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sábado, outubro 29, 2011

QUANDO UM LÍDER CARISMÁTICO FICA DOENTE

O assunto dominante neste final de semana é a doença de Lula. Os jornais gastarão rios de tinta e palavrórios sobre a moléstia que acomete o ex-presidente. E, claro, só tem essa dimensão pelo fato de que Lula é um líder carismático nato e, por inúmeras variáveis que tornam a política essa coisa imprecisa e surpreendente, acabou se tornando presidente da República.
O câncer que se anuncia ter atingido Lula ganha um sentido extra e especial que se sobrepõe a casos análogos, como o que ocorreu com o vice-presidente José Alencar e mesmo com a atual presidente Dilma Rousseff.
Como Lula é uma liderança carismática a ameaça de uma doença gera sempre uma convulsão porque esse tipo de líder é insubstituível. Sempre recorro as lições da filosofia política de Max Weber e sua genial construção dos três tipos de dominação política: a dominação tradicional, carismática e legal. Segundo os fundamentos do pedido de obediência pode-se explicar cada um deles de forma ligeira: Tradicional - obedece-me porque o povo sempre o fez; Carismática - obedece-me porque eu posso transformar a tua vida e, Legal - obedece-me porque eu sou o teu superior segundo a lei. 
A primeira, dominação tradicional, tem como exemplo as monarquias absolutistas onde o poder era passado e mantido pela tradição. As atuais monarquias, ainda que possam ser democráticas, fundamentam-se na tradição, o que garante a estabilidade e evita crises institucionais. A carismática repousa sobre a crença num poder sobrenatural da liderança e a capacidade inaudita do líder de protagonizar façanhas; e finalmente, a dominação legal é o Estado moderno, ou o império da lei. Acordada em uma assembléia constituinte a Constituição do Estado, ou seja a lei matriz de todas as leis do Estado, e está acima do próprio mandatário.
Esta tipologia criada por Weber é um artifício teórico designado por ele como "tipo ideal", não no sentido metafísico de algo bom em si, mas um feixe de noções que serve para guiar uma investigação política. Na realidade não se encontram em esses tipos puros de dominação política. Poderíamos resumir os tipos weberianos como arquétipos da experiência humana. Grosso modo é mais ou menos isso.
Desses três tipos de dominação, o mais vunerável e complicado é o carisma. A tendência é sempre a rotinização do carisma que se tradicionaliza ou se legaliza. No mundo real há uma mescla desses tipos de dominação. 
Mas o importante para o que eu desejo mostrar é que a dominação carismática traz em consigo mais problemas que soluções. Queira-se ou não, apesar de estar fora do governo, Lula funciona como um vértice do qual pende o poder no Brasil da atualidade, enquanto o PT gravita em torno dele.  E mais: depende dele.
Por tudo isso, a doença de Lula surge como um problema insolúvel para seu séquito político, caso seu tratamento não tenha um prognóstico favorável. 
Às vésperas de uma eleição isso é um dado dramático para o jogo político levado a efeito pelo PT e seus satélite que juntamente com o PMDB formam a dita "base aliada". 
Em linhas gerais é por isso que o anúncio do diagnóstico sobre o estado de saúde de Lula se transforma num episódio de grande repercussão.
Esta rápida análise que ofereço aos leitores é axiológicamente neutra, isto é, não estou emitindo juízo de valor. Aponto apenas seus aspectos mais notórios em nível sociológico e político, demonstrando que lideranças carismáticas conduzem sempre a crises e problemas diversos.  Mesmo me opondo de forma dura e sistemática ao tipo de política praticada por Lula e seus sequazes, torço sinceramente para que o Apedeuta vença o câncer. 
E o fato de que o diganóstico foi amplamente divulgado é positivo em todos os aspectos.

A ciência tem transferido à medicina um arsenal terapêutico fabuloso e Lula terá amplo acesso a um tratamento com todos os recursos disponíveis. Sua chance de superação deve ser elevada, já que em muitos casos similares prognósticos têm sido positivos.
Sem abrir mão à crítica que faço a Lula e ao PT, repito: torço sinceramente pelo seu restabelecimento, ressalvando no entando que serei francamente intolerante a qualquer manipulação política dessa adversidade que pesa sobre Lula, seus familiares e seguidores.

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sábado, junho 25, 2011

UM PAÍS NÃO PODE SER MANEJADO PELO TWITTER

Chávez tentando governar a Venezuela pelo Twitter
Reproduzo as declarações do prefeito da região metropolitana de Caracas, o oposicionista Antonio Ledezma e, na seqüência analiso a situação política gerada pela doença de Chávez que há mais de dez dias se encontra em Cuba hospitalizado mas que não transfere o poder para o seu vice. Tenta governar através do Twitter! Leiam:

"Não se pode manejar um país via Twitter", afirmou neste sábado o prefeito da região metropolitana de Caracas, a capital venezuelana, Antonio Ledezma, que é de oposição ao chavismo, ao referir-se à situação gerada pelo afastamento do ditador Hugo Chávez para tratamento de saúde em Cuba, onde segue internado em 'estado crítico' conforme revelou o jornal El Neuvo Herald em reportagem que reproduzi aqui no blog em post mais abaixo.
"Nesta hora de confusões nos perguntamos: em mãos de quem está a pessoa que pode comprometer legalmente a Venezuela?, fustigou o Prefeito.
Ledezma também se pronunciou sobre a maneira como foi comemorada a Batalha de Carabobo, data histórica da Venezuela. "Aqui não se vão resolver os problemas com uma obra de teatro, mas com uma batalha contra a pobreza" - disse o prefeito acrescentando que "um governo acéfalo como o que temos não é capaz de manejar um país imerso numa profunda crise estrutural, onde são os mais inocentes que sofrem as conseqüências da improvisação, da desídia e da irresponsabilidade."
Ledezma é um dos nomes da oposição que se apresenta como candidato à sucessão de Hugo Chávez nas eleições marcadas para o ano que vem. Do site Noticias24

MEU COMENTÁRIO: O que acontece na Venezuela neste momento já é uma crise institucional decorrente do aniquilamento das instituições democráticas pela ditadura chavista. Num regime democrático uma doença e até mesmo a morte do Chefe de Estado não causam qualquer abalo político. O vice-presidente assume  ou dependendo das disposições legais acordadas na Constituição do Estado são convocadas novas eleições.
O Prefeito Ledezma tem razão ao referir-se ao fato de que não é possível dirigir um país através do Twitter. Como vocês podem conferir acima no facsímile estão selecionadas duas postagens de @ChavezCandanga no microblog.
Como numa monarquia absolutista Chávez é o Luiz XIV botocudo por encarnar o Estado venezuelano: 'O Estado sou eu', jactava-se o monarca francês. 
A situacão em que se encontra a Venezuela neste momento pode atingir também a Bolívia, o Equador e futuramente o Peru onde assumirá Humala, também ele tido como líder carismático. Recentemente, o Brasil esteve a um passo de viver esse Estado dependente de uma só pessoa, quando se aventou o terceiro mandato de Lula. Ainda assim, sem ter se concretizado esse funesto plano do PT, Lula segue exercendo seu carisma e o governo brasileiro enquanto estiver nas mãos do PT estará dependente de Lula, fato que perverte as instituições tornando o país sucetível a crises institucionais sérias.
Neste momento se tem uma lição de teoria política ao vivo e em cores, mas não acredito que motive esses professores das universidades brasileiras, na sua maioria alinhados ao PT, a utilizá-las em sala de aula para explicar aos seus alunos por quê todas as ditaduras são deploráveis, ridículas e caricatas e como são capazes de arruinar uma Nação.
De quebra os professores de teoria política, teoria geral do Direito e Direito Constitucional poderíam realizar um excelente seminário com seus alunos a respeito de democracia x autoritarismo e as razões pelas quais a dominação carismática (sentido weberiano) produz um estado de crise permanente em função de sua perene instabilidade política.