocas e fluminenses. O primeiro político mineiro a ser sondado foi o ex-governador Hélio Garcia, um fenômeno em densidade eleitoral. Com a recusa de Garcia, a vice caiu no colo de Itamar Franco que, de início, pouco se empolgou com o convite.

Itamar era, entre outras coisas, um indeciso. Quando prefeito de Juiz de Fora, Itamar tinha que se desincompatibilizar, por força da legislação eleitoral, até a meia-noite de determinado dia. Indeciso, deu meia-noite e Itamar perdeu o prazo para deixar o cargo  e assumir a sua candidatura ao Senado Federal que - entendia-se à época -  não teria a menor chance de ser eleito contra um candidato apoiado pelo regime militar.

Pois bem, Itamar decidiu-se. Mas e o prazo para a desincompatibilização? Simples assim: atrasaram o relógio e Itamar renunciou, no prazo, ao mandato de prefeito de Juiz de Fora. Eleito senador, cumpriu com extrema dignidade o cargo que os mineiros lhe delegaram. Não tivesse renunciado à prefeitura, Itamar jamais seria senador; não fosse senador jamais seria vice-presidente; não fosse vice-presidente jamais teria chegado à presidência do Brasil; não tivesse chegado à presidência jamais teria havido um sociólogo no Ministério da Fazenda, um Plano Real e dois mandatos de FHC.

Há quem diga que Itamar Franco era o homem errado no lugar errado, mas que naquele momento crítico da política brasileira se fez, na presidência da República, o homem certo no lugar certo. Digo, e já escrevi sobre isso, que Itamar Franco foi o Forrest Gamp da política: por mais que tomasse decisões erradas, lá na frente sempre dava certo. Nos últimos dias não foram poucas as manifestações de pesar pela sua morte. Em todas as manifestações encontrava-se a principal característica de Itamar Franco: incorruptível.

A indecisão de Itamar Franco me faz lembrar dois encontros, também circunstanciais, que tivemos logo após ele deixar o governo de Minas: o primeiro foi no elevador do edifício onde moro até hoje, quando Itamar pretendia adquirir um apartamento e que acabou não comprando; o segundo, oito anos atrás,  em uma loja de um shopping de Belo Horizonte, quando lhe perguntei se depois de ser prefeito duas vezes, senador duas vezes, governador, vice-presidente e presidente do Brasil sairia candidato a algum cargo?

Indeciso, em outras palavras disse mais ou menos isso: não sei, quem sabe? Itamar Franco morreu no último sábado, quatro dias depois de completar 81 anos, como senador da República por Minas Gerais, eleito em outubro de 2010. É lugar comum, mas o que fazer? A política ficou mais pobre e o senado pior do que já é.

(*) Nilson borges Filho é doutor em direito, professor e articulista colaborador deste blog.

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MORRE, AOS 81 ANOS, O EX-PRESIDENTE ITAMAR FRANCO

O ex-presidente e senador Itamar Franco (PPS), de 81 anos, morreu na manhã deste sábado, 2. Ele estava internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, desde o dia 21 de maio para tratar de leucemia. Desde então, ele permanecia licenciado de suas atividades no Senado. Nos últimos dias, o ex-presidente apresentou um quadro de pneumonia grave e precisou ser transferido para a UTI do hospital.
Baiano no registro civil, Itamar se tornou um dos mais destacados e comentados políticos mineiros das últimas décadas. Para o País, surgiu na eleição presidencial de 1989, como candidato a vice de Fernando Collor de Mello. Terminou por assumir a Presidência da República após o impeachment do ex-governador alagoano, com quem vivia às turras.
Mesmo entre os mais críticos, Itamar costumava ser reconhecido pela retidão ética. Igual reconhecimento ele sempre cobrou em relação ao legado da estabilidade do País. Econômica, com o lançamento do Plano Real durante seu governo, e política, com a transição bem sucedida após o desastroso desfecho da gestão Collor.
Com seu indefectível topete, o ex-presidente também chamou muita atenção pelo estilo intempestivo, muitas vezes enigmático. Protagonizou situações embaraçosas e embates memoráveis. Se dizia nacionalista e abusava era das referências às "montanhas de Minas".
Como político, o engenheiro Itamar gostava dos cálculos bem pessoais. Orgulhava-se de ter sido fundador do MDB, posterior PMDB, mas não fazia cerimônia: deixava o partido toda vez que seus interesses eram contrariados.
O ex-presidente também melindrava facilmente e não raro surpreendia aliados com rompantes de fúria. Atribui-se a Tancredo Neves a frase de que Itamar guardava o "ódio na geladeira". Em um ponto, porém, detratores e apoiadores concordam: na política, o acaso costumava conspirar a seu favor.
Trajetória. Itamar nasceu em 28 junho de 1930 a bordo de um navio de cabotagem, no mar entre o Rio de Janeiro e Salvador. A mãe, dona Itália Cautier, havia ficado viúva de Augusto César Stiebler Franco pouco antes do nascimento do filho e o registrou na capital baiana, onde morava um tio.
Mas Itamar cresceu e tomou gosto pela política em Juiz de Fora (MG), origem de sua família. Estudou no Granbery, o mais tradicional colégio da cidade da Zona da Mata mineira. Na rigorosa instituição, vinculada à Igreja Metodista, se tornou destaque do time de basquete.
Concluiu o curso Engenharia Civil em 1955 e naquele mesmo ano estreou na política se filiando ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Em vão, tentou se eleger vereador em 1958 e vice-prefeito em 1962. Alcançou o primeiro cargo público - a prefeitura da cidade - cinco anos depois, já filiado ao antigo MDB após o golpe militar de 1964 e o estabelecimento do bipartidarismo. Ficou no Executivo municipal até 1971. No ano seguinte, conquistou um novo mandado na prefeitura, mas em 1974 renunciou e foi eleito senador por Minas Gerais.
Já no PMDB, após o restabelecimento do pluripartidarismo, Itamar foi reeleito para mais um mandato de senador em 1982, na chapa que levou Tancredo Neves ao governo de Minas. Em 1986, deixou o PMDB e filiou-se ao PL para disputar o governo de Minas. Acabou derrotado justamente pelo peemedebista Newton Cardoso, que havia lhe fechado as portas no antigo partido.
Itamar voltou ao Senado, participou dos trabalhos da Assembleia Constituinte, mas antes de encerrar o mandato aceitou o convite do então jovem governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello, para compor como vice a chapa vitoriosa na campanha presidencial de 1989. O senador por Minas deixou então o PL para ingressar no obscuro Partido da Reconstrução Nacional (PRN). 
As rusgas com Collor começaram ainda na campanha. Tanto que o presidenciável teria solicitado uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para saber se poderia trocar seu candidato a vice.  Do portal do Estadão

sexta-feira, outubro 15, 2010

A FOTO DO DIA: FESTA DA VIRADA EM MINAS GERAIS

José Serra recebeu bandeira de Minas Gerais autografada por Aécio, Itamar e Anastasia, na festa da virada nesta quinta-feira, conforme noticiei aqui no blog em post mais abaixo.

Foto do blog Vou de Serra45 que a campanha do candidato tucano acaba de colocar no ar e cujo link está sendo enviado a milhares de apoiadores de todas as regiões do país. 


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