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sábado, agosto 20, 2011

CRISE ENVOLVE POLÍCIAS MILITAR E CIVIL EM SC E PREJUDICA AS AÇÕES DE SEGURANÇA PÚBLICA

Uma estranha crise está envolvendo as polícias militar e civil em Santa Catarina. Embora não esteja acompanhando mais de perto o problema, creio que os mais prejudicados são os cidadãos, haja vista para o aumento inaudito da bandidagem em todo o território brasileiro depois que o lulopetismo chegou ao poder.
Após este prólogo transcrevo matéria que está no site do Diário Catarinense, não sem antes adiantar que este blog defende as polícias porquanto entende serem elas importantes instituições democráticas ao lado das Forças Armadas. Quem acompanha o blog sabe disso.
As autoridades de comando das forças policiais por determianção do Governador Raimundo Colombo, estiveram reunidas sem que uma solução definitiva tenha sido alcançada, segundo foi noticiado.
Entretanto, nunca foi tão importante para a sociedade catarinense a eficiência e o profissionalismo das polícias militar e civil, dado ao fato, ao qual me referi no início destas linhas, do inusitado aumento do banditismo que hoje já alcança até mesmo pequenos municípios e comunidades do interior do Estado catarinense. Esta lamentável realidade ocorre em todo o território nacional.
Tanto a Polícia Militar como a Polícia Civil são organismos vitais para a segurança da sociedade. As autoridades responsáveis pela segurança pública em Santa Catarina têm de persistir com urgência na busca de solução para o problema. Leiam:

Em notas oficiais, os delegados de Polícia de São Paulo e do Paraná demonstraram nesta sexta-feira apoio à Polícia Civil de Santa Catarina. Uma manifestação (com faixas, ou mesmo paralisação) por aqui pode acontecer. O apoio veio no dia seguinte à reunião da cúpula da segurança pública no Estado, que prometeu acalmar os ânimos entre policiais Civis e Militares.

O presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp), George Melão, alega que vários governos estaduais estão fazendo "confusões jurídicas", conferindo atribuições à PM que não estão previstas na Constituição. Por isso, o Sindpesp se coloca à disposição para a realização de uma manifestação em Santa Catarina que, segundo o presidente, já teria o apoio de estados como Minas Gerais e Espírito Santo. O presidente explicou que, em São Paulo, a PC tenta impedir, na Justiça, que a PM continue autorizada a realizar Boletins de Ocorrência (BO).

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná (Sidepol) e a Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Paraná (Adepol-PR) também garantiram apoio à Polícia Civil e ao presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Santa Catarina (Adepol-SC), Renato Hendges. Conforme o presidente do Sidepol, Vinícius Augustos de Carvalho, quanto mais a PM invade as funções da Civil, mais "diminui a quantidade de profissionais no patrulhamento".

Já o presidente da Adepol-SC confirmou a intenção de uma manifestação para garantir as tarefas da PC catarinense.

— Não vamos ficar parados. Vamos à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ao Congresso, até Corte Interamericana de Direitos Humanos, se necessário.

O clima ficou tenso entre as polícias civil e militar após a divulgação no Diário Catarinense de uma gravação com declarações de um tenente-coronel da PM, em que ele ofendia delegados e autoridades do Judiciário.
Assim que o áudio chegou à chefia da corporação, o policial foi exonerado do seu cargo de comando em Jaraguá do Sul e transferido para Florianópolis. Do portal da RBS/Diário Catarinense


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sexta-feira, agosto 12, 2011

DINÂMICA DA POLÍTICA SURPREENDE KASSAB. OU: A FÁBULA DO PARTIDO CAMALEÃO.

Esta notícia mostra que Kassab não é um sujeito muito versado em política. A política é dinâmica e o quadro de luta pelo poder e sua manutenção sofre a intervenção de inúmeras variáveis imprevisíveis. É o que se vê no Brasil neste momento. Esta realidade política tem um viés pedagógico, ou seja, a sobrevivência de um político ou de um partido político têm que obedecer a um padrão, por mínimo que seja, de coerência. Outro dado que não pode ser descurado é o fato de que um político e um partido político obrigatoriamente têm de assumir posição muito definida no espectro ideológico.
Transcrevo matéria que está no site da revista Veja comprovando que Kassab imagina que possa lograr sucesso um partido camaleão. Chega a ser engraçado, se não fosse trágica a forma pela qual os políticos brasileiros pensam a respeito da política. O caso da formação do PSD é um fato concreto que ilustra o que acabei de afirmar. Leiam:
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, quer se desvincular da crise política do governo no Congresso Nacional. Segundo ele, o PSD não vai substituir o PR nem qualquer outro partido da base que decida romper com o governo. Kassab é um político de fases. Uma hora ele diz que o PSD será aliado da presidente Dilma Rousseff. Depois afirma que o partido não é nem de direita, nem de centro, nem de esquerda. Agora, voltou a dizer que o partido será “independente” no Congresso. Com a sucessão de escândalos que assolam o governo, a crise na articulação política e a "faxina" realizada em órgãos comandados por PR e PMDB, o prefeito está mais convicto do que nunca de que essa postura separatista é a melhor a ser adotada.
“Não sou da base, continuarei independente. O PSD estará a favor dos projetos compatíveis com nossas convicções. Mas os deputados que estão na base poderão continuar na base”, disse. O prefeito negou que aproveitará a insatisfação dos aliados para tentar convencê-los a se filiar ao PSD. "Não permitiremos que sejamos resultado de insatisfações partidárias por conta de relações de governo. Não quero que se crie a confusão de que surge um partido para substituir algum outro".  
PSD- A presidente Dilma prometeu receber os presidentes estaduais do PSD na próxima quinta-feira. O governo, que anda em crise com sua base no Congresso, vê no partido uma forma de recuperar a debandada de parlamentares que adotaram postura independente do governo, principalmente os do PR.   
Kassab, aliás, também enfrenta problemas de dispersão: vereadores paulistas que deixaram o PSDB resolveram não se filiar ao PSD e, sim, a outros partidos. “Não tinha encaminhamento para que eles fossem ao PSD”, disse o prefeito. 
Dívidas – Kassab foi ao Planalto pedir a redução de 9% para 6% nos juros das dívidas da prefeitura com a União. A prefeitura deve 46 bilhões de reais ao Erário. Do site da revista Veja

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sábado, junho 25, 2011

UM PAÍS NÃO PODE SER MANEJADO PELO TWITTER

Chávez tentando governar a Venezuela pelo Twitter
Reproduzo as declarações do prefeito da região metropolitana de Caracas, o oposicionista Antonio Ledezma e, na seqüência analiso a situação política gerada pela doença de Chávez que há mais de dez dias se encontra em Cuba hospitalizado mas que não transfere o poder para o seu vice. Tenta governar através do Twitter! Leiam:

"Não se pode manejar um país via Twitter", afirmou neste sábado o prefeito da região metropolitana de Caracas, a capital venezuelana, Antonio Ledezma, que é de oposição ao chavismo, ao referir-se à situação gerada pelo afastamento do ditador Hugo Chávez para tratamento de saúde em Cuba, onde segue internado em 'estado crítico' conforme revelou o jornal El Neuvo Herald em reportagem que reproduzi aqui no blog em post mais abaixo.
"Nesta hora de confusões nos perguntamos: em mãos de quem está a pessoa que pode comprometer legalmente a Venezuela?, fustigou o Prefeito.
Ledezma também se pronunciou sobre a maneira como foi comemorada a Batalha de Carabobo, data histórica da Venezuela. "Aqui não se vão resolver os problemas com uma obra de teatro, mas com uma batalha contra a pobreza" - disse o prefeito acrescentando que "um governo acéfalo como o que temos não é capaz de manejar um país imerso numa profunda crise estrutural, onde são os mais inocentes que sofrem as conseqüências da improvisação, da desídia e da irresponsabilidade."
Ledezma é um dos nomes da oposição que se apresenta como candidato à sucessão de Hugo Chávez nas eleições marcadas para o ano que vem. Do site Noticias24

MEU COMENTÁRIO: O que acontece na Venezuela neste momento já é uma crise institucional decorrente do aniquilamento das instituições democráticas pela ditadura chavista. Num regime democrático uma doença e até mesmo a morte do Chefe de Estado não causam qualquer abalo político. O vice-presidente assume  ou dependendo das disposições legais acordadas na Constituição do Estado são convocadas novas eleições.
O Prefeito Ledezma tem razão ao referir-se ao fato de que não é possível dirigir um país através do Twitter. Como vocês podem conferir acima no facsímile estão selecionadas duas postagens de @ChavezCandanga no microblog.
Como numa monarquia absolutista Chávez é o Luiz XIV botocudo por encarnar o Estado venezuelano: 'O Estado sou eu', jactava-se o monarca francês. 
A situacão em que se encontra a Venezuela neste momento pode atingir também a Bolívia, o Equador e futuramente o Peru onde assumirá Humala, também ele tido como líder carismático. Recentemente, o Brasil esteve a um passo de viver esse Estado dependente de uma só pessoa, quando se aventou o terceiro mandato de Lula. Ainda assim, sem ter se concretizado esse funesto plano do PT, Lula segue exercendo seu carisma e o governo brasileiro enquanto estiver nas mãos do PT estará dependente de Lula, fato que perverte as instituições tornando o país sucetível a crises institucionais sérias.
Neste momento se tem uma lição de teoria política ao vivo e em cores, mas não acredito que motive esses professores das universidades brasileiras, na sua maioria alinhados ao PT, a utilizá-las em sala de aula para explicar aos seus alunos por quê todas as ditaduras são deploráveis, ridículas e caricatas e como são capazes de arruinar uma Nação.
De quebra os professores de teoria política, teoria geral do Direito e Direito Constitucional poderíam realizar um excelente seminário com seus alunos a respeito de democracia x autoritarismo e as razões pelas quais a dominação carismática (sentido weberiano) produz um estado de crise permanente em função de sua perene instabilidade política.

quinta-feira, maio 19, 2011

GOVERNO CONTRATA EMPRESA PARA 'LIMPAR' A IMAGEM DE PALOCCI FAZENDO ESTRANHO LINK COM CASO FRANCENILDO

O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, foi atrás de uma empresa de comunicação para gerenciar sua imagem durante a crise que se abriu com a revelação do rápido crescimento de seu patrimônio. Contratou a FSB, especializada neste ramo.

Curiosamente, o atual diretor-executivo da FSB é Gustavo Krieger, jornalista que, em 2006, participou ativamente das reportagens que  revelaram a existência de um depósito de 38 mil reais na conta do caseiro Francenildo Costa. O caseiro revelara a existência de uma mansão, em Brasília, frequentada por acusados de envolvimento em desvios de verba pública. E afirmou que o ministro era presença constante no local.

A base aliada usou o episódio para tentar desmoralizar o caseiro, alegando que ele havia recebido dinheiro para falar contra Palocci. No fim das contas, a verdade veio à tona: o depósito havia sido feito pelo pai de Francenildo. E o comprovante do depósito foi obtido de forma ilegal, com a quebra do sigilo bancário do caseiro na Caixa Econômica Federal. O episódio derrubou Palocci do Ministério da Fazenda.
Numa página pessoal que mantém na internet, Krieger se identifica como especialista em “gerenciamento de crises”. Do portal da revista Veja

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quarta-feira, maio 18, 2011

GOVERNO DEMONSTRA QUE SURPREENDENTE FORTUNA DE PALOCCI É INEXPLICÁVEL AO PARALISAR CÂMARA PARA IMPEDIR CONVOCAÇÃO

O governo montou uma operação de guerra na Câmara para impedir a convocação do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Com o argumento de que o plenário da Casa tem de votar medidas provisórias, os governistas não deixaram 16 comissões permanentes da Casa funcionar na manhã desta quarta-feira, 18.

O requerimento de convocação de Palocci seria votado pela Comissão de Fiscalização e Controle, mas a reunião do grupo foi suspensa quando o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, convocou a sessão do plenário. Pelo regimento, as comissões não podem votar nada quando há sessão deliberativa no plenário da Câmara. Algumas comissões, como a de Finanças e Tributação, foram lacradas. Na porta, um grupo de seguranças impedia a entrada de parlamentares. Controlada pelo DEM, a Comissão de Agricultura tentou aprovar requerimento de deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) de convocação de Palocci.

"O governo quer colocar uma mordaça na oposição", reclamou o líder do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). Cartazes com "Blindagem do Palocci" foram espalhados pelo plenário da Comissão de Agricultura.

"O governo fez uma manobra anti-democrática e desconvocou as comissões", disse o líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP). "Ninguém pode apresentar uma irregularidade qualquer em relação a esse assunto", afirmou o deputado Pepe Vargas (PT-RS), que subiu à tribuna para defender Palocci. "Não podemos criminalizar a atividade da vida privada das pessoas", argumentou o petista. 
Plenário
Sem poder agir nas comissões, a oposição tentou, sem sucesso, aprovar a convocação do Palocci no plenário da Câmara. Dois requerimentos da oposição foram derrubados na votação em plenário. O primeiro requerimento foi barrado com 266 votos contrários, 72 a favor e 8 abstenções. Do portal do Estadão

MEU COMENTÁRIO: Um velho adágio diz tudo: quem não deve, não teme! E estamos conversados.
A oposição tem a obrigação que fazer Palocci desembuchar debaixo de Vara, isto é, pela via judicial.

segunda-feira, abril 25, 2011

CRISE NO PSDB: LÍDER DO PARTIDO NÃO DESCARTA POSSIBILIDADE DE REVOADA DE TUCANOS PARA O PARTIDO DE KASSAB

O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Duarte Nogueira (SP), criticou nesta segunda-feira os tucanos de São Paulo que anunciaram nos últimos dias o desligamento da sigla. Na avaliação dele, os egressos "já não militavam no PSDB". "São aqueles que tinham a filiação, mas não tinham a convicção", alfinetou o tucano, negando que haja uma crise no partido.

O parlamentar não descartou a possibilidade de mais baixas serem contabilizadas daqui para frente e indicou que o processo pode ter relação com a fundação do PSD, legenda cujo criador é o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.


A última baixa na legenda foi anunciada hoje pelo secretário de Esportes e Lazer de São Paulo,
Walter Feldman, segundo o qual a sigla está se "desviando" de seu caminho original. O líder do PSDB argumentou que Feldman é quem havia se "desviado" do partido, quando apoiou em 2008 a candidatura à reeleição do atual prefeito. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, era o candidato do PSDB na disputa. "O Walter já havia se desviado do PSDB. Ele só arrumou um pretexto para o que queria ter feito." Do site da revista Veja

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terça-feira, fevereiro 15, 2011

BORNAHUSEN AVISA QUE SEM ACORDO PEDIRÁ A DESFILIAÇÃO DO DEM

Aliados do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, deram ontem um ultimato ao comando do DEM.
Um dia após jantar com o prefeito, fixaram o dia de amanhã como prazo para a costura de uma chapa única para a direção do partido. Do contrário, deixarão a sigla.
Como o clima é de beligerância, o gesto foi recebido como sinal de que, diante do risco de derrota, o grupo prepara o desembarque.
Em almoço em São Paulo, o ex-senador Jorge Bornhausen (SC) avisou ao líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), que se desfiliará se não prosperar o acordo. Ao seu lado, estava o ex-vice-presidente Marco Maciel.
"Minha contribuição [ao partido] acaba hoje. Se não construirmos um acordo até quarta [amanhã], encerro minha participação. Não adianta tentar por mais um mês", disse Bornhausen, cuja saída pavimentaria a adesão do governador Raimundo Colombo (SC) à base governista.
Apoiado pela atual direção para a presidência do DEM, Agripino explica que o grupo pediu resposta já para avaliar seu futuro um mês antes da eleição do partido.
O grupo apresentou uma proposta de difícil aceitação como condição de permanência. Pela ideia de Bornhausen, o grupo apoiaria a eleição de Agripino, abrindo mão do nome de Maciel, desde que a Executiva fosse mantida como está.
A proposta será submetida hoje ao líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), mas deverá ser vetada pelos 17 novos deputados que reivindicam espaço. "Propostas podem ser aprimoradas", justificou Agripino.
O atual comando do DEM até admite compor com a ala kassabista, contanto que tenha garantia de que Kassab sairá sozinho do partido.
"Vou lutar pela unidade", disse ACM Neto.
Na véspera, no jantar, Kassab reafirmou a disposição de deixar o DEM. Mas manifestou hesitação sobre o melhor instrumento jurídico. Da Folha de São Paulo desta terça-feira

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

DANIEL PIPES: Violentos protestos no Egito [A análise de um expert em Oriente Médio]

Transcrevo na íntegra análise de Daniel Pipes, expert em questões relacionadas ao Oriente Médio, sobre a rebelião que vem ocorrendo no Egito. A tradução é assinada por Joseph Skilnik. Não tenho me ocupado em comentar a respeito porque noto insufiência nas informações veiculadas pela grande mídia internacional. Neste caso, o artigo de Daniel Pipes, conceituado analista internacional, joga alguma luz sobre a crise egípcia e seus possíveis desdobramentos. O original em inglês está aqui: Turmoil in Egypt. Vale a pena ler:
Conforme o já muito antecipado momento de crise ter chegado ao Egito e rebeliões populares terem abalado governos por todo o Oriente Médio, o Irã encontra-se mais do que nunca no ponto central da região. Seus governantes islamistas estão prestes a dominar a região. Porém é difícil as revoluções terem sucesso e eu imagino que os islamistas não irão atingir um avanço extraordinário no Oriente Médio e que Teerã não irá surgir como o mais influente. A seguir apresento o que me leva a essa conclusão:
Gen. Omar Suleiman
Um eco da revolução iraniana: Ao chegar ao poder em 1979, o Aiatolá Ruhollah Khomeini procurou espalhar a insurreição islamista a outros países, mas fracassou praticamente em todas. Parece que três décadas tiveram que passar antes que a imolação de um vendedor em uma obscura cidade na Tunísia, pudesse acender a conflagração à qual Khomeini aspirava e que as autoridades iranianas ainda almejam.

Parte de uma guerra fria no Oriente Médio: O Oriente Médio tem por anos sido dividido em dois grandes blocos envolvidos em uma guerra fria pela conquista da influência. O bloco de resistência liderado pelo Irã inclui a Turquia, Síria, Gaza e o Catar. O bloco do status quo liderado pela Arábia Saudita inclui o Marrocos, Argélia, Tunísia, Egito, Cisjordânia, Jordânia, Iêmen e os emirados do Golfo Pérsico. Observe que nos últimos dias o Líbano está passando do status quo para a resistência e que os tumultos estão ocorrendo somente nas regiões do status quo.

A situação peculiar de Israel:
Os líderes israelenses estão calados e a quase irrelevância de Israel nesse aspecto enfatiza a centralidade iraniana. Embora Israel tenha muito a temer com os ganhos iranianos, eles simultaneamente realçam o estado judeu como uma ilha de estabilidade e o único aliado confiável do Oriente Médio.

Falta de ideologia: O uso de slogans e de teorias de conspiração que dominam o discurso no Oriente Médio estão visivelmente ausentes das multidões reunidas em frente a instituições governamentais exigindo o fim da estagnação, arbitrariedade, corrupção, tirania e tortura.

Forças armadas vs. Mesquita:
Os recentes acontecimentos confirmam que as mesmas duas forças, as forças armadas e os islamistas, dominam cerca de 20 países do Oriente Médio: as forças armadas posicionam a força bruta e os islamistas fornecem a visão. Há exceções – a esquerda vibrante na Turquia, facções étnicas no Líbano e no Iraque, democracia em Israel, controle do Irã pelos islamistas – mas aquele padrão se mantém.

Iraque: O país mais volátil da região, o Iraque, está ostensivamente ausente das manifestações pelo fato da sua população não estar enfrentando décadas de autocracia.

Um golpe militar?
Os islamistas desejam repetir o sucesso no Irã aproveitando-se dos tumultos com o intuito de tomarem o poder. A experiência da Tunísia merece um exame minucioso em busca de um padrão que poderá se repetir em outro lugar. Lá a liderança militar aparentemente concluiu que o homem forte, Zine El Abidine Ben Ali, estava saindo muito caro – especialmente com a gritante corrupção da família da sua esposa – para ser mantido no poder, de modo que o expulsaram e além disso emitiram um mandado de captura internacional para a sua detenção e da sua família.

Feito isso, praticamente toda a antiga guarda permanece no poder, com o mais graduado oficial militar, Chefe do Estado-Maior Rachid Ammar, aparentemente tendo substituído Ben Ali como o homem mais influente do país. A velha guarda espera que administrar ajustes finos ao sistema, conceder mais direitos civis e políticos irá ser o suficiente para se manter no poder. Se essa artimanha der certo, a aparente revolução de meados de janeiro irá terminar como um mero coup d'état.

Esse cenário poderia se repetir em qualquer lugar, especialmente no Egito onde os soldados dominam o governo desde 1952 e tencionam manter o seu poder contra a Irmandade Muçulmana que eles têm reprimido desde 1954. A nomeação de Omar Suleiman pelo homem forte Sr. Hosni Mubarak termina com as pretensões dinásticas da família Mubarak e aumenta a perspectiva da renúncia de Mubarak em favor de um governo militar direto. 


De maneira geral, eu aposto no modelo de mais continuidade do que mudança, que surgiu na Tunísia até agora. O governo mão de ferro será um tanto menos rigoroso no Egito e em outros lugares mas os militares em última análise permanecerão os mais influentes.

Política externa dos Estados Unidos: O governo dos Estados Unidos tem um papel vital no que se refere a ajuda aos estados do Oriente Médio para que passem da tirania à participação política sem que os islamistas se apoderem do processo. George W. Bush teve a ideia certa em 2003 ao pedir democracia, mas arruinou o esforço exigindo resultados imediatos. Inicialmente Barack Obama reverteu a velha política de congraçamento com tiranos; agora ele alinha-se cegamente com os islamistas contra o Sr. Mubarak. Ele deveria imitar Bush, porém com melhores resultados, compreendendo que a democratização é um processo que leva décadas, que requer a fixação de ideias que se contraponham às ideias intuitivas sobre eleições, liberdade de expressão e estado de direito.

sexta-feira, outubro 15, 2010

SETORES DO PMDB DESEMBARCAM DA CANDIDATURA DILMA. ATÉ O MICHEL TEMER ESTÁ RECLAMANDO.

Setores do PMDB lulista deram a partida na operação de desembarque da candidatura de Dilma Rousseff. Em meio à queda da petista nas pesquisas de intenção de voto, o diretório do PMDB do Rio Grande do Sul decidiu ontem, por maioria, depois de quatro horas de reunião, recomendar o voto no tucano José Serra.

Ao mesmo tempo em que algumas regionais do partido dão passos concretos em direção à Serra, líderes nacionais do PMDB que foram colocados de escanteio pela cúpula do PT na campanha de Dilma, ou atropelados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições estaduais, cruzam os braços no segundo turno.

Até o candidato a vice na chapa petista e presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), tem revelado desânimo nos bastidores. A vários interlocutores, ele se queixou de que foi marginalizado pelo PT na campanha. "Me esconderam, e agora estão tentando reparar", disse a um correligionário, destacando que os petistas só pediram sua ajuda depois que "levaram um susto". O PT estava certo de que levaria a eleição no primeiro turno. Com Lula à frente, não precisavam de mais ninguém.

Ao mesmo tempo, a presença do presidente nacional do partido no posto de vice inibe a movimentação de peemedebistas descontentes e o sentimento de revanche dos que se sentiram traídos pelo PT nestas eleições.

Um deles foi o deputado Geddel Vieira Lima, que disputou o governo da Bahia. Ele disse ter perdido a eleição para Lula, e não para o governador reeleito Jaques Wagner (PT). Geddel já avisou que o rompimento entre PT e PMDB na Bahia não tem retorno. Seus interlocutores, contudo, não têm dúvidas de que ele vai cumprir o acordo nacional pró-Dilma. Mas avisam que o apoio será "formal" e que Geddel não perderá "um minuto de seu tempo" pedindo votos para a petista.

No Pará, o senador eleito Jader Barbalho (PMDB) é outro que deve reafirmar apenas apoio formal a Dilma. O PMDB disputou o governo local com candidato próprio e Jader deve anunciar, nos próximos dias, que o partido está liberado para votar em quem quiser no segundo turno, em que a briga é entre a governadora Ana Júlia Carepa (PT) e o ex-governador tucano Simão Jatene.

Na avaliação de um correligionário de Jader, liberar o voto significa, na prática, abrir caminho para a adesão à candidatura de Jatene. Como o tucano toca a campanha em conjunto com Serra, com o discurso de que "Dilma é a Ana Júlia do Brasil", a aposta geral é que a regional do PMDB também está prestes a desembarcar da candidatura de Dilma.

Um importante dirigente nacional do PMDB adverte que a situação de Dilma é grave porque a onda que afetou a popularidade da petista não é um problema de partidos nem de lideranças políticas, e sim de opinião pública. Segundo ele, a cúpula peemedebista identifica uma onda a favor de Serra, que "nem mesmo Lula" tem poderes para conter, PMDB gaúcho. Cerca de 500 peemedebistas, entre vereadores, prefeitos, delegados e representantes do diretório e da executiva estadual do PMDB do Rio Grande do Sul participaram da reunião que decidiu ontem pelo apoio da regional ao candidato a presidente do PSDB, José Serra. Depois de quatro horas de muito bate-boca, o plenário aprovou moção do diretório estadual recomendando o voto ao tucano.

A votação foi simbólica, por maioria esmagadora na proporção de quatro votos ao tucano, para cada um destinado à petista Dilma Rousseff. Apesar de o vice de Dilma ser o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), a decisão não surpreendeu. Já é tradição o PMDB gaúcho apoiar candidatos tucanos ao Palácio do Planalto. Foi assim nas duas eleições de Fernando Henrique Cardoso e nas candidaturas de José Serra, em 2002, e Geraldo Alckmin, em 2006. 

Um peemedebista experiente que participou do debate avalia que a regional gaúcha abriu caminho para o "efeito manada", do PMDB rumo à candidatura tucana. Segundo ele, a queda da petista nas pesquisas de intenção de voto é determinante na definição dos rumos do partido. Do portal do Estadão 


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