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sábado, março 31, 2012

ARTIGO: O caso Demóstenes e o 'homem-bomba'


Por Nilson Borges Filho (*)
As gravações realizadas pela Polícia Federal, das conversas entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres,  são motivos suficientes para enquadrar o político goiano na legislação penal brasileira e convertê-lo em réu por práticas criminosas no exercício do mandato. É claro que ao acusado deve-se conceder o direito de defesa e o devido processo legal, mesmo que os indícios apresentados pela peça policial não coloquem qualquer dúvida sobre o desempenho do senador com tratativas fora-da-lei, em cumplicidade com um contraventor contumaz e figura conhecida do meio político. 

A expressão “eu não sou mais o Demóstenes”, dita pelo próprio senador, dá a entender que Demóstenes não era um só, mas dois: um deles era aquele que subia à tribuna do Senado Federal e atacava o governo federal pela complacência com a corrupção nos ministérios; o outro era o delinquente que, em associação com um bicheiro, trafegava descaradamente pelos escaninhos da República transacionando facilidades para o seu cúmplice. O político goiano cairá sozinho e provavelmente os garçons do Senado nem mais estão lhe servindo o cafezinho e os porteiros mal o cumprimentam.

Os senadores José Sarney e Renan Calheiros, “dois grandes republicanos”,  que foram alvos do “moralismo de araque” de Demóstenes, não moverão uma palha para livrar o desafeto da cassação e da perda dos direitos políticos. O DEM, que ainda não se recuperou da lambança promovida  pelo ex-governador do Distrito Federal - José Roberto Arruda – entende que a melhor saída para Demóstenes será a de abandonar o partido por conta própria. Ou, caso contrário, optar pela saída humilhante: a expulsão sumária. Demóstenes entrou em processo de depressão, que será agudizado com novas revelações, agora sobre conversas entre a sua mulher e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, envolvendo outros políticos e um ministro do STF.

A casa dos horrores que ainda não curou as cicatrizes com a renúncia de Renan Calheiros da presidência e as graves denúncias contra José Sarney, enfrenta uma nova crise com o “caso Demóstenes”, que não se esgota com a cassação do mandato e com o afastamento do senador goiano da vida pública.

Carlinhos Cachoeira é nitroglicerina pura, um verdadeiro arquivo sobre o que rola de sujeira pelos meandros da política brasileira. As farmácias de Brasília acusam o crescimento do consumo de antidepressivos.

Um famoso advogado e ex-ministro do governo petista foi chamado às pressas para tentar estancar novas revelações que possam comprometer outros “ilustres” republicanos. Esforços estão sendo promovidos para que Carlinhos Cachoeira não abra as comportas. Caso acorde com a justiça a delação premiada, Cachoeira vai arrebentar com a República, inclusive atingindo pessoas de outros poderes .

(*)Nilson Borges Filho é doutor em Direito, professor e articulista colaborador deste blog

terça-feira, março 27, 2012

ARTIGO ESPECIAL: Um olhar sobre a política a partir de Minas.

Anastasia e Aécio: uma estratégia que se desgastou.
Por Nilson borges Filho (*)

Antônio Anastasia era o orgulho do time de técnicos que Aécio Neves levou para tomar conta do seu governo. Jovem, solteiro, articulado, vaidoso ao extremo, pernóstico no falar, cheio de ideias, próximo de políticos, com vasta experiência no setor público onde fez carreira, sempre rodeado de burocratas carreiristas - que lhe devotam lealdade servil -  Anastasia era a pessoa certa para ocupar o cargo de gerente do governo de um político, igualmente jovem e solteiro, com pretensões de, a curto prazo, sentar na cadeira presidencial.

Aécio tem a política no seu DNA, tanto pelo lado materno de Tancredo Neves, seu avô, como pelo lado paterno de Aécio Cunha, seu pai. Não é surpresa para ninguém que Aécio Neves  foge do perfil do governante ligado nas questões rotineiras do exercício do cargo. Aécio é um político em toda a sua extensão e gosta do que faz. Conciliador, é amigo dos amigos e mostra-se respeitoso com os adversários. Aliás, ingredientes necessários para quem deseja voos mais altos.

Visando pavimentar a sua candidatura à presidência da República, o neto de Tancredo terceirizou o gerenciamento do governo, função esta entregue a Antônio Anastasia, autor daquilo que ficou conhecido como choque de gestão. A área de comunicação social e a administração das verbas de propaganda do governo ficaram sob o controle rígido de Andréa Neves, sua irmã e principal conselheira. A política do varejo – a tal do toma lá dá cá – coube ao Secretário da Casa Civil, um ex-deputado federal exímio conhecedor das demandas do baixo clero.

Anastasia modernizou a máquina, aparelhou o Estado com uma equipe de jovens administradores espevitados, porém sem estatura política e visão social, mas bons para aquilo que foram contratados: criar um modelo de gestão pública atrelado as regras do mercado. Deu certo - não tanto como a máquina de propaganda do governo jogou na mídia - a ponto do governador Aécio Neves ser bem avaliado e receber a confiança do eleitor para um segundo mandato  e posteriormente ser consagrado como um dos senadores mais bem votados no Brasil.

Aconselhado pela irmã, Andréa Neves, Aécio fez do seu Secretário de Planejamento e vice-governador do segundo mandato, Antônio Anastasia, o candidato ideal para sucedê-lo: primeiro porque a eleição de Anastasia – um técnico sem voto -  deve-se exclusivamente ao prestígio de Aécio; segundo porque Aécio precisa de alguém de confiança para cuidar do seu feudo, enquanto se prepara para sair candidato a presidente.

Mas nem sempre as coisas saem como o desejado. Após um ano de mandato, o governo de Antônio Anastasia tropeça em articulações políticas mal conduzidas e o tal choque de gestão começa a fazer água, principalmente porque não foi construído com o rigor científico de uma governança de bom tipo, mas porque foi levado por vaidades pessoais de uma juventude sem uma formação sólida, que somente anos de estudo e experiência podem oferecer. A história política tem comprovado que não se governa com tecnicismo como fim último, mas com a técnica a serviço da política.

A cada dia surgem desconfianças da opinião pública se o decantado choque de gestão, na realidade, não passa de uma mera figura de marketing  político.  As mudanças no secretariado e a crise na área da segurança pública são indicativos de que o modelo implantado não está surtindo efeito. O governo está quase parando e secretários de Estado inoperantes não dão continuidade ao processo de gestão implantado desde o primeiro governo de Aécio Neves.

Nas estatais é do conhecimento público a briga de foice entre dirigentes – muitos deles sem compromisso político –  que estão ali meramente pela disputa por um naco de poder e por um salário vantajoso. Em alguns casos, é perceptível interesses pessoais em detrimento de interesses públicos, onde cada dirigente de estatal cria uma patota ao seu redor – por critérios inconfessáveis -  para digladiar com a patota do outro lado da estação de trabalho.

Um olhar mais criterioso do governo para essas disputas intramuros, que provocam a discórdia e desagregam pessoas, poderia contribuir para uma administração mais profissional e de interesse do contribuinte. A vitrine de Aécio Neves para postular à presidência da República e convencer os eleitores que ele é a melhor escolha por tudo que fez em Minas, não está alcançando os resultados esperados e o governo mineiro está batendo cabeça.

Anastasia ainda tem três anos pela frente para mostrar para que veio e que o tal choque de gestão é mais do que uma simples peça da engrenagem do marketing oficial. Aécio precisa dessa vitrine, para viabilizar sua candidatura e convencer o eleitorado de que, com ele, o Brasil pode mais. Hoje,  com a falácia de que está fazendo uma faxina no serviço público e afastando corruptos, Dilma é imbatível.

(*) Nilson Borges Filho é doutor em Direito, professor e articulista colaborador deste blog

terça-feira, fevereiro 14, 2012

ESCRITOR PORTUGUÊS DETONA PROFESSOR SAFATLE

O escritor português João Pereira Coutinho, colunista da Folha de S. Paulo escreveu um artigo arrasador que fez picadinho de Vladimir Safatle, professor de filosofia da USP (vejam só). É que Safatle não concordou com uma afirmação de Coutinho relacionada ao conflito árabe-israelense e o fustigou. Foi o mesmo que mexer num vespeiro. Coutinho produziu então o artigo intitulado "Resposta a Vladimir Safatle" que está no site da Folha, mas que reproduzo na íntegra após este prólogo, até para que fique registrado aqui no blog.
O professor Safatle, que faz parte da bandalha comunista, deve saber que eu não admito, como todos os leitores aqui do blog já perceberam, que ninguém ouse assacar contra Israel e o povo judeu. Todas as pessoas inteligentes sabem que não há condições de negociar com terroristas. E os árabes ou palestinos ou o raio que os parta, são todos terroristas fanáticos que desejam varrer Israel do mapa.
E o Safatle deve saber também que Israel reagirá à altura a toda e qualquer ameaça. Calcula-se que Israel tenha no mínimo mais de 200 ogivas nucleares e fará um excelente uso desse poderoso arsenal bélico. Ou alguém imagina a possibilidade de um novo pogrom?
O artigo de Pereira Coutinho está na medida certa. Não deixou pedra sobre pedra. Leiam:
Nada tenho contra a ignorância. Na melhor tradição socrática, sei que a ignorância é a base de qualquer conhecimento válido.
Coisa diferente é a ignorância atrevida; ou a má-fé intelectual de quem falsifica os factos para construir uma narrativa "apropriada".
Vladimir Safatle é um caso: dias atrás, escrevi nesta Folha que o seu texto sobre o conflito israelense-palestino revelava desconhecimento sobre aspectos básicos do problema, que qualquer um dos meus alunos aprende no 1º ano de faculdade.
Lendo a resposta de Safatle à minha resposta, vejo que me enganei --e devo um pedido de desculpa aos leitores.
Safatle não revela apenas desconhecimento; revela desconhecimento, desonestidade e um desagradável traço de grosseria.
Sobre a grosseria, digo apenas isto: no meu texto, em nenhum momento teço considerações pessoais sobre Safatle. Não há uma linha sobre a sua ascendência cultural; e nunca me passaria pela cabeça atribuir-lhe qualquer maleita psiquiátrica.
Que Safatle tenha evocado a minha condição de português para, alegadamente, eu não entender certas palavras (no fundo, um velho clichê racista) e levantado suspeitas sobre as minhas "alucinações negativas", eis uma postura que define a criatura.
Em condições normais, não haveria resposta ao texto de Safatle. Mas, por respeito aos leitores da Folha, gostaria de esclarecer alguns pontos sobre a "polêmica".
Em primeiro lugar, Safatle afirma que um "muro" é um muro e que eu, de forma demente, teria transformado o Muro (com maiúscula) em "barreira de segurança". Para que não restem dúvidas, mantenho o que disse: a parte em cimento da "barreira de segurança" da Cisjordânia constitui apenas 5% da totalidade dessa barreira (que, na verdade, é mais uma cerca que outra coisa).
Isto não é um pormenor; é uma forma de tratar as palavras (e a realidade) com um mínimo de decência. Bem sei que é mais dramático afirmar que Israel construiu um Muro ("o Muro da vergonha", "um novo Muro de Berlim" etc. etc.) para separar os israelenses dos palestinos. Lamento: Israel apenas construiu esse Muro quilométrico na retórica de Vladimir Safatle.
Uma vez estabelecidos os factos, convém lidar com as implicações: a "barreira de segurança" vai além das fronteiras pré-1967 e anexa território alocado aos palestinos? Verdade.
Mas não é a "barreira de segurança" (ou os assentamentos na Cisjordânia, já agora) que impede uma solução para o conflito e a existência de um estado palestino que inclua a totalidade de Gaza e a (quase) totalidade da Cisjordânia (já lá iremos).
Israel retirou de Gaza em 2005 e, para o efeito, evacuou povoações inteiras (Netzarim, Morag, Dugit etc.). Aliás, a evacuação não se limitou a Gaza; incluiu também outras povoações na Cisjordânia, como Ganim ou Homesh.
Nenhuma novidade. O mesmo já sucedera depois dos acordos de Camp David (em 1979) quando a paz com o Egito levou Israel a desmantelar a totalidade dos assentamentos no Sinai.
Dito de outra forma: nem os assentamentos, nem a "barreira de segurança", ambos removíveis por definição, são os verdadeiros obstáculos da paz.
E quando, mais acima, escrevi sobre a possibilidade de um estado palestino que inclua a totalidade de Gaza e a (quase) totalidade da Cisjordânia, nem esse "quase" é um obstáculo real: o
Plano Clinton já previa que os 94%-96% da Cisjordânia palestina seriam completados por 6%-4% de território israelense anexado a Gaza. Mas nem isso levou Arafat a aceitar um acordo histórico para os palestinos.
E Arafat não aceitou o acordo porque exigiu o regresso dos 4 milhões de refugiados palestinos (tradução: o regresso dos filhos dos filhos dos filhos dos refugiados originais) a Israel, e não ao novo estado palestino, como seria lógico.
Com imensa bondade, Safatle concorda que esse regresso em massa seria um suicídio demográfico e cultural para Israel. Mas depois pergunta por que motivo não se tenta encontrar uma solução de compromisso que passe pela "absorção de uma parte e a compensação financeira dos demais".
Se Safatle tivesse lido alguma coisa a respeito, ele saberia que "absorção de uma parte" e "compensação financeira dos demais" foi precisamente o que foi proposto por Ehud Barak em Camp David.
Para sermos precisos, Barak propôs absorver uma parte dos refugiados palestinos ao abrigo de um programa de reunificação familiar; e propôs também compensações no valor de 30 bilhões de dólares. Arafat recusou na mesma.
Por último, Safatle horroriza-se com a minha frase: "a existência de um Estado autônomo e respeitoso das fronteiras de 1967 tem sido sucessivamente proposto pelas lideranças israelenses desde 1967".
Não entendo o horror. Se esquecermos que, antes da Guerra dos Seis Dias, foram sempre os árabes a recusar a existência de um estado palestino junto a um estado israelense (1917, 1937, 1948), o que dizer depois da Guerra?
Depois da Guerra, ainda em 1967, quando Israel estava disposto a trocar a terra conquistada por paz, reconhecimento e negociação, a resposta árabe ficou célebre na Cúpula de Cartum, que a história registou para a posteridade como a "Cúpula dos Três Nãos": não à paz com Israel; não ao reconhecimento de Israel; e não à negociação com Israel.
Apesar de tudo, um estado palestino respeitoso das fronteiras de 1967 (embora, como referi, implicando "trocas de terra" em que Israel cederia parcelas do seu território para compensar perdas na Cisjordânia) voltou a ser oferecido em 2000, em Camp David; e retomado por Ehud Olmert, em 2008. A resposta árabe foi sempre a mesma: não, não e não.
É pena. Os palestinos, que Safatle me acusa de ignorar em tom melodramático, mereciam melhor destino.
Mereciam, por exemplo, que as lideranças palestinas não tivessem desperdiçado as várias oportunidades de alcançarem um estado palestino independente depois de 1967.
E mereciam que, antes de 1967, quando Gaza e a Cisjordânia estavam sob domínio egípcio e jordano, respectivamente, os "irmãos árabes" tivessem integrado os refugiados palestinos nas suas sociedades.
Exatamente como Israel integrou os milhares de refugiados judeus que, durante a Guerra da Independência de 1948, partiram ou foram expulsos dos países árabes da região.
Discutir o conflito israelense-palestino, ao contrário do que pensa Vladimir Safatle, é um pouco mais complexo do que soltar umas interjeições adolescentes ("um muro é um muro!", "há situações inaceitáveis sob quaisquer circunstâncias!" etc.) que talvez impressionem alguns alunos pós-púberes.
Infelizmente, senhor professor Safatle, não me impressionam a mim.

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domingo, novembro 13, 2011

OLAVO DE CARVALHO: A USP E A FOLHA.

A Folha de S. Paulo publica neste domingo artigo do filósofo e jornalista Olavo de Carvalho que, ao final, critica o próprio jornal. O artigo, que reproduzo após este prólogo, faz um inventário histórico, sociológico e político sintético e absolutamente correto procurando explicar, ou tentar explicar, aquilo que salta aos olhos dos que têm um pingo de inteligência como algo inexplicável. Espalham-se pelo mundo revoltas sem causa. Poder-se-ia afirmar que seriam legítimas as revoltas nos países árabes dominados por ditaduras truculentas. Entretanto, parece que no lugar das antigas ditaduras os islâmicos preparam o caminho para a implantação de ditaduras teocráticas. E o mais curioso é que esses levantes, todos de conteúdo islâmico, têm o apoio acrítico irrestrito de indignados e partidos esquerdistas do mundo ocidental. 
No caso brasileiro, o que houve recentemente na USP é algo inconcebível e que não encontra motivo plausível de nenhuma forma. O artigo de Olavo de Carvalho tenta justamente responder a esses fatos inexplicáveis.
Se a Folha de S. Paulo publicou o artigo de Olavo o faz não por concordar com ele, mas em consonância com sua apregoada linha editorial dita libertária e multi-ideológica. Bobagem. Quem acompanha esse jornal constata o seu viés esquerdista e politicamente correto, característica aliás de toda a grande imprensa brasileira, com exceção da revista Veja. 
O pretenso pluralismo editorial da Folha não a absolve. Isto porque esta seção de opinião que abriga hoje o artigo de Olavo de Carvalho, amanhã poderá conter um texto fascista do MST. Essa tolerância supostamente democrática e elegante em relação às facções e partidos antidemocráticos é mortal para a democracia e à própria liberdade de imprensa. Haja vista as seguidas tentativas do PT de impor o controle da mídia, eufemismo para a censura à imprensa pura e simples.
Oxalá a Folha contratasse Olavo de Carvalho como articulista permanente. Transcrevo na íntegra o artigo que tem por título "A USP e a Folha". Leiam:
Nos anos 1930-1940, quando a USP ainda estava se constituindo administrativamente e o espírito dessa comunidade se condensava na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, a luta dos estudantes contra a ditadura getulista expressa o anseio de uma ordem constitucional democrática, como viria a ser proposta consensualmente em 1945 pelas duas alas da UDN, o conservadorismo cristão e a esquerda democrática.

O suicídio de Getulio Vargas e o recrudescimento espetacular do getulismo na década seguinte afetam profundamente a mentalidade uspiana, que, num giro de 180 graus, adere ao discurso nacional-progressista, em que a ênfase já não cai no culto das liberdades democráticas, mas nos programas sociais nominalmente destinados a erradicar a pobreza, ainda que ao custo do intervencionismo estatal crescente.
Surge nessa época o mito da "camada mais esclarecida da população", que, se conferia aos estudantes o estatuto de guias iluminados da massa ignara, ao menos lhes infundia algum senso de gratidão e de responsabilidade.
Nos anos 1960, o nacional-progressismo uspiano transmuta-se em marxismo explícito, com a adesão maciça do estudantado à revolução continental orquestrada em Cuba.
As correntes liberais e democráticas desaparecem, só restando, como simulacro de pluralismo, as divisões internas do movimento comunista: stalinistas, trotskistas, maoístas etc.
Nas duas décadas seguintes, a esquerda internacional, sob a inspiração da "New Left" americana (herdeira da Escola de Frankfurt), vai abandonando as formulações marxistas dogmáticas para ampliar a base social do movimento, absorvendo como forças revolucionárias todas as insatisfações subjetivas de ordem racial, familiar, sexual etc., muitas das quais a alta hierarquia comunista condenava como irracionalistas e pequeno-burguesas.
Ao mesmo tempo, no Brasil, a derrota das guerrilhas abre caminho à adoção da estratégia gramsciana, que integra como instrumentos de guerra cultural o "sex lib", a apologia das drogas e a legitimação da criminalidade como expressão do "grito dos oprimidos".
O fracasso do modelo soviético acentua ainda a flexibilização do movimento revolucionário, com o abandono da hierarquia vertical e a adoção do modelo organizacional em "redes".
Bilionários globalistas passam a patrocinar movimentos esquerdistas por toda parte, de modo que rapidamente o discurso agora chamado "politicamente correto" se erige em opinião dominante, inibindo e marginalizando toda oposição conservadora ou religiosa, que se refugia em grupos minoritários cada vez mais desnorteados ou entre as camadas sociais mais pobres, desprovidas de canais de expressão.
Os efeitos desse processo na alma uspiana foram profundos e avassaladores: consagrados como representantes máximos do novo ethos global, os estudantes já não têm satisfações a prestar senão a seus próprios impulsos e desejos.
O jovem radical ególatra, presunçoso e insolente, a quem todos os crimes são permitidos sob pretextos cada vez mais charmosos, tornou-se o modelo e juiz da conduta humana, a autoridade moral suprema a quem o próprio consenso da mídia e do establishment não ousa contrariar de frente, sob pena de se autocondenar como reacionário, fascista, assassino de gays, negros e mulheres etc. etc. etc.
Há quem reclame dos "excessos" cometidos por aqueles jovens, mas a expressão mesma denota a queixa puramente quantitativa, a timidez mortal de contestar na base uma ideologia de fundo que é, em essência, a mesma de deputados e senadores, professores e reitores, ministros de Estado e empresários de mídia -a ideologia de todo o establishment, de todas as pessoas chiques.
A ideologia, em suma, da própria Folha de S.Paulo.

quarta-feira, novembro 02, 2011

ARTIGO: Cidades sem futuro

Jornalista Dirceu Martins Pio
Por Dirceu Pio (*)
Quando a malha urbana atinge a proporção dessa, da Grande São Paulo, e de várias outras do Brasil, começa a produzir o contrário de tudo aquilo que as pessoas procuram numa cidade. O almejado conforto transforma-se quase numa tortura diária e permanente.

O problema maior é que não há solução à vista. Enquanto a mídia, de modo geral, passa ao largo do debate sobre os temas urbanos, os partidos políticos se revezam na administração das grandes cidades com mais do mesmo, ou seja, sem nenhum olhar inovador para as questões urbanas, como se as populações dessas malhas disformes estivessem condenadas ao eterno sofrimento.


É tudo absurdo: as cidades entregaram seus espaços mais nobres – que deveriam ser espaços de uso das pessoas – ao carro e hoje o carro não anda e como não anda impede, ele mesmo, o uso confortável dos equipamentos pensados, teoricamente, para servir à população. Dentro dessa escala não há como pensar em transporte de massa de qualidade, em saúde de qualidade, em educação de qualidade e em segurança pública.  


Quem quiser conferir isto que se utilize do metrô paulistano nos horários de pico, das 17 às 19 horas. A Grande São Paulo entrou em colapso há vários anos e só a classe política não consegue enxergar isso com clareza maior. “Parem as rotativas”, como diriam os jornalistas. Vamos tentar encontrar – e com urgência – um jeito novo de administrar malhas urbanas como a de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre ou mesmo Curitiba. Não sou urbanista. Sou apenas um jornalista que aprecia e observa com atenção a temática urbana. Estou convencido de que a saída para as metrópoles brasileiras está no “aldeamento”, uma cópia adaptada do conceito difundido no continente europeu sobre as “cidades multicêntricas”. Como somos um país tupiniquim, o melhor seria imitarmos os índios e partirmos para a transformação de vilas e comunidades em aldeias.
 

Uma prefeitura tem poderes – fiscais, legais, financeiros – para incentivar o conceito multicêntrico ou da criação, em malhas como a da Grande São Paulo, de centenas de pequenas aldeias, autosuficientes, onde as pessoas poderiam ir para o trabalho à pé ou de bicicleta, utilizar-se dos equipamentos de saúde e de educação com tranqüilidade pois estariam disponíveis a poucos metros de casa. 

As comunidades aldeãs poderiam inclusive contribuir com a gestão dos serviços públicos, pois, para começar, teriam mais tempo para se dedicar a isso. Não mais desperdiçariam tempo para enfrentar os congestionamentos e outras vicissitudes.
 

As empresas, sobretudo as micro e pequenas, receberiam incentivos fiscais para contratar sua mão-de-obra dentro das próprias aldeias; artesãos e fornecedores de certos serviços essenciais seriam inclusive isentos de impostos e contariam com regulação menos rigorosa e mais justa; médicos dos serviços públicos seriam incentivados a visitar seus pacientes em casa, reforçando a prevenção à saúde; pais de alunos seriam também incentivados, talvez com folga semanal no trabalho, para melhor acompanhar os filhos na vida escolar; veículos de passagem seriam “pedagiados” e os recursos arrecadados  revertidos para aperfeiçoamento da infra-estrutrura das aldeias.

O melhor do aldeamento é sem dúvida a possibilidade que oferece à administração pública de calibrar seus focos de atuação, hoje dispersos por uma malha urbana gigantesca. São Paulo derivou para o caos menos por causa do licenciamento de centenas de novos veículos por dia e mais – muito mais – porque  não oferece a seus habitantes a menor possibilidade de trabalhar perto de casa ou servir-se dos equipamentos urbanos à pouca distância. Se um extraterrestre fosse observar com atenção o deslocamento diário da grande massa populacional paulistana iria concluir que, em São Paulo, o melhor emprego é aquele que fica a pelo menos duas horas de casa, a  melhor escola  é aquela que fica a duas horas e meia de casa e o melhor hospital é aquele que fica a três horas de casa.


Ainda está para ser calculado o número de escolas e postos de saúde que poderiam ser construídos apenas com a economia de combustível nesses deslocamentos irracionais. Até quando a população vai suportar conviver com esse enorme contrasenso?
(*) Dirceu Martins Pio é jornalista. Foi diretor da Agência Estado (Grupo Estadão) e da Gazeta Mercantil.
Obs.: Este artigo foi publicado originalmente no site do Instituto Millenium

sábado, outubro 22, 2011

MAIORIA DOS BRASILEIROS, DOS JORNAIS E DOS JORNALISTAS SÃO CORRUPTOS PELA CONIVÊNCIA OU PELO SILÊNCIO ANTE A CORRUPÇÃO DO GOVERNO PT

Levando em consideração as pesquisas de de opinião e o resultado das últimas eleições presidenciais só se pode chegar a uma única conclusão: mais da metade dos brasileiros, algo em torno de 60%, é constituída de corruptos. 
Não é de hoje que esse turbilhão de corrupção vem sendo denunciado e começou com o escândalo do mensalão, passando por dossiês, dólares na cueca, quebras de sigilo fiscal, roubalheiras de ONGs, cartões corporativos, ou seja, uma sucessão de sacanagens que não tem paralelo na história da República. Qualquer corrupto do passado, isto é, antes do governo do PT, é fichinha.
Assim, quando a gente caminha pelas ruas está cercado de corruptos. E a pior corrupção é a conivência da maioria e o deboche ante os poucos que ousam se insurgir.
E o pior de tudo é tudo é a conivência dos meios de comunicação em sua maioria esmagadora. Não há por enquanto censura à imprensa. Esta é feita pela maioria dos jornalistas e seu escandaloso contubérnio com o deletério comunismo.
Salvam-se apenas a revista Veja e mais meia dúzia de blogs jornalísticos. 

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quinta-feira, outubro 20, 2011

ARTIGO: O aparelhamento da coisa pública.

Por Nilson Borges Filho (*)
Dilma chegou à presidência da República pelas mãos de Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo a contragosto de parcela significativa de petistas de alto coturno. Foi um ato de vontade do ex-presidente, como se nada estivesse acima do seu gosto pessoal. O PT veio a reboque e – por falta de opção – os demais partidos da base aliada fizeram coro ao capricho presidencial.

Lula é um animal político esperto e sabe os caminhos que podem levar alguém ao poder. Criada em cativeiro, Dilma se deixou conduzir pelo chefe como se o futuro próximo não mais lhe pertencesse. Contando com o apoio do ex-presidente e levada pelos altos índices de popularidade do governo, Dilma derrotou o ex-ministro José Serra, candidato das oposições. 

Como não existe almoço de graça, Lula exigiu que alguns nomes fizessem parte do novo ministério e que outros fossem mantidos. Antônio Palocci pode ser enquadrado no primeiro caso, já Fernando Haddad, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi e Orlando Silva encontram-se na segunda situação. Tudo de acordo com o figurino.

Em pouco mais de nove meses, Dilma já substituiu cinco ministros: um por falar o que não devia e quatro por corrupção. A bola da vez é o ministro Orlando Silva (PC do B), envolvido até o pescoço com denúncias de malversação do dinheiro público na pasta do Esporte. 

Por baixo, o rombo nos cofres do ministério se aproxima aos 40 milhões. A propina está estimada em 20% do que era liberado para as ONGs, dirigidas por partidários do ministro Orlando Silva. 

O presidencialismo de coalizão brasileiro provoca esse tipo de coisa, o aparelhamento do Estado por apadrinhados dos diversos partidos que formam a base aliada do governo petista. Não bastasse isso, com a ascensão do PT, o neopeleguismo tomou de assalto os principais cargos da estrutura do Estado. 

É  natural que o partido que alcance o poder governe com os seus quadros. Mas o que ocorre no Brasil, seja em nível federal ou em níveis estaduais, o aparelhamento do Estado chega à fronteira da falta de respeito com o dinheiro do contribuinte. 

O senador Aécio Neves tem denunciado publicamente o desprezo do governo petista com a meritocracia. E o faz com carradas de razão, principalmente com o aparelhamento dos neopelegos nas estatais ligadas ao governo federal. Mas esquece o senador, que a mesma prática se dá nos Estados governados pelo PSDB. 

Ocorre que, entre os tucanos, o aparelhamento se dá entre parentes e corriolas. Muito embora a insatisfação ocorra subliminarmente, é crescente a formação de corriolas em governos tucanos – mormente em estatais, que ficam longe do olhar do governante – integradas por pessoas que contam com a simpatia do chefete, amiguinhos de última hora da autoridade pública e daqueles tipinhos nojentos que fazem o jogo do “leva-e-traz”, que costumam se apresentar como leais ao chefe de plantão detonando colegas de trabalho e abiscoitando bons cargos. 

O chefete que ali está não por mérito, mas por fazer parte da cota de algum político, esconde sua mediocridade e insegurança formando verdadeiras corriolas em seu entorno.  Enquanto isso, aqueles servidores históricos que, por força do caráter ou  profissionalismo, não se permitem ao agachamento moral, são desqualificados e colocados de escanteio pela autoridade pública. 

Assim, se o PSDB desejar, nas próximas eleições presidenciais, colocar em pauta a questão do aparelhamento petista na estrutura do Estado, comece a rever determinadas práticas de aparelhamento nos seus governos estaduais, onde prevalecem o “poder das patotas” em detrimento de uma gestão profissional. 

Choque de gestão faz bonito e soa bem aos ouvidos dos de fora, mas seria bom que os governantes tucanos lançassem um olhar crítico  para o que está ocorrendo, além das suas vistas, nas suas administrações. Principalmente nas estatais. Não custa nada alertar: 2014 está logo aí. E não adianta virem com lero-lero, pois os fatos falam por si.
(*)Nilson Borges Filho é  doutor em Direito, professor e articulista colaborador deste blog.

terça-feira, setembro 13, 2011

ARTIGO: Lula nao vai desencarnar.

Por Nilson Borges Filho (*)

Foi dada a partida para as eleições gerais de 2014. O PT em particular e a base aliada - ou o que restar dela - no geral  apresentam-se com dois candidatos potenciais: a atual presidente Dilma Rousseff, se a saúde permitir e se o seu governo estiver voando em céu de brigadeiro; e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se as circunstâncias médicas e políticas colocarem em risco uma possível reeleição petista. 

Não existe a menor possibilidade de Lula desencarnar da presidência, até mesmo porque isso faz parte do jogo sucessório do lulo-petismo. O ex-presidente vai tirar este ano para encher os bolsos de dinheiro, participando de palestras pagas pelo patronato brasileiro e por multinacionais interessadas no mercado nacional. 

A intenção de Lula é gerar uma carteira de investimentos, para que possa viver com tranquilidade o resto de seus dias e poder patrocinar os botoxes da madame,  quando os que já existem despencarem por fadiga de material ou começarem a perder os rigorosos prazos de validade. Afinal, ninguém é de ferro. Lula é um animal político em estado bruto e os anos que passou dirigindo o país em nada alterou o seu estilo rasteiro de fazer política, escorregando sempre para o fisiologismo e para a manipulação da massa de excluídos do mercado de consumo. 

Colocando em prática um populismo autoritário, convertido em bolsas-família, Lula terá à sua disposição um eleitorado cativo, sempre de olhos fechados para os malfeitos de seu governo; quase todos contaram com a sua conivência. Em 2012, quando mais de cinco mil municípios elegerão seus prefeitos, Lula correrá o país, de canto a canto, trabalhando para eleger o maior número possível de candidatos da sua base partidária. 

Já em 2013, Lula dará início às articulações para a composição de chapas aos governos estaduais e à construção de uma folgada maioria de futuros deputados e senadores no Congresso de olho na sua candidatura à presidência da República. Lula é conservador no estilo e pragmático quando se trata das questões de política operacional. Essa performance do ex-presidente Lula é música para os ouvidos do neo-peleguismo, chegado numa sinecura polpuda em alguma estatal.

O discurso esquerdista é endereçado, principalmente,  ao público interno, que serve para amansar a militância empedernida  e irresponsável. Salvo algum tsunami ou terremoto, esse será o quadro que os  petistas esperam para 2014.

Na outra ponta do tabuleiro, partidos da base aliada se concentram em nomes que poderiam ser lançados para a vaga de vice-presidente numa composição com Dilma ou Lula na cabeça da chapa. O PMDB pensa num rosto novo e “moderno” em substituição a Michel Temer. O nome da vez é o do ex-tucano Gabriel Chalita, agora no PMDB, que se elegeu deputado federal por São Paulo com uma montanha de votos. 

Embora seu nome esteja sendo trabalhado para uma possível candidatura a prefeito ou a governador de São Paulo, a ideia é a de construir sua candidatura a vice numa chapa petista. Tem sua lógica, principalmente se o candidato da oposição for Aécio Neves, um rosto “novo” e “moderno” para os padrões da política brasileira. Chalita – numa chapa com Dilma ou Lula -  faria o contraponto a Aécio, nos quesitos novidade e modernoso. 

O PSB que também busca uma vaga de vice, o governador de Pernambuco faz de conta que sairá candidato a presidente, mas, na verdade, namora com o PT e flerta com o PSDB, e quer mesmo é a vice-presidência. Aécio em 2010 ganhou tudo: fez de do professor Anastasia governador de Minas, se elegeu senador e ajudou Itamar Franco a obter a segunda vaga para o Senado Federal e ainda viu seu concorrente José Serra ser derrotado por Dilma, uma mineira. 

Em 2014 o vento pode soprar contra Aécio Neves por vários motivos: primeiro, porque era o que todo mundo esperava de que seria o principal líder das oposições no Congresso Nacional e isso está longe de acontecer. Até o momento, Aécio não disse para o que veio e sua contribuição é pífia. Segundo, porque o governo de Minas que deveria se apresentar como a vitrine da candidatura de Aécio Neves passa por sérios problemas políticos e administrativos. 

O governador Anastasia – apostando em Aécio para 2014 – montou uma equipe de secretários, de perfil político, originários do baixo clero e se apegou, credenciando quem não tem lastro para tanto, a uma casta de burocratas engravatados e de moças espevitadas, no  figurino clássico dos terninhos, arrogantes no falar (“a metodologia”, “a ferramenta”, “o instrumental”, “o projeto estruturante” e outros modismos que  impressionam os menos avisados) e no agir (a corporação patota), que passam uma imagem de exímios fazedores de planilhas e relatórios, mas desprovidos de cultura política e estofo intelectual, além de falta de visão estratégica de Estado como sociedade política e sem credenciais para transformar uma crise setorial, promovida por gente especialista no assunto (sindicatos), num ganho político. 

Terceiro, porque a complexidade que se consagra, desde sempre, o bloco histórico do Estado, política em Minas não é para burocratas amadores cheios de si. Em tese, falta ao governo mineiro um Anastasia do Anastasia. Conta, ainda, contra Aécio resquícios do último pleito presidencial, quando colocou seu projeto pessoal acima do partidário. E tal tipo de coisa, na política não se perdoa. 

Permanecendo esse estado de coisas, se Aécio sair candidato à vaga de Dilma é bem capaz de perder a presidência, o governo do Estado e um futuro promissor. 

Correndo por fora, também em busca de uma vaga de vice na chapa petista, o recém lançado PSD de  Gilberto Kassab. Ainda é cedo para avaliar as chances do PSD numa futura composição com o PT, mas como os inimigos de ontem (Sarney, Renan, Collor et caterva) são os companheiros de hoje, tudo pode acontecer.

(*) Nilson Borges Filho é doutor em direito, professor e articulista colaborador deste blog.

sexta-feira, agosto 05, 2011

ARTIGO: Periga ficar pior.

Por Nilson Borgres Filho (*)

Desde  à época da crise instalada com o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo, não há nada que desmereça o comportamento das Forças Armadas brasileiras perante o poder civil. Naquela oportunidade, o país estava em frangalhos político e administrativamente. Nada funcionava e vivia-se um período de conturbação total, de falta de autoridade e inexistência de comando político. 

Pressões de tudo que era lado – inclusive do público interno – chegavam aos ministros militares, exigindo que houvesse uma intervenção manu militari. Vivandeiras atiladas rondavam os quartéis. Mesmo assim, o comando das Forças Armadas se negou a praticar qualquer ato que pudesse afrontar o processo constitucional, deixando, democraticamente, o problema nas mãos do poder civil. 

Anos mais tarde, o país foi surpreendido pela cena protagonizada pelo ex-presidente Itamar Franco, desfilando em pleno carnaval com uma moça sem a roupa de baixo. Os fotógrafos fizeram a festa, mas nos quartéis o clima era de revolta, ao presenciar o comandante-em-chefe das Forças Armadas se prestando para aquele tipo de papel, desonrando o cargo que lhe foi conferido. Choveram faxes nos gabinetes dos ministros militares, vindos dos comandos das três forças singulares, que exigiam uma tomada de posição contra o presidente, sendo que em algumas dessas manifestações pediam a cabeça de Itamar Franco. Novamente prevaleceu o profissionalismo das FFAA, a disciplina e a hierarquia. 

Discretamente, como a ocasião exigia, os ministros fardados fizeram chegar ao conhecimento de Itamar Franco o descontentamento da tropa com o seu comandante-em-chefe. Itamar entendeu o recado e, a partir daí, se conteve nos seus arroubos de presidente solteiro. 

O Ministério da Defesa surgiu há poucos anos, como uma forma simbólica de dizer que o poder militar subordina-se ao poder civil. Como o cargo é civil, os governos têm entendido que o ministro também deva ser um civil. E por ali já passaram alguns ministros que provocaram sobressaltos ao governo, alguns por falta de estatura institucional e outros por desconhecerem como funciona a caserna. A última crise deu-se, agora mesmo,  com a demissão de Nelson Jobim do ministério. A bem da verdade, o ex-ministro não era unanimidade na tropa. 

Muitos de seus comandados o tinham como arrogante, vaidoso e cheio de si. Um pavão, resumiam alguns. Generais de pijama – debochadamente - só o tratavam de capitão Jojoba. Jobim caiu porque falou demais e disse o que realmente pensava. Quebrou a hierarquia. Não era bem-quisto pela presidente. Dilma tinha tudo para dar uma solução definitiva ao Ministério da Defesa, colocando na chefia um general da reserva de quatro estrelas, que contasse com a admiração e o respeito dos seus camaradas. Enfim, um militar profissional. Fez a pior escolha para o momento, colocando um cidadão que se notabilizou pelo servilismo a ditadores de quinta e pela maneira melosa e bajuladora de como servia à família Lula da Silva. 

Fraco, provinciano, defensor de uma esquerda vira-lata, os militares  podem lhe negar continência. Para gente acostumada com tiro de canhão, a escolha de Amorim não passa de um traque. Só falta ao futuro ministro, encomendar a sua farda de Escoteiro – patente de lobinho.

(*) Nilson Borges Filho é doutor em Direito, professor e articulista colaborador deste blog.

quarta-feira, maio 25, 2011

ARTIGO: Paloccigate

Por Nilson Borges Filho (*)

O enriquecimento repentino e não explicado do ministro Antônio Palocci coloca o  ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o principal articulador político do governo de Dilma Rousseff .

A permanência do Chefe da Casa Civil e os apoios públicos de parlamentares da “base alugada” não refletem, exatamente, o que se passa internamente no PT. Declarações públicas que tentam minimizar a atual crise não quer dizer, necessariamente,  que exista um desejo explícito  pela manutenção de Palocci. 

Tem muita gente dentro do governo torcendo para que o ministro se desidrate politicamente, a ponto de se tornar refém de parlamentares que dão sustentação ao governo. Não é segredo para ninguém – muito menos para petistas - que Palocci não era o nome preferencial de Dilma para ocupar a principal pasta do seu governo.  

Lula convenceu a presidente que Palocci seria o melhor nome para articulador político do seu governo, pois transita bem entre os diversos partidos, inclusive da oposição, e tem credibilidade junto ao patronato brasileiro. Dilma, que faz de tudo para não contrariar seu inventor, manteve Palocci e de quebra aceitou Gilberto Carvalho na Secretaria Geral, Mantega na Fazenda e adotou Fernando Haddad como ministro da Educação. 

Não bastasse isso, Dilma teve que engolir o deputado Rui Falcão como presidente nacional do PT, a quem detesta silenciosamente. Ao assumir a coordenação política do governo federal, Lula enfraquece politicamente Dilma Rousseff. 

O ex-presidente aposta que o sucesso da presidente é, na verdade, o seu sucesso. Mas, se sua escolhida não se sair bem, Lula mantém a aposta que será o principal nome do PT e aliados para 2014. Ricardo Berzoini e o mensaleiro João Paulo Cunha torcem pela queda do ministro Palocci, creem num esvaziamento político da presidente e pensam que Lula passará a dar as cartas no governo. 

Com isso farão o que mais gostam: repartir, entre seus apaniguados, diretorias de estatais e de fundos de pensão com orçamentos polpudos. Decididamente,  Dilma tem se insurgido contra o  aparelhamento das estatais pelo neo-peleguismo. A rigor, o paloccigate surgiu da luta política de “cachorro  grande” dentro do próprio PT. E foi daí que se abasteceu a reportagem da Folha de São Paulo, para fazer a matéria que tratou do enriquecimento de Antônio Palocci. 

Não pensem que estão sendo sinceros, os que defendem publicamente o ministro da Casa Civil. A ideia é promover  a sua saída, mais ou menos honrosa, antes que estilhaços da crise atinjam a arrecadação de fundos da campanha de Dilma Rousseff. A maior preocupação de Lula – caso não se estanque a sangria de Palocci – consiste no fato de que a crise está se aproximando de alguns amigos próximos e de gente da sua própria família.  

A presidente está fragilizada não só politicamente;  sua saúde está trazendo preocupações aos seus auxiliares de confiança.  Foi grave a recaída de Dilma. E não são poucos, entre os petistas e aliados, os que torcem pelo pior. 

Uma fonte me confidenciou que a crise foi criada dentro do PT e que a estratégia é a de vinculá-la à oposição para o público externo. Internamente, a estratégia – disse-me ele – é pela guerra de posições, no mais exato conceito gramsciano. 

A informação publicada pela Folha de São Paulo, edição de hoje, de que a Caixa Econômica Federal comunicou à justiça, que a quebra do sigilo bancário do caseiro partiu do gabinete de Palocci, foi passada por gente do PT. É tudo que Palocci  gostaria que não viesse a público.

(*) Nilson Borges Filho é doutor em Direito, professor e articulista colaborador deste blog

domingo, fevereiro 20, 2011

'País do conhecimento, potência ambiental', rá,rá,rá

Dilma a desaparecida, aparece este domingo por meio, evidentemente, de um de ghost-writer, assinando um artigo na Folha de São Paulo cujo título resume o conjunto da obra: 'País do conhecimento, potência ambiental'.
O escrito é um colossal papo-furado e repete a histórica ladainha do Brasil como uma país colossal, que faz e que acontece. Claro, o texto exorta por outras palavras, com diferente roupagem, o mantra lulístico 'nunca antes neste país'. Pragueja contra o passado para afirmar que no presente - isto é, sob o governo petista - tudo começa a ficar diferente.
O artigo é um troço ridículo quando se sabe que centenas morrem de dengue, que nos últimos anos não foi investido nada em termos de infra-estrutura e os quase 200 milhões de brasileiros vivem sobre uma grande cloaca já que não existe uma só cidade com cobertura de esgoto tratado. O sistema de saúde está completamente dilacerado e a educação que o artigo glorifica é um lixo, sem falar na questão da segurança pública. Neste aspecto basta citar o caso daqui de Santa Catarina, um dos menores Estados brasileiros em termos populacionais e territoriais e, seguramente, o mais equilabrado socialmente mas que registra uma dramática estatística: a cada 8 horas há um homicídio. Basta pegar as estatísticas e comparar a situação da segurança pública nesses últimos oito anos de petismo com o interregno do governo de FHC. Está aí um pauta para os preclaros jornalistas da grande imprensa nacional. 
Dizer que é um país do conhecimento é pura piada. É muito cinismo da Dilma, quando se sabe que isso é uma mentira histriônica porque o Brasil não produz nada de ciência e tecnologia. É zero total! O país está atrasadíssimo e a única atividade produtiva que não deixa a coisa ir para o brejo é o agronegócio, justamente a área vilipendiada pela bandalha do PT que financia a canalha de arruaceiros do MST.
É por estas e outras que Dilma continuará enclausurada na redoma palaciana e só colocará o nariz para fora em monólogos em rede de televisão ou então por meio de artigos da lavra de ghost-writer guiando-se pelo velho adágio, segundo o qual as telas de TV e o papel aceitam tudo. 
País do conhecimento e potência ambiental sem esgoto tratado mergulhado num  turbilhão de deletéria violência sob o comando do terror do narco-tráfico? Cáspite! Estão de brincadeira ou delirando? Só posso exclamar: rá, rá, rá...

terça-feira, fevereiro 08, 2011

FOLHA DE S. PAULO PUBLICA ARTIGO QUE DEFENDE ISLAMISMO E FALA EM 'POGRON' ANTI-ISLÂMICO. INFAME E VERGONHOSO!

Por incrível que pareça o jornalista Clóvis Rossi, velho de guerra da imprensa brasileira, resolveu comparar fanáticos islâmicos com os judeus. O título do artigo de Rossi que está no site da Folha não pode ser mais infame e estúpido: 'Islã não pode ser o judeu do século XXI'. Transcrevo após este prólogo. Refere-se à crise do Egito e, por trás de sua pretensa isenção, destila o mais rasteiro antissemitismo, já que o islamismo não pode ser considerado uma religião pois é uma seita fanática e assassina que usa o terror para impor seu poder. A crise egípcia poderá transformar o Egito numa República islâmica do tipo iraniano caso a tal Irmandade Islâmica, vergonhossamente abençoada por Rossi, logre seus objetivos.
Ora, todos sabem que o islamismo é intolerante e objetiva islamizar o Ocidente. Vejam por exemplo o post abaixo sobre a violência dos islâmicos na Indonésia que estão atacando a minoria cristã e depredando igrejas e imagens sacras. Os islâmicos reiteram de forma permanente que desejam destruir Israel e matar todo os judeus, justamente esse  povo que, por ironia da realidade, mantêm o único Estado democrático do Oriente Médio.

Daqui do blog envio o meu mais profundo repúdio e nojo ao artigo de Clóvis Rossi e à direção da Folha de São Paulo por consentir que uma terrível e ignominiosa mentira seja veiculada como sendo verdade ao mesmo tempo em que contribui para confundir a opinião pública. Se fosse um desses jornalistas cevados nos cursos de comunicação que sofrem a lavagem cerebral esquerdista politicamente correta seria compreensível, mas é um dos decanos da imprensa brasileira e integrante do Conselho Editorial de um dos maiores jornais brasileiros a proferir esse turbilhão de idiotices. É lamentáve. Leiam:

O maior erro que o Ocidente poderia cometer, em função das revoltas no mundo árabe/muçulmano, é transformar o islamismo no século 21 nos judeus do século 20, vítimas de um processo de aniquilação que é uma das grandes manchas da história da humanidade.
Cada vez há mais análises dizendo que "essa gente" não tem direito a querer a democracia porque basta que a tenham para que votem, por exemplo, no Hamas (Movimento de Resistência Islâmica), que controla hoje a faixa de Gaza.
Na superfície dos fatos, é até verdade: o Hamas de fato ganhou as eleições, não na primeira mas na segunda oportunidade que tiveram para disputá-las em Gaza. Mas qualquer análise honesta teria que fazer a pergunta seguinte: por quê o Hamas ganhou?
Por quê todos os habitantes de Gaza são terroristas em potencial? Se o fossem de fato, Israel provavelmente já teria sofrido dores muito mais profundas.
O Hamas ganhou porque oferece serviços sociais e um mínimo de horizonte a uma população confinada a um gueto.
É o que oferece também a Irmandade Muçulmana no Egito, o mais antigo movimento islâmico do planeta.
Cobrem, ambos, carências (ou inexistência) dos Estados, inclusive o de Israel, que se recusa a permitir que os palestinos tenham um país minimamente viável.
Além disso, há vozes, no Ocidente, que lamentam que "uma das mais mal-relatadas histórias do século 20 é a enorme penetração das melhores ideias políticas do Ocidente --democracia e liberdade individual-- na consciência muçulmana".
Autor da frase, em artigo para o "NY Times", Reuel Marc Gerecht, pesquisador-sênio da Fundação para a Defesa das Democracias e ex-especialista nas missões clandestinas da CIA no Oriente Médio.
Mais: "Homens e mulheres de fé, que celebram (ainda que nem sempre sigam rigorosamente) a Sharia [lei islâmica] abraçam crescentemente a subversiva ideia de que só é legítima a liderança política eleita".
Parece muito mais sensato dar uma chance, que a revolta egípcia oferece, a uma confluência de civilizações do que promover um "pogrom" anti-islâmico que tornaria a ideia reacionária de "choque de civilizações" uma profecia que se auto-cumpre.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

BORNHAUSEN: OPOSIÇÃO NÃO TEM O DIREITO DE QUEIMAR SUA FORÇA NA FOGUEIRA DAS VAIDADES

Transcrevo na íntegra artigo do líder do Democratas na Câmara Federal, o deputado catarinense Paulo Bornhausen, que está publicado na Folha de São Paulo desta terça-feira. O título original do artigo é Oposição fortalecida. Bornhausen analisa o atual quadro político e a responsabilidade dos partidos oposicionistas. Observa que na última eleição eleição o eleitorado concedeu à oposição 44 milhões de votos e o governo dos principais Estados brasileiros.
Um dos itens mais importantes -e pouco mencionado- da herança recebida pela presidente Dilma Rousseff é a oposição, que saiu mais forte das urnas de outubro de 2010. Vou logo aos fatos, porque na própria oposição ainda há quem pense o contrário e, por isso mesmo, pode estar assumindo posições autofágicas, equivocadas.

Um parêntese sobre essa herança: desde a tragédia climática que atingiu Santa Catarina, em 2008, que venho, junto com parlamentares de diversos partidos, lutando por legislação que reforce a Defesa Civil. O que está acontecendo no Rio de Janeiro poderia, sim, ser evitado. Não foi, virou herança e, se o país não reagir, vai ser herança para o próximo governo, em 2014.


Quem acompanha a movimentação em torno da eleição para a presidência da Câmara dos Deputados deve fazer as mesmas contas que PMDB e PT fizeram para buscar nos votos do PSDB e dos Democratas a garantia para o cumprimento do princípio da proporcionalidade para a composição da Mesa.


Matematicamente aptos a assumirem a presidência da Casa, por que PT e PMDB precisariam se juntar à oposição? Porque a oposição tem votos para decidir qualquer votação importante, é simples.


A oposição vai continuar sendo a pedra no caminho. Até porque essa é a sua função, sinalizar a existência de outros caminhos. Ou a pedra no sapato, mostrando que o sapato novo, agora de salto alto, não cabe no pé de quem o está calçando.


É fundamental que a oposição tenha consciência de sua força. Para isso, deve lembrar que o embate político não deve se dar apenas no Parlamento -esse talvez o nosso grande erro nos últimos oito anos.


O processo político de alternância no poder não é imediatista; é processo, algo a ser construído.


A oposição deu passos largos nas últimas eleições: Democratas e PSDB assumiram dez importantes governos estaduais. Isso significa a possibilidade de avanço no plano municipal, em 2012, que projeta uma nova posição federativa em 2014, em busca do objetivo maior, que é o poder central.


Com Rosalba Ciarlini no Rio Grande do Norte e Raimundo Colombo em Santa Catarina, os Democratas chegarão em 2014 com um projeto de gestão que nos credenciará para a disputa da Presidência da República. Isso está sendo possível graças a planejamento definido na fundação do partido, em 2007.


Lá foram traçados princípios e linhas de nossa atuação. Na Câmara, por exemplo, a rotatividade anual da liderança da bancada fez do Democratas um partido sem estrelas, em que todos têm a mesma possibilidade de se destacar.


No campo oposto, temos um país que esgotou sua capacidade de seguir crescendo por inércia. Um país em que a falta de investimentos nos últimos oito anos leva inevitavelmente a um retrocesso no quadro econômico-financeiro.
Um país que voltará a sentir as agruras do arrocho fiscal, consequência da desastrada política de gastos públicos; da administração voltada para a construção de um mito, e não de uma nação.


Para honrar os mais de 44 milhões de votos recebidos em 2010, a oposição precisa seguir a receita que deu certo, seguir a fórmula de suas vitórias: ganharam aqueles que se apoiaram em um projeto de grupo; perderam os individualistas, tanto na oposição como nas hostes governistas.


A oposição unida saiu, sim, fortalecida das urnas de 2010. E não tem o direito de queimar essa força na fogueira das vaidades.

sexta-feira, novembro 05, 2010

ARTIGO: Ele é a outra.

Por Nilson Borges Filho (*) 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve estar exagerando em algum tipo de medicação, pois é incapaz de manter uma certa lógica na sua discurseira diária após o último pleito. Na primeira aparição pública, na companhia de Dilma Rousseff, Lula deitou falação: atacou o adversário José Serra de forma deselegante, chamou a oposição de raivosa e determinou que o próximo ministério tinha que ter “a cara” da candidata eleita.

Já no dia seguinte, ignorando qualquer apreço pela liturgia do cargo e – parece – ainda sob o efeito de forte medicação, decidiu escalar alguns titulares para a formação da equipe ministerial da sua sucessora. Inicialmente sugeriu que a presidente eleita devesse manter os ministros da área econômica, o da Fazenda Guido Mantega e o do Banco Central Henrique Meirelles. Não contente com as duas indicações, foi além na sua corriqueira incontinência verbal ao insinuar que os ministros Nelson Jobim e Fernando Hadad deveriam continuar à frente das suas respectivas pastas.

Em apenas dois dias – nada mais do que isso – Lula já indicou quatro ministros para a equipe que deveria ter “a cara” de Dilma Rousseff. Coube ainda ao presidente vetar a indicação de Antônio Palocci para Chefe da Casa Civil, sob a alegação de que o ex-ministro da Fazenda poderia fazer sombra à presidente. Sendo médico por formação, por que não fazer de Palocci ministro da Saúde e remanejar Paulo Bernardo do ministério do Planejamento para a Casa Civil, indagou o presidente Lula?

Afinal, Paulo Bernardo não tem ambição política e conta com a simpatia de Dilma. Como passou oito anos na Chefia de Gabinete da presidência da República, Lula deixou escapar que Gilberto Carvalho deveria continuar no posto, pois ninguém conhece melhor o caminho das pedras da burocracia estatal do que o seu auxiliar mais próximo.

Por baixo, bem por baixo, já são em número de sete os indicados de Lula para o ministério. Até o fechamento deste artigo, a presidente eleita – que deveria montar um ministério com a sua “cara” – não se fixou publicamente em nenhum nome para o seu gabinete. Não fossem as maracutaias da família Guerra, arrombando cofres do erário público em troca de 6%  de “êxito” em negócios escusos, provavelmente Erenice seria a Dilma da Dilma.

Ocorre que as investigações se encaminham para um desfecho nada confortável para os envolvidos, inclusive aqueles tidos como ocultos. Encontra-se na memória do eleitor catarinense, um Lula palanqueiro excitadíssimo, movido sabe-se lá a quê, exigindo aos berros que o DEM fosse extirpado da política nacional. Com o seu linguajar de botequim atacou os Bornhausen, sem mais nem menos.

Agora, esse outro Lula decide como a oposição deve se comportar no próximo governo, diferentemente da forma como agiu com o seu governo, diz ele. Bobagem. Lula bem sabe que se a oposição tivesse um pouco de rigor ele teria sofrido impeachment, no momento em que Duda Mendonça, depondo na CPI do mensalão, confirmou que recebeu 10 milhões de dólares, de origem pra lá de duvidosa, depositados em uma conta no exterior, como pagamento por “serviços” prestados como marqueteiro da campanha presidencial do seu primeiro mandato.

É fato, e a história comprova, que Lula tentou negociar a sua permanência no cargo, oferecendo como moeda de troca não disputar a reeleição. Acreditando que Lula sangraria até a sua morte política, a oposição deixou que as coisas tomassem o seu curso e abandonou a ideia do impeachmento. O final dessa história é do conhecimento de todos. Ou não?

O processo dos quadrilheiros do mensalão encontra-se na mesa do ministro do STF, Joaquim Barbosa, que em breve oferecerá  seu voto em sessão ordinária da Corte. A Polícia Federal está fechando o cerco nos dois casos em andamento: a quebra do sigilo fiscal da família de José Serra e o caso da propina nas negociatas na Casa Civil. Os próximos meses serão animadíssimos. 

(*) Nilson Borges Filho é mestre, doutor e pós-doutor em Direito. Foi professor da UFSC e da UFMG. É articulista colaborador deste blog.

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quinta-feira, outubro 28, 2010

ARTIGO: E se Erenice resolver falar? E se as fitas vierem a público?

Por Nilson Borges Filho (*) 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu entorno estão preocupadíssimos – a ponto da histeria – com duas bombas de efeito devastador, tanto para o governo como para a candidatura de Dilma Rousseff. Por enquanto, o Planalto mantém o controle da situação, só não sabe até onde poderá segurar os mais afoitos.

A ex-Chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, em depoimento à Polícia Federal,assumiu que se encontrou com o consultor que fez a denúncia de tráfico de influência no governo federal, na antessala do presidente da República. Erenice recuou da primeira versão que constava de sua nota oficial, que nunca havia estado com Rubnei Quícoli, lobista da empresa EDRB. Confirmou, também, que esteve com Fábio Bacarat, representante da MTA, a aérea que fazia transporte de carga para os Correios.

As primeiras informações dão conta que foi bandalheira das grossas e que atinge diretamente familiares da ex-ministra, amigos e subordinados. A rádio corredor informa, a boca pequena, que isso não é nada perto do que está para vir a público.

O depoimento de Erenica na Polícia Federal, deixando a “questão” em aberto, foi a senha endereçada ao lulo-petismo para que fique alerta. Quando avisou que não seria um novo Delúbio Soares, Erenice Guerra quis dizer que se for abandonada pelo partido e pelo governo federal, não terá o mínimo constrangimento em falar tudo o que sabe.

Amigos não fazem segredo que Erenice se sentiu abandonada por Dilma Rousseff e pelo PT;  não cansam de propagar que a ex-ministra é uma bomba em movimento. Afirmam, ainda, que a propina recebida pelos seus filhos e amigos é café pequeno, considerando o montande que foi distribuído para pessoas próximas ao governo, que dele faziam uso de forma nada republicana.

A cada dia, surgem mais denúncias praticadas pela Casa Civil, desde quando Dilma Rousseff ocupava a titularidade do Ministério. Quando Erenice coloca o seu sigilo fiscal à disposição da polícia e da justiça ela bem sabe o que está falando, pois o dinheiro não passou por suas contas bancárias. Mas se abrirem o sigilo fiscal e bancário dos seus filhos, dos seus subordinados e de algumas pessoas que circulavam em seu entorno, pode-se ter uma vaga ideia de quem se abastecia com o dinheiro dos caixas do erário público. Erenice  sabe dessa movimentação e já avisou que pode falar, caso sinta que ela e os seus estão sendo usados como o bode na sala.

Outra bomba com efeito de uma onda tsunami é  o que existe nas gravações em poder da revista “Veja”, cujas fitas estão confinadas num cofre da Editora Abril. Os diálogos, envolvendo gente de grosso calibre dentro da esfera pública federal, atinge a candidata Dilma Rousseff, ministros, secretários e assessores presidenciais. Fica-se sabendo, ainda, que a autonomia de órgãos do Estado servia mais para comprometer homens públicos – para obter proveito da situação -  do que para suas funções constitucionais.

Nem mesmo o presidente da República foi poupado. O ódio que Lula vem destilando – me desculpem a provocação – não vem somente dos destilados e do vácuo de poder que o faz perder o equilíbrio emocional, mas porque sua privacidade se tornou pública em determinados escaninhos do serviço federal.

Lula ficou emotivo, chora por pouca coisa. Lamenta por ter que largar a teta, o aerolula, a bajulação, as mordomias palacianas e o palanque oficial. Quando, daqui a alguns dias, voltar para São Bernardo do Campo, Lula vai voltar a ser ele. E aí, minha gente, vai perceber que já foi e que agora não é mais nada. Não haverá por perto nem mesmo aqueles puxa-sacos, que se dobravam de tanto rir de suas piadas infames. Desses, o que mais lhe fará falta é o presidente da Petrobras, o mais risonho entre todos os bajuladores. 

(*) Nilson Borges Filho é mestre, doutor e pós doutor em Direito. Foi professor da UFSC e da UFMG. É articulista colaborador deste blog. 

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terça-feira, outubro 12, 2010

ARTIGO: Apareceu Dilma Vana no Jardim do Éden.

Por Nilson Borges Filho (*) 

A estratégia de campanha da candidata Dilma Rousseff elevando o tom contra José Serra, no debate promovido pela TV Bandeirantes, pode acender uma luz no fim do túnel da militância petista, mas não vai além disso. Pesquisas informam que o eleitor brasileiro médio é conservador e mantém-se firme na defesa de princípios e valores, seja de ordem moral ou mesmo de conduta religiosa. E tem mais: esse mesmo eleitor – que leva uma vida de cidadão comum – não tolera qualquer tipo de agressividade, física ou verbal, pois basta aquela em que é obrigado a conviver, dia-a-dia,  no trânsito, na fila do banco, na escola dos filhos e no trabalho.

Dilma, ao se utilizar de maus modos contra o candidato José Serra, ofereceu munição aos indecisos para se bandearem às fileiras do tucanato. A primeira reação contra a agressividade da petista partiu dos eleitores de Marina Silva, acostumados com o perfil zen da candidata do PV e com a sua elegância em fazer política, mesmo em momentos exageradamente tensos. Os verdes que ainda não haviam se posicionado, oficialmente, em qual candidato despejar seus vinte milhões de votos, depois de domingo último passaram a considerar que o tom, o timbre e os gestos de Dilma Rousseff não condizem com alguém preocupada com um Brasil de conciliação nacional, como prega a senadora Marina Silva.

O ponto negativo da agressividade da candidata petista atingiu o seu auge quando, sem quê nem pra quê, atacou Mônica Serra, mulher de José Serra, exemplo de discrição. Nesse momento, Dilma se afastou mais ainda do eleitorado feminino, um tanto cansado dos maus tratos que sofre no curso da vida. Quando esse tipo de agressividade parte de outra mulher, o efeito é arrasador.

É provável que as pesquisas internas dos partidos não tiveram tempo de apurar a movimentação do eleitor após o debate, mas a voz rouca das ruas sinaliza um clima totalmente desfavorável à Dilma Rousseff. Curiosamente, esse tipo de postura enquadra-se melhor no candidato que se encontra atrás nas pesquisas e, por isso mesmo, parte para o vale-tudo, buscando reverter o quadro eleitoral.

Vem aí mais uma questão – o tom agressivo – que a candidata do PT vai ter que se explicar nos próximos dias, não bastassem suas posições sobre a legalização do aborto, as maracutaias de Erenice Guerra e família, a corrupção na Casa Civil e nos Correios. E de quebra, surge agora uma amiga uruguaia de Dilma, com o nome fantasia de Tupamara, acusada de desviar dinheiro público.
A mudança de estratégia do PT acontece no exato momento em que ressurge das cinzas a figura de Ciro Gomes e com a aproximação de José Dirceu com a equipe de campanha da candidata de Lula. Essa tal aproximação de José Dirceu com Dilma não é um bom negócio para os petistas, pois desde o mensalão – quando foi enquadrado no Código Penal como chefe de quadrilha – que o ex-chefe da Casa Civil representa o que existe de pior no campo político.

Agora, surge a reação de grupos católicos incomodados com a conversão repentina de Dilma Rousseff, frequentando missas e visitando templos religiosos. Comportamento visto pelos eleitores como oportunista e eleitoreiro. Na outra ponta do espectro religioso, evangélicos e espíritas, já vinham denunciando o vai-e-vem escancarado da candidata petista com relação à legalização do aborto.

Baixou o amadorismo na campanha de Dilma Rousseff. O desespero na sua assessoria é visível. A crise no núcleo duro de campanha da candidata já está colocando em dúvida a “a genialidade” do marqueteiro João Santana. Na coordenação de campanha da candidata o clima é o pior possível. Lula – que de bobo não tem nada – submergiu e está dando um tempo até que as coisas fiquem mais claras. 

(*) Nilson Borges Filho é mestre, doutor e pós-doutor em Direito e foi professor da UFSC e da UFMG. É articulista colaborador deste blog. 

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sexta-feira, outubro 01, 2010

ARTIGO: A herança maldita deixada por Lula

Por Nilson Borges Filho (*) 

Nunca antes na história deste País, um presidente foi tão prejudicial  à democracia como Luiz Inácio Lula da Silva. Aparelhou o Executivo com que existe de pior no sindicalismo brasileiro; domesticou o legislativo com a distribuição de cargos e verbas individuais do orçamento da União; e emparedou o judiciário com a nomeação de algumas pessoas, sem a mínima qualificação técnico-jurídica,  para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.

A última nomeação de Lula contemplou um  ex-advogado do PT, que não conseguiu ser aprovado para a magistratura paulista nas duas oportunidades em que participou do certame. Pior: o atual ministro do STF, Dias Tófoli, foi reprovado na prova preambular, aquela de múltiple escolha, onde o candidato faz uma cruzinha na alternativa correta. Trouxe, ainda, para a Suprema Corte pessoas que, além do despreparo jurídico, são desprovidas de equilíbrio emocional para o exercício de tão importante carreira do Estado.

Algumas situações merecem ser lembradas: em uma delas, o ministro Marco Aurélio chamou para a briga o ministro Joaquim Barbosa;  na outra, o bate-boca com ofensas pessoais se deu entre o mesmo Joaquim Barbosa e o ministro Gilmar Mendes, à época presidente do STF. Um dos ministros foi escolhido por Lula atendendo ao pedido de Frei Beto, o dominicano que nas horas vagas assessorava o presidente. Outro, obteve assento na Corte levado pela amizade da primeira-dama Marisa Letícia com a mãe do candidato a ministro do Supremo.

Nem mesmo os militares que, por força do AI 5 podiam tudo,  tiveram tamanha coragem em transformar o STF num apêndice do Poder Executivo.  Lula fez do Poder Executivo uma extensão do sindicalismo do calcanhar sujo. Em cargos da maior importância, empregou gente do porte de uma Erenice Guerra, que transformou a Casa Civil num valhacouto de foras-da-lei.

No Poder Legislativo não se fez de rogado em negociar alianças com Jader Barbalho, José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros. Desses tipos, que faltam currículos mas sobram prontuários, Lula recebeu apoio incondicional, inclusive para abafar malfeitorias praticadas no seu governo. Para eleger Dilma Rousseff - com mestrado em nada e doutorado em coisa nenhuma - à presidência da República, que se havia se manifestado a favor do aborto, negociou o apoio de um bispo de araque, que já frequentou uma das celas da Polícia Federal,  em troca de algumas facilidades na área de comunicação.

A decisão do Supremo, que tornou matéria inconstitucional a exigência de dois documentos para o eleitor se habilitar ao voto,  foi vergonhosa. Como presidente do TSE, o ministro Lewandovski votou pela legalidade dessa exigência, nos seguintes termos: “Não há, portanto, nenhuma justificativa para que não se apresentem esses dois documentos. Não podemos, desde logo, flexibilizar a lei”. Dias depois, Levandowski, como ministro do STF, foi o maior defensor pela inconstitucionalidade da exigência dos dois documentos.

Nada contra, se um magistrado muda de opinião e passe a julgar de forma divergente sobre a mesma matéria, até porque o direito é dinâmico e deve acompanhar as mudanças da sociedade. Mas o que se viu no Supremo foi algo de muito esquisito, para dizer o mínimo. Não se sabe se entre o julgamento do TSE e a decisão do STF aconteceu algum telefonema do Planalto para a planície.

 (*) Nilson borges Filho é mestre, doutor em Direito, professor e articulista colaborador deste blog


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